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Entrevistas

Entrevista

Mário Freitas

Mário Freitas

Fotos: Bahia Notícias

 

Bahia Notícias: Mário, conte um pouco da sua experiência em Copas do Mundo. Você esteve em quantas?


Mário Freitas – A primeira Copa que fiz foi em 86 no México. Essa foi a tradicional Copa do Mundo que Zico perdeu um pênalti no empate em 1 x 1 com a França. Aí depois Sócrates perdeu e Júlico César também na disputa de pênaltis. Em 1990 na Itália, com Lazaroni, em que o Brasil saiu para a Argentina. Em 1994 nos Estados Unidos e o Brasil foi campeão. Quatro anos depois, na França, em que o Brasil perdeu por 3 x 0 na final. Em 2002 eu não fui e 2006 na Alemanha, em que o Brasil perdeu para França novamente e essa será a minha sexta Copa do Mundo.

 


BN: Como foi a primeira vez que cobriu uma Copa do Mundo? Ficou nervoso?

Mário Freitas – Já tinha uma relativa experiência nessa época. Eu trabalhava na rádio clube em 86 e foi uma coisa quase que de repente. Dois meses antes, Gordiano que era o diretor e Martinho Lélis, que hoje está na rádio Sociedade, que era o chefe da equipe, falaram que iríamos para a Copa e fomos. Naquela época já era mais fácil de vender, entendeu? Naquela época, rapaz, eu vendi a minha ida, do diretor da rádio. Vendi muito. Era muito mais fácil vender publicidade. Eu não dei despesa nenhuma para a rádio e ainda sobrou um trocado para mim, mas hoje é mais complicado. Essa foi a experiência da Copa de 86. A gente sempre fazia em pool e nessa época foi com a rádio Jornal de Aracajú e a Sociedade de Feira de Santana. Em 90 e 94 com a Tupi-SP. Em 1998, na França, com a rádio Sociedade de Feira e na última com a rádio Gaúcha e Sociedade de Feira de Santana. É trabalho duro. Lembro que entrava no centro de imprensa, que ficava na Cidade do México, umas nove horas da manhã e não tinha hora para acabar. Nós fazíamos parcerias com quatro ou cinco emissoras, aí você tem que gravar. A gente comprava um espaço e você transmitia os jogos de dentro do centro de imprensa. É bom deixar claro que poucas rádios transmitem os jogos ao vivo do estádio, porque você paga uma grana violenta para fazer isso. Além de você pagar os direitos, que são aproximadamente RS 250 mil. Aqui da Bahia, só duas rádios compraram na época, que foram as Sociedades de Feira de Santana e da Bahia. No caso da rádio Excelsior e Rádio TUDO FM, nós compramos junto a rádio ESPN/Eldorado, e teremos direito a transmitir os jogos. Antigamente se fazia muito o tubão e hoje ninguém mais vai fazer isso. Porque a Rede Globo, que detém os direitos, e a própria FIFA, vão apertar muito. Antigamente, com o tubão, você nem ia, se escondia em um bairro desses e dizia que estava lá. Pela minha experiência, somente duas ou três rádios vão transmitir os jogos do Brasil ao vivo, porque você paga por posição no estádio para apenas duas pessoas. E a rádio Excelsior e TUDO FM vão retransmitir através da ESPN/Eldorado, que vão estar no estádio. Vou continuar fazendo meus programas na rádio Excelsior, de 10 horas ao meio dia, com o “Show do Marão” e o “Show de bola” de oito as nove. Na rádio TUDO FM eu vou fazer o “Esporte show” de uma as duas, ficando ‘a disposição de toda programação das duas rádios, entrando ao vivo de onde estiver. Um coisa interessante, Maurício, em Copa do Mundo, é que na hora que a bola rola, é televisão. Mas o importante em Copa do Mundo é o pré-jogo, comentários, bate-papo e foi o que sempre fiz em cinco mundiais que estive e modéstia parte me dei bem.

 

 


BN: Todos os profissionais que trabalham com esporte, sonham em cobrir uma Copa. É um sonho mesmo?


Mário Freitas – É o Oscar do futebol. Rapaz, vou fazer minha sexta Copa do Mundo e ninguém atingiu essa marca. E não fui nenhuma para passear, todas para trabalhar. Ninguém atingiu essa marca no rádio. No Brasil pode ter atingido, mas na Bahia ninguém.

 


BN: Das copas que cobriu, qual foi a melhor em termos de estrutura para o profissional de imprensa?


Mário Freitas – Eu diria que a Copa do Mundo é muito organizada. É muito difícil apontar uma. O pessoal está falando muito nessa, não sei como é que vai ser realmente, mas acho que vai ter organização. Eles são muito rigorosos. Com credenciamento, para você entrar sem é difícil, entendeu? Em Copas do Mundo não tem o jeitinho brasileiro que tem aqui. Todas foram muito organizadas, não me lembro de nenhuma que tivesse sido ruim. Todas mantém o padrão de organização e isso é uma exigência da FIFA. Eu acho que aqui no Brasil, em 2014, vamos ter isso. 

