Medalhista de bronze no Pan-2015 perde apoio do governo e vira motorista de Uber
Uma das esperanças do Brasil na luta greco-romana em 2015, o lutador Davi Albino vive um momento delicado na sua carreira esportiva. Sem conseguir a classificação para os Jogos de 2016 e fora do Bolsa Pódio, o atleta vive hoje como motorista do Uber para complementar a sua renda mensal.
Detentor de cinco títulos nacionais, Albino é um reflexo da crise vivida por atletas que tiveram apoio federal antes dos Jogos de 2016. Cerca de 40% dos beneficiários do Bolsa Pódio, que dava auxilio para competidores com bom rendimento nacional e internacional, não conseguiram a classificação para a competição sediada no Rio de Janeiro. Sem participação no torneio, o lutador deixou de receber o beneficio de R$ 5 mil e regressou para o Bolsa Atleta, no qual o teto é de R$ 1850.
Além disso, a crise financeira da CBLA, que não renovou contrato com a Caixa Econômica, também reduziu o calendário e encerrou o regime vivido pela Seleção Brasileira. Com isso, os atletas treinavam e moravam em estruturas bancadas pela instituição.
"A confederação já estava ciente que após um ciclo olímpico no Brasil haveria algum tipo de redução ou ajuste. Trabalhamos com essa possibilidade. Obviamente, atletas de diferentes níveis têm diferentes necessidades. Cada um está buscando se adequar à situação", afirmou Roberto Leitão, superintendente da Confederação Brasileira de Luta Olímpica (CBLA), em entrevista ao UOL Esporte.
Sem renda para suprir as suas necessidades esportivas, Albino se tornou motorista de Uber e agora complementa o seu dinheiro com o serviço. Para a CBLA, a segunda função não atrapalha a sua vida como competidor. "É dentro do esperado pela situação do esporte brasileiro. É uma pena que o atleta não tenha uma condição de se sustentar ao nível desejado de cada um. Obviamente, tem gente que está satisfeito com o Bolsa Atleta nacional. É uma pena que nem todos tenham acesso a benefícios maiores", concluiu Leitão.
Procurado pela reportagem, Davi Albino preferiu não se pronunciar sobre o assunto.
