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Ex-preparador de Bahia e Vitória diz que excesso de treinos causa tantas lesões quanto jogos

Por Francis Juliano

Ex-preparador de Bahia e Vitória diz que excesso de treinos causa tantas lesões quanto jogos
Fotos: Cláudia Cardozo
Alvo de queixas de atletas e de treinadores, o calendário do futebol brasileiro com jogos no meio e nos finais de semana tem desgastado jogadores ao ponto de o veterano Alex, do Coritiba, ter dito que a sequência intensa de partidas prejudica equipes e  principalmente o bom futebol. Para o fisiologista Alexandre Dortas, que foi responsável pelo condicionamento físico dos principais times do estado, Bahia e Vitória, durante 15 anos, o fato é verídico, porém explicita uma outra causa. Segundo ele, falta aos clubes melhor gerenciamento sobre o plantel que têm. Ou seja, mais ciência e mais racionalização nos gramados. “Muitas vezes o número de lesões ocorrem por excesso de treinamentos. Se você tem muitas informações dos atletas, se você consegue durante a pré-temporada avaliar bem e controlar o treinamento de uma forma mais individualizada, você pode chegar até a comissão técnica e dizer: ‘esse atleta treinou demais, ele está assim e tem que aprimorar outra qualidade física’. Quando isso é bem gerenciado, se diminui bastante o número de lesões em um grupo”, relatou, em entrevista ao Bahia Notícias o também professor universitário e fisiologista do lutador de UFC Júnior Cigano.


Outro detalhe informado pelo preparador é que nem sempre os inúmeros jogos são os vilões, mas o trabalho cotidiano nos centros de treinamento. “Tem comissão que ao invés de fazer mais repouso e recuperar o atleta, faz uma carga maior de treinamento. Se o cara não vai jogar na quarta-feira e o treinamento passa a ser mais forte, mais exigido, porque não tem jogo, é um contrassenso. O que se precisa entender dentro do futebol é que existe uma diferença: quando o atleta está mal condicionado nem sempre é por falta de treinamento. Às vezes, o excesso de treinamento faz com que ele não se recupere e o cansaço é muito mais por acúmulo desse trabalho”, contou. No curso disso, Dortas aponta também os desgastes emocionais, que interferem no rendimento dos atletas nos jogos, dentro das tradicionais e questionadas concentrações. “Imagine um indivíduo com mais de dez anos de futebol, que já concentra durante todos esses anos, para ele, aquilo tem muitas vezes uma sobrecarga emocional maior do que os jogos”, considerou, Dortas, que não vê necessariamente as concentrações com algo ruim. “O atleta, principalmente os solteiros, podem se alimentar e repousar melhor”, avaliou. Ainda segundo o especialista, uma maneira de evitar que os times cheguem "quebrados" ao fim das competições, é contar com peças de reposição.