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Entrevista

Vágner Mancini

Vágner Mancini

Por Éder Ferrari

B.N – Sua carreira como treinador é curta, como foi seu inicio?

Mancini - Eu iniciei a carreira no Paulista de Jundiaí, em maio de 2004, quando ainda era atleta, inclusive fui jogador do Paulo Comelli, treinador do Bahia, no Ituano, de repente acabou o campeonato Paulista e a diretoria do clube me chamou para assumir essa nova função. Primeiramente fiquei em dúvida, mas depois de alguns dias acabei aceitando o desafio, e até aqui felizmente as coisas vem dando certo, acho que fiz a melhor escolha quando encerrei a carreira de jogador.

B.N – Quais clubes dirigiu até agora?

Mancini -
Depois que eu sair do Paulista ao final do Paulistão de 2007, acabei indo para os Emirados Árabes, dirigir o AL Nasser de Dubai, onde fiquei durante sete meses. Apenas retornei ao Brasil, porque a diretoria do Grêmio foi até Dubai, pagou a muito rescisória e me trouxe. Fiquei 70 dias em Porto Alegre e mesmo mantendo uma invencibilidade, a diretoria achou que eu deveria sair. Agora estou iniciando uma nova fase aqui no Vitória, que eu espero que seja uma fase de muitos triunfos e títulos e que possa ser longa, não vim para Salvador pensando em usar o clube como vitrine. Vim para vencer e fazer história.  

B.N – O que aconteceu que mesmo invicto você deixou o comando do Grêmio?

Mancini
- O que aconteceu no Grêmio é até difícil de contar, um técnico que chega e encontra um grupo formado pela diretoria, consegue manter uma invencibilidade, tendo conquistado quinze de dezoito pontos possíveis. Mas de repente um membro da diretoria, quis que o Mancini escalasse a equipe da maneira deles e eu não admito esse tipo de interferência no meu trabalho, o que gerou um desgaste que culminou com minha saída. O que eu não entendo é que se eles faziam tanta questão de escalar a equipe do jeito deles, bastava colocar qualquer treinador, não precisava ter ido aos Emirados Árabes me buscar.

B.N – O que achou da estrutura do Vitória?

Mancini
- A estrutura do Vitória é maravilhosa, nós temos vários campos para treinamento e o que prova a qualidade deles, foi essa semana de chuva, que não nos impediu de trabalhar normalmente. Aliado a isso, temos os setores de fisioterapia, fisiologia, de preparação física, de alto nível e as pessoas que trabalham no clube são bastante gabaritadas, o que facilita o trabalho do treinador. Posso falar sem medo de errar, que a estrutura do Vitória é uma das melhores entre os clubes que participam da Série A do Brasileiro.

B.N – O inicio de temporada do Vitória tem sido bastante criticado, o que precisa mudar, jogadores, mentalidade?

Mancini
- O que eu venho dizendo abertamente a vocês da imprensa, é que o que precisa mudar, não são os jogadores, e sim a atitude deles. Tanto é que na partida contra o Paraná, nós acabamos vendo uma equipe lutadora, mais organizada taticamente. Uma equipe que quis ganhar o jogo, ganhou, mas que infelizmente não conseguiu a vaga, mas mostrou aos torcedores que vieram ao Barradão, que o espírito mudou, que o time não irá desistir nunca, que sempre colocará a alma em campo e é isso que eu exijo dos meus jogadores.

B.N – Então você está satisfeito com o elenco?

Mancini -
É muito importante que se diga, até para os torcedores ouvirem, que para o Brasileiro iremos remontar a equipe, já que para mim e também para a diretoria, que tem mostrado-se muito aberta na busca de novos atletas, esses jogadores que estão aqui, servirão de base para o time. Mas hoje nos temos que tentar fazer com que esses atletas que estão aqui sejam guerreiros dentro de campo, e que possam dar o título ao Vitória.
 
B.N - A torcida tem pegado no pé de jogadores como Ney, Gustavo e Bida, você concorda com essas cobranças?
 
Mancini -
Não conheço muito bem esses jogadores, mas sei que ao longo do tempo quem acompanha futebol, sabe exemplos de jogadores que vinham sendo cobrados pela torcida, pela diretoria e que na hora da decisão, cresceram e mostraram sua utilidade e seu valor. E é isso que esses jogadores têm que ter em mente, que dependem deles mesmos, para trazer a torcida para seu lado.

B.N – Quando você estava no Grêmio, liberou o Danilo Rios para o Vitória e quando chegou aqui, apesar de não ser titular, era um dos poucos que vinha agradando a torcida. Você pediu o Ricardinho, que joga na mesma posição que ele, e nem relacionou o Danilo para os últimos jogos, porque?

Mancini
- O Danilo Rios é um atleta jovem, de muito futuro, boa técnica, mas que tem que melhorar dentro de campo no sentido disso que eu acabei de falar. Tem que ser mais dinâmico, participar mais, abrir espaços, brigar pela bola, porque se o futebol for jogado simplesmente com técnica, eu também quero voltar a jogar, mas infelizmente não é assim. Então o atleta tem que entender que para entrar no meu time, tem que “suar sangue”, senão fizer isso, vai ficar de fora e esse é o caso do Danilo.

B.N – O que você conhece e espera dos três adversários do Vitória no quadrangular final do Baianão?

Mancini -
O Bahia não precisa nem dizer que será nosso maior rival, terminou na liderança, nos venceu duas vezes e tem o Comelli no comando. O Conquista é uma equipe muito equilibrada e arrumada, acho até que nesse aspecto é a melhor do campeonato, gostei muito do que eu vi e acho que vai incomodar bastante. O Itabuna também não chegou por acaso não, é um bom time e pode ser decisivo para as outras três equipes, que devem fazer grandes duelos entre si, e quem perder pontos para o Itabuna, provavelmente sairá da disputa.

B.N – Acredita no título baiano e numa boa campanha no Brasileirão?

Mancini -
Claro e nem poderia ser diferente, eu não sairia de São Paulo para vim para o Vitória simplesmente para disputar, eu vim para ganhar. Essa é minha meta na vida e no trabalho, e espero atingir esse objetivo aqui. O Vitória é um time de Série A, que nos últimos anos infelizmente disputou as Séries B e C e justamente por isso, eu espero nessa volta à primeira divisão que façamos um grande papel, sempre brigando para estar “nas cabeças” e recuperar o prestigio e temor que as outras agremiações rivais tinham do Vitória.

B.N – Esse será seu primeiro Brasileirão como treinador, qual a sua expectativa?

Mancini -
No momento eu estou focado nessas finais do Baiano, até porque virou uma prioridade para a diretoria e para mim também, já que eu terei esses seis jogos e seis semanas para analisar e preparar a equipe, para o Brasileiro. Portanto nada melhor que jogos decisivos, para saber a real capacidade dos atletas para formar uma equipe forte.