Campeão mundial de fisiculturismo, baiano Marcos Santos pede visibilidade ao esporte
Por Matheus Caldas
Chegar ao topo do mundo é algo que qualquer atleta sonha. Os treinos, finais de semana perdidos, dores e cansaços, em suma, convergem para vencer os campeonatos mais importantes. O fisiculturista Marcos Santos conseguiu o maior feito da carreira há uma semana. Em Medellín, na Colômbia, ele se tornou campeão mundial amador no Olympia Amateur 2017.
Em seu primeiro título internacional, o fisiculturista disse que essa conquista serve de aprendizado pessoal para além do esporte. “A gente tem capacidade de conseguir aquilo que a gente quer, mesmo sem tanto apoio. Dá muito ânimo de conseguir muitas coisas, até pessoais, independente do esporte. Nos dá muita vontade e motivação”, comemorou o atleta, em entrevista ao Bahia Notícias.
Para Marcos, a premiação foi ainda mais importante por conta da falta de apoio. Após o título o mundial, ele afirma não ter tido nenhuma procura por veículos de comunicação. Chance de patrocínio, apenas uma da academia na qual treina. Ele será custeado na próxima competição, em Brasília, no mês de abril. “A imprensa não divulga e ninguém sabe de nada. Temos uma galera muito boa aqui em Salvador. A galera lá fora respeita muito o pessoal da Bahia e do Brasil, mas não são muito bem conhecidos aqui”, reclamou.

Marcos durante competição | Foto: Reprodução / Instagram
Como atleta amador, a ajuda de terceiros é fundamental para conseguir viabilizar viagens e compras de materiais esportivos. “Vem ajuda de amigos, de minha mãe para comprar a sunga, um colega que coloca a passagem no cartão de crédito... Sobrevivemos assim”, pontuou.
Na visão do soteropolitano, a conquista na Colômbia pode lhe transformar em uma referência na tentativa de buscar mais espaço para o fisiculturismo no meio esportivo brasileiro. “Com certeza. Eu sou hoje o melhor baiano na minha categoria. No Brasil, só há dois com esse título de campeão mundial. É um evento muito importante a nível mundial. Não há nenhum tipo de valorização e visibilidade neste sentido”, reiterou.
Força muscular é um elemento básico para qualquer atleta de alto rendimento. Futebol, ginástica, vôlei: todos precisam de um fortalecimento e condicionamento do corpo. Por esse motivo, Marcos crê que, neste sentido, o fisiculturismo também precise ser olhado com outros olhos. “Todos os esportes precisam fazer musculação. O esporte que representa essa musculação merecia ter um espaço melhor. Conseguimos títulos importantes fora do país, mas aqui, infelizmente, ainda não sabem nem quem somos. Pela importância que é a atividade de musculação, deveria [ter esse reconhecimento]”, concluiu.
Na carreira de fisiculturista desde 2012, Marcos já foi duas vezes campeão baiano, vice-campeão brasileiro em 2016 e quinto colocado no Sul-Americano do mesmo ano.