 

 


BN: Dá tempo de conhecer as cidades que são sediadas as Copas do Mundo?


Mário Freitas – No México, eu fui para Guadalajara, onde o Brasil ficou sediado também. Na Itália, eu fiquei em Torino onde o Brasil ficou também. Cheguei a conhecer Roma. Nos Estados Unidos ficamos em Dallas, onde tinha o centro de imprensa. Na final ficamos em Los Angeles. Em 2006 foi uma loucura, porque geralmente até a copa de 1998, na França, as seleções tinham uma sede, mas na Alemanha você fica jogando em várias cidades. Então tem o deslocamento que é terrível. Na Alemanha as estradas são fáceis e você se deslocava muito de uma cidade para outra. Agora, dá para você conhecer até alguma coisa, mas a Copa do Mundo é jogo duro, é trabalho duro. Você não está lá para brincar e sim para trabalhar. Quem quiser passear em Copa do Mundo, não vá. Tem que trabalhar muito, dormir tarde, acordar cedo.

 


BN: Você citou a Copa de 2014. Como você acha que o Brasil se sairá?


Mário Freitas – Uma Copa no Brasil será sensacional. Quem não quer patrocinar uma Copa? Acho que se precisa melhorar muito a situação dos aeroportos no país. Eu viajo muito. Hoje, quase todos os aeroportos no Brasil se fazem filar quádruplas. O aeroporto de Salvador é terrível na hora do pico. Quase todos estão assim. Tem que dar uma melhorada legal. A rede hoteleira, que eles são muito rigorosos com isso. A segurança precisa melhorar. É complicado. Eu acho que o Brasil tem quatro anos para colocarmos tudo isso no lugar. E para tirar, todo mundo quer patrocinar uma Copa.

 


BN: Você acha que temos condições de fazer uma Copa do Mundo tão bonita quanto as dos outros países?


Mário Freitas – Eu acho que os grandes problemas do Brasil são segurança e saúde. Mas eu entendo que a gente tem muito tempo. Se as autoridades trabalharem, eu acho que teremos condição de fazer uma Copa. O brasileiro gosta de futebol. Acho que é só ter vontade e determinação. A Copa do Mundo trará grandes benefícios para o Brasil que ficarão para depois da competição.

 

 


BN: Falando na seleção de Dunga. Gostou da convocação?


Mário Freitas – Rapaz, veja bem. Eu digo sempre o seguinte: quem é o grande craque? Ainda talvez Kaká, ainda talvez Robinho. Eu acho que Dunga foi coerente. Ele manteve aquele grupo que ganhou tudo sob seu comando. Achei certo não levar Adriano pelo seu comportamento fora de campo e também pelo que vinha fazendo pelo Flamengo. Se ele levou Grafite foi porque ele tem informações sobre o jogador. Aí você pergunta sobre Ganso e Neymar (Santos). Acho que estão realmente jogando muito. Eu levaria um dos dois. Ele tem Elano, Josué, Júlio Batista. Mas em compensação, se você olhar, em dezembro, alguém pediu algum dos dois? Eles estouraram esse ano. Se você analisar, ele foi coerente. Agora é esperar a bola rolar.

 


BN: Para você, qual nome não deveria estar nesta lista?


Mário Freitas – Eu não levaria Elano, Josué. Um goleiro que eu gosto, por exemplo, é Rogério Ceni, do São Paulo. Acho que ele é um bom caráter, um bom goleiro. Eu gosto muito do Leonardo Moura, do Flamengo. Kleber, do Cruzeiro, mas é irresponsável, expulso todo jogo. Eu levaria ou Ganso ou Neymar, mas não os dois.

 


BN: E Ronaldinho Gaúcho, você levaria?


Mário Freitas – Ronaldinho Gaúcho é outro cara que eu acho que merecia um lugar na seleção. Só que tem uma coisa. Eu me lembro que eu tava em uma coletiva em 2006 aí perguntaram ao técnico Parreira se ele entraria com apenas um volante em campo, contra o Japão. E na época tinha o famoso quarteto mágico (Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano). Mas ele falou que se entrasse com essa formação, a selecao voltaria para casa na primeira fase. Hoje é marcação e ninguém vai entrar só com um cabeça de área, vai entrar com dois e até três. Não importa o adversário. Hoje o futebol é marcação, a Copa do Mundo é mais pegada.

 

 


BN: Na primeira fase o Brasil enfrenta Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Desses, qual o mais perigoso?


