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Medalhistas baianas dizem ter mais reconhecimento, mas ainda encontram dificuldades

Por Edimário Duplat

Medalhistas baianas dizem ter mais reconhecimento, mas ainda encontram dificuldades
Adriana Araújo e Verônica Almeida, baianas medalhistas olímpicas.
Nos últimos anos, as mulheres brasileiras vêm conseguindo um maior reconhecimento no esporte mundial. Quebrando recordes e conquistando títulos e medalhas inéditos, as competidoras vêm mudando o cenário local e atraindo um novo público, que passa a reconhecer aquela modalidade e incentiva uma maior prática de jovens do sexo feminino. Entretanto, mesmo com melhoras aparentes, as dificuldades ainda existem e são um agravante para a evolução do desporto nacional. Por isso, aproveitando a comemoração do dia internacional da mulher neste domingo (8), o Bahia Notícias entrevistou duas atletas baianas, a boxeadora Adriana Araújo e a nadadora Verônica Almeida que conquistaram medalhas nos Jogos de Londres (2012) e Pequim (2008), respectivamente, para falar sobre o que eles precisaram enfrentar durantes suas carreiras esportivas pelo fato de serem mulheres.

Primeira brasileira a ganhar uma medalha olímpica no boxe, Adriana Araújo terá filme sobre carreira

Adriana Araújo, medalha de bronze no boxe em Londres 2012. Foto: Divulgação

“A dificuldade diminuiu hoje, mas ainda existe. Eu fiquei cerca de 10 anos sem ganhar um tostão, já que o boxe feminino não era olímpico. Mas hoje temos o nosso espaço”, afirma a pugilista baiana Adriana Araújo, primeira brasileira a obter uma medalha nos jogos olímpicos na sua modalidade. Para a desportista soteropolitana, o reconhecimento nas Olimpíadas e o Bronze em 2012 mudaram o cenário do boxe nacional, fazendo com que mais mulheres sejam estimuladas para a prática do esporte. “Depois da conquista em Londres, recebi muitas mensagens de outras mulheres que me tem como exemplo. Desde pessoas que se interessaram na prática pelo boxe, até atletas que já estavam no quadro e haviam desistido”, reiterou.


Verônica Almeida, medalhista olímpica nos jogos de Pequim (2008). Foto: Divulgação

Assim como Adriana, a competidora paralímpica Verônica Almeida, medalha de bronze nos 50m borboleta, classe S7 nos jogos paralímpicos de Pequim em 200,8 também tem uma história de superação e reconhecimento em relação ao esporte. A nadadora, que entrou para o Livro dos Recordes por nadar 12km na travessia Mar Grande-Salvador, pontua que uma das maiores dificuldades para as mulheres ainda se deve a menor visualização dos patrocinadores ao sexo feminino e o seu potencial no mercado publicitário. “As mulheres ainda são vistas como sexo frágil no âmbito esportivo. Percebo que o marketing e a publicidade de alto rendimento alcançam mais o atleta masculino. Porém, ultrapassando todos os estereótipos do ser atleta e mulher em cada competição de nível mundial, surge uma nova campeã para mostrar a poderosa força feminina”, justificou a atleta, que também descreve uma melhora no cenário também no âmbito paralímpico. “Hoje, eu vejo um cenário diferenciado. Posso afirmar isso no circulo Paralímpico onde nós somos reconhecidas como atletas de resultados e alta performance e temos o mesmo apoio e respeito como os atletas masculinos”, concluiu. Mesmo com dificuldades no âmbito estrutural, a gradativa evolução do esporte feminino no país e no estado vem quebrando barreiras e dando o devido reconhecimento a estas atletas, que vem ganhando mais representatividade graças ao seu potencial já existente.