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Futebol americano: Equipes nordestinas pedem campo de treinamento para fecharem parceria com clubes de futebol

Por Lucas Franco

Futebol americano: Equipes nordestinas pedem campo de treinamento para fecharem parceria com clubes de futebol
Composição: Tiago Melo/ Bahia Notícias
Das 34 equipes que disputam o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, cinco contam com o apoio de times de futebol, que emprestam seus nomes, escudos e campos de treinamento. Três delas fazem parte da Conferência Nordeste: o Botafogo Espectros, de João Pessoa, o América Bulls, de Natal, e o Sergipe Bravos, de Aracaju. Na Conferência Central o tricolor carioca tem como representante o Fluminense Imperadores e na Conferência Sul, o Coritiba Crocodiles leva o nome do time “coxa branca” para os campos onde o objetivo é fazer touchdown. As dificuldades em encontrar apoio na cidade natal, porém, fizeram algumas equipes nordestinas transferirem o mando de campo para o interior do estado. 
 
- Procuramos [clubes de Maceió] e sempre tivemos um não. Gostaríamos de ter um campo para jogo e o uso da marca do time para conseguir patrocínio, além de ajuda para uniformes. Somente a prefeitura de São Miguel dos Campos [a 63 km da capital] cedeu o campo de jogo e um ônibus pra o traslado Maceió-São Miguel para nossos jogos em casa. De Maceió, nunca tivemos nada de clube algum ou da prefeitura – conta o presidente e guard do Maceió Marechais, Mércio Silva.
 
Maranhão e Piauí são os únicos estados do Nordeste que não estão representados no Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, que conta com 10 equipes da região em três divisões: a norte, com os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, a central, com Paraíba e Pernambuco, e a sul, com Alagoas, Sergipe e Bahia. As campeãs de cada divisão, a segunda colocada da divisão norte (que conta com quatro equipes, enquanto as outras têm três) e as equipes que fizerem as duas melhores campanhas entre as demais se classificam para os playoffs da conferência. Com 100% de aproveitamento e saldo positivo de 163 pontos nos três jogos que disputou, o Botafogo Espectros, de João Pessoa, tem a melhor campanha do país até o momento. 
 
- Atualmente nossos jogos tem média de público superior a 300 pagantes e temos quatro patrocínios. A equipe é formada desde 2007 e treinamos uma vez por semana no centro de treinamento do clube, aos domingos – conta o diretor executivo e center do Botafogo Espectros, Felipe Jardim. A equipe se chamava João Pessoa Espectros até a consolidação da parceria com o Botafogo Futebol Clube, da capital paraibana.
 
O presidente do Botafogo Futebol Clube, Nelson Lira Filho, enxerga a parceria como valiosa para a instituição que representa e não se importa com o estado do gramado de um dos campos após os treinamentos do Espectros. 
 
- Como o Botafogo não tem participado de campeonatos nacionais, o Espectros tem dado visibilidade para o clube e eles têm condições de serem campeões brasileiros. Prejudica um pouco [o gramado por conta dos treinos do Espectros], mas tem a relação custo-benefício, e o que eles nos dão de visibilidade compensa. É bom para eles também porque com a marca Botafogo pode ajudar, já que o Botafogo é muito popular aqui, inclusive o governador é botafoguense, além de muitos empresários – conta Nelson.
 

Botafogo Espectros (de preto) tem melhor campanha do campeonato | Foto: Luiz Alexandre Ferreira Filho
 
A paixão pelo futebol americano, por vezes, faz os jogadores “esquecerem” que defenderão as cores de um time que no futebol é seu rival. 
 
- Olhe, antes de torcer para qualquer time de futebol de Aracaju, somos os Bravos do futebol americano, e isso é o que importa para todos os jogadores – conta a presidente do Sergipe Bravos, Kitty Lima, ao ser perguntada se os torcedores do Confiança, rival do Club Sportivo Sergipe, não se importariam em vestir as camisas vermelhas com o escudo da agremiação que apoia e cede campo de treino para a equipe que anteriormente se chamava Aracaju Bravos.
 
O Sergipe Bravos não venceu as duas partidas que disputou pelo Campeonato Brasileiro, mas tem um jogo decisivo no sábado da semana que vem (8), contra o Salvador All Saints, em Aracaju. Para o presidente do Club Sportivo Sergipe, Genisson Silva, os frutos plantados pelos jogadores de futebol americano já têm sido colhidos.
 
