‘É possível viver do sonho’, diz surfista baiana que fez do esporte um trabalho
Por Rebeca Menezes / Leandro Aragão
"Escolha um trabalho que você ame e nunca terá que trabalhar um dia em sua vida". Esta frase é atribuída a Confúcio, pensador e filósofo chinês do período antes de Cristo. O mantra do oriental poderia muito bem aparecer num imaginário perfil de Ingrid Topolanski, surfista e bacharel em Administração, na extinta rede social Orkut, precursora do Facebook. Aos 22 anos, a baiana de Santa Cruz Cabrália diz orgulhosa e com brilho no olhar que conseguiu transformar o que era um sonho em realidade. "Eu consigo trabalhar e me sustentar vivendo meu sonho, vivendo meu esporte", declarou ela quando visitou a redação do Bahia Notícias e bateu um papo descontraído com a reportagem, enquanto tomava um cafezinho. "Na verdade, essa paixão se tornou trabalho. Aos 17 anos, quando fui morar em Ilhéus, para cursar Administração, eu comecei a surfar com mais frequência, disputar competições e viajar para surfar. A partir disso, comecei a ver que poderia ser uma profissão para mim", contou. Ingrid é uma das surfistas da Mahalo, uma grife de roupas e acessórios da modalidade. Ela conta que tudo começou em quando chegou à nova cidade. "Ilhéus é um lugar que respira surfe, né? Tem Itacaré ali pertinho, além da própria cidade. Então, foram quatro anos da minha vida em que consegui conciliar a minha formação e o meu esporte. Aí, naturalmente, as coisas foram acontecendo e com dois anos em Ilhéus veio a questão do patrocínio". E as coisas realmente foram acontecendo de forma natural para a baiana. Segundo Ingrid, ela passou a levar o surfe a sério. Além de treinar no mar, cuidar da parte física e da alimentação, ela passou a produzir conteúdos e participar de competições. Isso foi dando visibilidade à garota. A Mahalo enxergou, entrou em contato e a parceria foi firmada. "Foi aí que eu vi que é possível viver do sonho".

Foto: Reprodução / Facebook
Mas como surfista nenhum gosta de mar calmo, ela vê dificuldades da modalidade no cenário baiano. Para Ingrid, faltam ainda mais competições locais com melhores premiações e uma melhor organização do calendário. "Mas há pessoas que vêm batalhando para a construção de um cenário melhor. Eu acredito que tende a melhorar nos próximos anos. A gente tem que ter essa esperança, não é?", analisou. A jovem falou ainda sobre surfe feminino, que no Circuito Mundial tem destaques brasileiros como a cearense Silvana Lima, que já foi vice-campeã mundial duas vezes, e a havaiana-gaúcha Tatiana Weston-Webb. Para ela, o pequeno número de mulheres despontando no esporte está relacionada à falta de estrutura na base. "A base do surfe amador, como um todo, ainda é carente e requer uma estrutura melhor. No feminino, essa carga é ainda mais pesada". No entanto, ela dá a receita para contornar as dificuldades inerentes ao início da carreira. "Primeiro tem que ter muito amor pelo que você faz, você tem que estar feliz no seu esporte e batalhar muito. É questão de dedicação. É você acreditar, planejar a sua rotina, treinar bastante para conseguir alcançar esse sonho. Organizar todo o contexto de alimentação, de treinamentos físicos e o psicológico para estar sempre bem, atrás do que você quer".

Foto: Reprodução / Facebook
Sobre o futuro, ela afirmou que vai continuar treinando, aprimorando sua técnica e realizar mais sonhos, como visitar mais lugares. "Eu pretendo começar a viajar mais, fazer viagens no estilo da que eu fiz agora, mas para outros lugares. Ganhar experiência em ondas cada vez mais de peso, ondas tubulares, enfim, aprimorar minha performance mesmo. Então, eu quero trabalhar bastante e viajar bastante também", revelou ela, que retornou da Indonésia após passar dois meses no país. E para finalizar, como toda surfista, Ingrid recomendou o surfe mesmo para quem não quer ter o esporte como profissão. "Sem dúvidas é um esporte que muda a maneira de ver a vida. O contato com o mar vai muito além da performance do esporte em si, mas a forma como ele toca você, toca sua alma... Acho que é a parte mais bonita do surfe. Eu não seria a mesma pessoa que sou hoje se não tivesse conhecido esse esporte. É um estilo de vida, então eu indico o surfe para todas as pessoas".

Foto: Peu Fernandes
