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Na estreia da Copa do Mundo, Rugby da Bahia cresce e promete expansão no interior

Por Edimário Duplat

Na estreia da Copa do Mundo, Rugby da Bahia cresce e promete expansão no interior
Foto: Federação Baiana/Reprodução
Terceiro maior evento esportivo do mundo, a 8ª edição da Copa do Mundo de Rugby teve início nesta sexta-feira (18), quando Inglaterra e Fiji entraram no Twickenham Stadium, em Londres, para o jogo de abertura da competição. Entretanto, neste sábado (19), um importante capítulo da história dessa tradicional modalidade será escrito do outro lado do atlântico, quando Toruks e Orixás realizarão a final do Campeonato Baiano e demonstrarão o crescimento cada vez mais evidente desta prática que mistura força com disciplina tática, cada vez mais ganhando espaço em todo o país.


Foto: Reprodução/Federação Baiana de Rugby

Se engana quem acha que o esporte é novo no Brasil. Apesar de relatos históricos comprovarem a existência de clubes voltados para o Rugby no século XIX, o brasileiro Charles Miller foi responsável por segmentar as primeiras partidas oficiais e ajudar a existência de associações exclusivas para o desporto. Mesmo com práticas ocorrendo nas décadas posteriores, a modalidade perdeu espaço no cenário nacional e acabou relegada até 2009, quando foi readmitida pelo Comitê Olímpico Internacional e voltou para o programa olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro. “Desde 2009 tudo mudou para o Rugby no Brasil. A Associação Brasileira de Rugby se transformou em Confederação Brasileira (CBRu) e isso ajudou em profissionalizar o esporte no país”, afirma Diego Hamilton Reis, dirigente e membro do Toruks Rugby de Porto Seguro, em entrevista ao Bahia Notícias. Na Bahia, a história deste esporte também teve novo gás no início do século XXI, com a criação de clubes e reorganização da Federação Baiana. “De 2005 pra cá tivemos a criação de equipes, mas foi em 2009 que a Federação passou a existir”, reitera.


Foto: Toruks de Porto Seguro e Ymbores de Vitória da Conquista
Foto: Reprodução/Federação Baiana de Rugby

Em nova fase para 2015, uma nova administração pretende profissionalizar o esporte e estimular a prática nas escolas e demais regiões baianas, fora a capital. “Nós fizemos eleições dia 8 de agosto e nossa primeira diretriz foi regularizar a federação em relação a registros de estatuto, diretoria e situação financeira. Um dessas iniciativas será lançada com a escola de árbitros, que é uma peça importante em qualquer modalidade. Nesse esporte existe um respeito em relação aos árbitros, mas precisamos dar conhecimento a eles para serem melhores profissionais”, explica o presidente Manuel Cabral. Hoje, são cinco equipes já regularizadas e outras pretendem se profissionalizar até o fim do ano. “Temos cinco clubes e outros que tentam ser filiados, mas que precisam se qualificar. Uma das nossas propostas também é criar núcleos em cada região, onde mais associações possam surgir e criar as práticas para a disputa do Rugby em seus locais”, completou. Na atual edição do Baiano de Rugby XV (a modalidade mais tradicional) Orixás de Camaçari e Toruks de Porto Seguro fazem a decisão do certame e só demonstram a popularização da categoria, mesmo com as dificuldades recorrentes para a prática esportiva. “O Toruks é um clube muito novo e temos as dificuldades que todas as equipes tem aqui. Por exemplo, temos problemas em conseguir o campo, ambulância, essas coisas. Existe um desconhecimento muito grande do brasileiro sobre o esporte”, conclui Diego, que aponta a comparação com o futebol americano como um grande problema para afirmação perante o público. “A gente não gosta de ser comparado com o futebol americano. Não somos a mesma coisa, não é a mesma prática e isso é um grande desafio”, finalizou.



Fundamentos do Tag Rugby

Berço de três estilos diferentes de Rugby (Sevens, Beach, Paralímpico e XV), a Federação se preocupa em explicar a diferença de cada um e os cuidados que o atleta precisa para atuar no esporte. “É um esporte muito complexo, onde se precisa estudar muito as regras e muito esforço, com profissionais na área de saúde e educação física. Mas para cada uma das modalidades, são estratégias diferentes e formas de jogar distintas”, explica Diego, que também salienta o Tag Rugby, feito exclusivamente para as escolas. “O Tag Rugby, que entra nas escolas, é sem contato, o adversário não vai ao solo porque não é feito na grama e isso dá outra dinâmica. No site da federação temos todo o material para um professor adotar ”, concluiu.


Nova Zelândia é uma das favoritas para o Mundial de Rugby
Foto: Divulgação

Sobre o Mundial de Rugby, que terá transmissão completa nos canais ESPN, os atletas e dirigentes baianos estão otimistas sobre as expectativas que a exposição do esporte trará para o deporto nacional. “O Mundial é sempre um evento maior da modalidade. Esse esporte é criado em 104 países e chegou aqui no Brasil há mais de 100 anos. Acreditamos que o torneio dará exposição maior para a prática. Em todos os Mundiais, sempre aumenta a curiosidade e temos novos interessados no esporte”, explica Manoel, que assim como outros amantes da competição já tem os seus favoritos para o título. “O título deve ficar concentrado em quatro equipes: Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia e França. Mas nunca se sabe o que acontece quando a bola oval é lançada ao alto”, brinca o dirigente. Para Diego, os palpites não tem muitas mudanças, mas o importante é mesmo ter novos praticantes que são agregados após a disputa do torneio. “A Copa do Mundo de Rugby é um evento que nos deixa em uma ansiedade total. Para nós é muito importante porque é um período onde as pessoas passam a se interessar pelo esporte. Se você pegar qualquer pessoa que atua hoje aqui, todos começaram por conta de um Mundial”.

Seleção da Nova Zelândia dança o Haka, perfomance 
de intimidação da equipe, efetuada antes dos confrontos

Com um crescimento aparente, as dificuldades apresentadas ainda atrapalham a popularização do Rugby, que caminha entre problemas financeiros e o desafio das grandes distâncias para a sua realização. “No Brasil em termos de gerais o Rugby cresceu muito de 2009 para cá, principalmente por conta da Confederação Brasileira. O problema é que isso não acontece uniformemente. Para nós da Bahia os grandes entraves são as distâncias e um suporte financeiro. Mas estamos correndo atrás de investimentos e patrocinadores para ajudar o nosso esporte”, confirma Cabral. Enquanto Toruks e Orixás entram em campo às 14h, no Estádio Agnaldo Bento dos Santos em Porto Seguro, a bola oval segue rolando na Copa do Mundo da categoria.

Clique aqui e confira os confrontos do torneio mundial que terão transmissão completa pelos canais ESPN.