- A parceria só tem quatro meses e tem aberto a possibilidade de mais jovens simpatizarem e entrarem no clube. De 300 a 400 pessoas vão assistir aos treinos e vamos estimular e dar ainda mais incentivos. Vamos divulgar bastante o jogo do dia 8 – promete.
 
Em Natal, a parceria entre o Bulls Potiguares e o América Futebol Clube, que resultou no “América Bulls”, não teve como prioridade o uso do campo de treinamento.
 
- O CT do América fica em outro município [Parnamirim, a 12 km de Natal], então só treinamos lá uma vez por mês. A maioria do time torce pelo América e quando fechamos a parceria, os torcedores do ABC, são de 10 a 15 jogadores, compreenderam. Com a marca do América fica mais fácil para conseguir patrocinadores – conta o presidente do América Bulls, Hugo Leonardo.
 
No futebol, o América de Natal é o adversário do Vitória neste sábado (1º) e se encontra na nona colocação da Série B, a cinco pontos do G-4. No entanto, para o diretor de eventos do clube, Odeman Júnior, o desempenho no futebol não deve interferir na equipe de futebol americano.
 
- São duas coisas distintas. O trabalho voltado ao futebol vem sendo efetuado há muito tempo e isso reflete na nossa posição na tabela. Embora o projeto de futebol americano com o América seja novo, o time já existe há algum tempo [em 2006 nasceu o Ponta Negra Bulls, que deu origem à equipe atual]. Mas nosso torcedor já está olhando o futebol americano com outros olhos e quando ganhamos o estadual [de futebol] fizemos um evento de lançamento da pedra fundamental do estádio [Arena do Dragão, em Parnamirim] e o Bulls estava lá – conta Odeman.
 
Salvador conta com um time no Campeonato Brasileiro, o Salvador All Saints, que se tornou full pad (com todos os equipamentos) no final de 2011 e manda os seus jogos em Camaçari [a 42 km da capital]. Apesar de ter conseguido o patrocínio de uma empresa de energéticos por uma partida em que foi mandante, as soluções para o “carcará”, como a equipe é apelidada, passam pela disponibilidade de investimentos de times de futebol.
 

Cerca de 250 espectadores assistiram a estreia do All Saints no Brasileiro | Foto: Lui Magalhães
 
- O apoio de um time de futebol populariza o esporte e tenda a melhorar o seu nível não só de visibilidade, mas também dentro de campo, pois a tendência é que mais pessoas pratiquem o esporte e daí surjam bons jogadores. Times como Bahia e Vitória entram muito fácil na mídia. É claro que todo apoio de ordem estrutural, como campo para treinamento, também é importante – opina o running back e técnico do Salvador All Saints, Matheus Dourado.
 
No entanto, o “carcará” precisará convencer os clubes de Salvador de que vale a pena o investimento no futebol americano.
 
- A gente tem investido em esportes olímpicos, não fomos sondados pelos times de futebol americano. Temos tradição no remo e times fortes de basquete e vôlei, então preferimos priorizar eles, especialmente o remo, pela história e tradição, já que somos uma força nacional nesse esporte – conta o assessor de marketing do Esporte Clube Vitória, Álvaro Ribeiro.
 
- Estamos crescendo e isso vai culminar no apoio a outros esportes. No momento temos a parceria com a Stock Car. Para associar a marca Esporte Clube Bahia com um time de futebol americano, é preciso ter um parecer técnico aqui dentro, para dizer se vale a pena investir no time, e por enquanto não temos essa pessoa, porque é um esporte novo aqui. Tem que se analisar também quais serão as bases comerciais, tudo é feito com muita cautela – afirma o gerente de marketing do Esporte Clube Bahia, Leandro Bahiense, que não foi sondado pelo All Saints.
 
No entanto, um clube soteropolitano longe dos holofotes das transmissões pay-per-view do futebol brasileiro não descarta a possibilidade de aumentar sua gama de atividades. 
 
- Houve sondagem de duas equipes, o Salvador Red Phoenix [que se fundiu ao Sotero Politans no final de julho] e o Salvador All Saints, mas o que elas queriam o Ypiranga não pode oferecer hoje, que é um campo de treinamento. Mas temos interesse em vários esportes, inclusive patrocinamos o boliche. Se conseguíssemos o acesso para a Série A do Baiano esse ano melhoraria bastante, mas vamos trabalhar para conseguir no ano que vem – conta o diretor de marketing do Esporte Clube Ypiranga, Marcelo Behrens.