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Jogadores do Juazeiro reclamam de salários atrasados e não descartam greve

Por Glauber Guerra

Jogadores do Juazeiro reclamam de salários atrasados e não descartam greve
Desligado do time, Juninho Petrolina confirmou o atraso | Foto: Glauber Guerra
Em meio à derrocada no Campeonato Baiano, o Juazeiro vem encontrando dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. O descontentamento interno é claro. Um grupo de três jogadores, que preferiu o anonimato, entrou em contato com o Bahia Notícias após a partida deste domingo (26), contra o Vitória da Conquista, e relatou a situação. Segundo eles, as condições de trabalho são precárias e os salários estão atrasados. A situação chegou a tal ponto que nem mesmo uma greve dos jogadores está descartada.

- Falta gelo para tratamento, alimentação ruim e o principal, que é o salário. Até agora não recebemos nada. Somos trabalhadores e temos nossas obrigações. Se a situação não melhorar, podemos até parar – disse um dos atletas ao BN.
 
Já outro jogador, que também estava no grupo que participou do empate em 1 a 1 com o Vitória da Conquista, expressou sua indignação.

- Com a chegada do técnico Sérgio Araújo melhorou bastante. Ele tem uma visão diferente dos dirigentes do Juazeiro e exigiu mudanças, que aos poucos estão sendo colocadas em prática. Mas o que está pegando mesmo é falta do pagamento dos nossos salários. Temos família para sustentar. Isso é um absurdo. Deixa o jogador desmotivado para trabalhar. Todo dia eles dizem que vão pagar e nada. Se eles não pagarem até quinta-feira, a situação pode piorar – alertou.

Atletas dispensados endossam reclamação
Jorginho e Mateus esperam que a situação se resolva| Foto: Glauber Guerra / Bahia Notícias

Dispensados recentemente, o volante Mateus, o lateral Jorginho Piauí e o meia Juninho Petrolina, endossaram as reclamações dos seus ex-colegas. Mateus, de 23 anos, revelou que chegou a ter febre e não contou com nenhuma assistência médica do Juazeiro.

- Fiquei doente e nenhum dos dirigentes me deu apoio. Quem me ajudou foram dois jogadores. Eles me levaram para o hospital e ficaram comigo até eu receber alta. Nenhum diretor foi me visitar no hospital. Se não fossem eles dois, poderia ter acontecido algo pior. Acho que nem estaria aqui conversando com você. Tive febre alta – declarou.

O volante explicou que ainda não recebeu salário e que depende do dinheiro para poder deixar o município.

- Os jogadores que estão no grupo ainda não receberam salários. Ninguém recebeu. A insatisfação é geral. Sou de Jequié e preciso do dinheiro para ir embora. Estou confiando na palavra do presidente Baé. Espero que tudo se resolva. Pois também já recebi propostas de outro times. Como ainda não assinaram minha rescisão, preciso resolver este assunto urgentemente, pois meu futuro está em jogo. Essa situação é inédita para mim. Espero não passar novamente por isso.

Já o lateral direito Jorginho Piauí também disse que nunca passou por situação parecida.

- Nunca vi jogador ser dispensado e não darem satisfação nenhuma. Estou impedido de ir para outro clube pois ainda não assinaram minha rescisão. Encarar essa realidade e ficar na torcida para que o presidente Baé possa resolver isso, para que possamos ir embora e seguir nossas vidas em paz. Mas temos que acreditar neles.

O veterano Juninho Petrolina elogiou o mandatário do clube, mas criticou o preparador físico Edson Mauro e o auxiliar técnico Janilson. Os dois são, respectivamente, filho e genro do presidente Baé.

- Baé é uma pessoa do bem. Mas o erro crucial dele foi ter colocado Janilson, que foi um jogador “meia boca”, que não tem capacidade para assumir o cargo de auxiliar. O outro é Mauro, filho do presidente, que é um péssimo profissional. Nada contra as pessoas deles, mas são incompetentes. Me dediquei bastante no Juazeiro. Minha vontade era só de jogar. Se eles conversassem comigo, eu até abriria mão do salário, pois minha vontade é a de jogar. Fomos tratados como laranja. Depois que deu o suco, fomos jogados fora na lata do lixo, sem nenhuma consideração – filosofou.

O Bahia Notícias tentou entrar em contato com o presidente Báe, mas ele não retornou as ligações.