Presidente da Federação Baiana de Tênis de Mesa pede por intervenção na CBTM
Por Edimário Duplat
Um dos esportes com maior número de irregularidades entre as federações olímpicas brasileiras, o tênis de mesa passa por uma situação complicada no país. Após o final do ciclo olímpico do Rio de Janeiro 2016, o Ministério de Transparência realizou quatro auditorias na Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), apontando falhas e indícios de fraudes em projetos destinados à participação na última edição dos Jogos Olímpicos. Contrária a isso e fora dos documentos, a Federação Baiana de Tênis de Mesa (FBTM) pede a intervenção e afastamento dos envolvidos na entidade nacional.
“Dispomos de vários documentos e relatos da comunidade de mesatenistas com fatos alusivos a gestão temerária, enriquecimento ilícito, licitações fraudulentas, estelionato, desvios de recursos financeiros, conflito de interesses, nepotismo e malversação ao qual solicitamos a devida investigação e auditoria ou corte de todo repasse de recursos públicos com vistas à renovação e à criação de um novo modelo de tecnologia de gestão esportiva deste esporte no país”, acusou o presidente da FBTM, Paulo Carneiro, em documento enviado para o Ministério do Esporte e para a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF).
Documentos obtidos pelo Bahia Notícias apresentam irregularidades apontadas pelo Ministério da Transparência, como pagamentos de despesas de dirigentes e funcionários tanto da CBTM como de federações estaduais. A mais grave das denúncias aponta que R$ 537.529,67 do total de R$ 1.945.760,13 de recursos públicos foram utilizados irregularmente em passagens e hospedagens do presidente da CBTM, Alaor Azevedo, e alguns confederados. A quantia era prevista integralmente para financiar viagens de atletas em treinamento aos Jogos Olímpicos.

“As federações cooptadas recebem todos os recursos para participarem da assembleia, como transporte, hospedagem e alimentação. As outras não têm direito e não comparecem. Existe malversação e conflito de interesses no uso do recurso público em favorecimento da atual gestão, que já dura mais de 30 anos. Quem não envia procuração ou aceita o regime é cerceado com cobranças e bloqueios”, informou Carneiro em entrevista ao BN.
Nos documentos, nota-se que presidentes de federações estaduais são muitas vezes contratados como prestadores de serviço da entidade nacional, como é o caso dos mandatários de Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Espirito Santo, que acumulam cargos de marketing, banco de dados e coordenação. Além disso, empresas que participam das licitações da CBTM pertencem a membros da Confederação, como é o caso da Radel Assessoria e Marketing, de propriedade de Roberto Moreira Antelo, Coordenador de Marketing da CBTM.

Integrante de uma das federações contrárias à gestão, Paulo Carneiro também reclama de boicote da entidade, o que segundo o dirigente se deve à falta de participação nos esquemas da entidade. “Na inscrição em eventos tanto pela federação como pelos clubes, há exigências infundadas de documentos pedidos à federação, além de pagamentos de taxas que são cobradas para uns e outros não”, justifica o presidente da FBTM, que espera uma resolução por parte do Ministério Público Federal em relação ao caso.
“O que estamos aguardando é o MPF intervir devido à caracterização de peculato, pois a entidade sobrevive de recurso público federal, assim como aconteceu com o afastamento no Taekwondo”, concluiu. Procurada pelo Bahia Notícias, a CBTM não se pronunciou sobre as acusações.
