'Julgamos de acordo com o Direito, aqui não existe torcida', diz Jaime Barreiros
Por Glauber Guerra / Leandro Aragão
O presidente da sessão, Jaime Barreiros, avaliou positivamente o julgamento das confusões no clássico Ba-Vi, do último dia 18. Após mais de quatro horas, o caso foi decidido na última terça-feira (27), na sede do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol da Bahia (TJD-BA). O Vitória foi multado em R$ 100 mil e a perda de pontos da partida pelo ocorrido. Seis jogadores envolvidos na briga generalizada pegaram entre dois e dez jogos de suspensão. O técnico rubro-negro, Vagner Mancini, e o supervisor do time, Mário Silva, foram absolvidos das denúncias por ferir a ética disciplinar e suspender o jogo. "Transcorreu de uma forma que nós esperávamos pela qualidade dos defensores que aqui estiveram, dos advogados, do próprio procurador. Julgamos de acordo com o Direito. Esse é o objetivo do Tribunal. Aqui não existe torcida. Se falou muito que: 'Ah, tem torcedor do Bahia, tem torcedor do Vitória lá'. Claro que tem, evidentemente. Todos aqui trabalham sem salário, é um trabalho voluntário. Isso é importante destacar. Todos têm suas paixões clubísticas, mas evidentemente todos têm um nome a zelar, uma história de vida a zelar. E com base no Direito é que julgamos e fizemos isso hoje", declarou Barreiros em entrevista ao Bahia Notícias. Ele ainda explicou o termo dosimetria da pena, que foi bastante usado durante o julgamento. "A dosimetria da pena, falando no linguajar popular, é analisar cada caso de forma particular. Cada caso é um caso, observando as peculiaridades dele. Então, você tem que levar em conta se há antecedente daquele atleta acusado. Qual foi a conduta dele em relação ao próprio evento, para dessa forma aplicar a pena individualizada. Porque o Código dá uma margem ao julgador, de uma pena mínima e uma pena máxima. E a dosimetria é justamente buscar qual é a pena justa para aquele acusado que vier a ser condenado", explicou. As decisões do TJD-BA desta terça-feira ainda cabem recursos em segunda instância, no tribunal pleno do TJD-BA. O clássico Ba-Vi realizado no estádio do Barradão, pela sexta rodada do Campeonato Baiano, virou ringue de uma briga generalizada entre os jogadores das duas equipes. Os atletas rubro-negros não gostaram da forma como o meio-campista Vinícius comemorou o gol de empate e partiram para cima dele. Após a briga, o árbitro Jailson Macedo Freitas expulsou Kanu, Denílson e Rhayner pelo lado do Vitória. Pelo Bahia, Rodrigo Becão, Edson e Lucas Fonseca foram para o chuveiro mais cedo. O goleiro do Leão, Fernando Miguel, se envolveu na confusão, mas recebeu apenas o cartão amarelo. Posteriormente, com a bola rolando, Uillian Correia recebeu o segundo amarelo num lance de jogo e também foi expulso. Em seguida, por um ato de indisciplina, Bruno Bispo também foi posto para fora ao receber outro amarelo. Com esta quinta expulsão, o Vitória ficou com o número insuficiente de atletas para o prosseguimento da partida, obrigando a arbitragem a encerrá-la aos 35 minutos do segundo tempo. O técnico Vagner Mancini e o supervisor do Leão foram acusados de supostamente terem orientado Bruno Bispo a forçar a expulsão.
