Excluído da Fifa, árbitro diz que há corrupção na arbitragem brasileira
Gutemberg não poupou críticas ao presidente da Comissão Nacional de Arbitragem
O árbitro carioca Gutemberg de Paula Fonseca, que soube nesta quinta-feira (5) que foi excluído do quadro de árbitros da Fifa, deu uma entrevista polêmica nesta sexta (6) acusando o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf), Sérgio Corrêa, de corrupção. À Rádio Jovem Pan, o juiz insinuou que o dirigente pediu favorecimento ao Corinthians e o chamou de “mentiroso”.
Segundo Gutemberg, Sérgio Corrêa exigia que os árbitros ligassem para ele assim que saísse a escala dos jogos. Dessa forma, todos recebiam recomendações sobre partidas que iriam apitar. “Ele inventou a situação de que quando o árbitro recebe a escala, ligar para ele e receber recomendações. Eu tenho provas para que essa sujeirada seja lavada. Eu, por exemplo, fui escalado para um jogo entre Corinthians e Goiás, em que o Corinthians ganhou por 5 a 1. E antes do jogo, ele disse assim: ‘Vai lá, boa sorte. Vai apitar o jogo do Timão, hein’ O que eu posso entender disso? Que se o Corinthians não ganha eu podia passar o resto da vida não ser escalado. Ser punido e ficar fora. Tem muito mais coisa, tudo fundamentado e documentado com provas. A nossa relação começou a se acirrar porque parei de ligar”, revelou.
Gutemberg sugeriu ainda que perdeu o escudo da Fifa porque parou de receber ordens do dirigente. “Acho que voltamos aos tempos das Capitanias Hereditárias, mas na arbitragem brasileira. Ele é mentiroso, mariquinha e corrupto. Corrupção não é só a ação de se seduzir por dinheiro. Mas ela é a ação de se seduzir por presentes. Escalam um árbitro quando atendem aos anseios dele. Ele não convence que tenha sido por outro motivo que não seja o político, de interesse pessoal dele. Passei em todos os testes”, completou.