Mário Freitas – Portugal. Acho que aí é unanimidade, mas teoricamente. Chega em campo e o Brasil se engasga com a Costa do Marfim. Nos três bolões que fiz de brincadeira, eu coloquei logo Brasil em primeiro e Portugal em segundo. O que conhecemos da Costa do Marfim? Vamos ser sinceros. São uns corredores, com alguns jogadores que atuam fora do país. E da Coréia? Outro time de corredores também. Acho que o Brasil passa. Se o Brasil não passar nessa primeira fase, fazer o que? Por exemplo: jogou Vitória e Atlético-GO. Se o Vitória não vencesse o Atlético-GO, poderia pensar em disputar uma final de brasileiro?

 


BN: Tem alguma seleção que pode surpreender na competição?


Mário Freitas – Todo ano acontece isso. Veja bem. A Inglaterra só ganhou uma Copa do Mundo, em 1966. A Inglaterra tem um futebol arrumadinho, mas está sem Beckham, que é a grande estrela deles. A Holanda, que se não me falha a memória, foi a única seleção que ganhou todos os jogos nas eliminatórias. Mas, sinceramente, o título ficará entre Brasil, Argentina, mesmo entrando daquele jeito, Alemanha, Holanda, Itália, a Espanha, atual campeã da Eurocopa. O futebol da Espanha sempre foi forte e tem um campeonato milionário. Mas se você observar, em Copas, a Espanha nunca foi bem, porque a maioria das estrelas vem de fora. Eu não acredito em Nigéria, Gana, Costa do Marfim, não creio.

 


BN: Para você, qual jogador da seleção brasileira se destacará na Copa do Mundo?


Mário Freitas – Júlio César, o goleiro. Esse é até um candidato ao prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo. Vamos esperar que Kaká também estoure na Copa do Mundo. Mas acho que Kaká ainda é a esperança da gente. Robinho também tem chances para explodir e Júlio César também. Kaká vem de uma lesão e foi um fracasso na última Copa do Mundo, mas acredito que ele e Robinho tem grandes chances de explodirem.

 


BN: E de outras seleções, tem algum destaque?


Mário Freitas – Messi, da Argentina. Esse é o craque. Cristiano Ronaldo, da seleção de Portugal, me agrada muito. Eu destacaria esses dois.
 

BN: Agora, falando um pouco do futebol baiano. O que espera de Vitória e Bahia nesse Brasileirão?


Mário Freitas – Eu tinha dito uma coisa: se o Bahia tivesse vencido o Icasa, fazendo uma sequência de seis triunfos em sete partidas, eu tinha certeza que o Bahia subiria. Mas você pode me questionar se ainda é cedo. É cedo. Só que no ano passado, quando o Guarani venceu sete em nove partidas, eu disse que já tinha subido. No final andou até se complicando, mas terminou na Séria A e sempre andou no G4. se você tiver uma gordura para queimar é melhor. Todo mundo vai perder em casa e ganhar também. Se o Bahia virasse com 19 pontos, subiria, mas continua no páreo. Desde 2007, quando começou os pontos corridos na Série B, tem um time com vaga garantida. Em 2007, uma era do Atlético-MG. Em 2008, uma era do Corinthians. Em 2009, uma era do Vasco. Nesse ano, quem tem vaga garantida? Ninguém. O Bahia, Sport, que está lá em baixo, Ponte Preta, Coritiba, que começou mal e ganhou três seguidas, Portuguesa, Figueirense. Eu listei dez times que tem condições de subir. O Bahia é um forte candidato a subir. Já o Vitória tem que melhorar. É cedo, mas é uma situação preocupante, pois está na zona de rebaixamento. Eu acho que o Vitória tem que abrir os olhos. Eu conversei com Alexi Portela (presidente do Vitória) e eles estão entre a cruz e a espada. O time está disputando uma final de Copa do Brasil e o que a diretoria vai fazer? Tirar o técnico? Mandar os jogadores embora? Eles vão ter que esperar até a segunda semana de agosto, que será disputada a final da competição. Tem que dar força a esse time que está aí. Mas eles sabem que com esse time que está aí, o Vitória é candidato ao rebaixamento. Só que não vai ser esse time que está aí.

 


BN: E o Vitória na final da Copa do Brasil. Quais são as chances do rubro-negro contra o envolvente Santos?


Mário Freitas – Teoricamente, o Santos é favorito, tem um time melhor que o Vitória e ninguém pode negar isso. Mas tem aquele dia no futebol, que nada dá certo. O Vitória vai na Vila Belmiro e consegue um empate ou um triunfo de 1 x 0. o Ceará empatou lá e prejudicado pela arbitragem, apesar de saber que o Ceará não vai muito para frente. É um fogo de palha. E se for o dia do Vitória na Vila Belmiro e não do Santos? Aí, velho, vem para o Barradão, com o estádio lotado, o Vitória pode ganhar o título. Agora, acho que o Santos é favorito porque tem mais time. Mas é um jogo de 180 minutos. Acho que o Vitória tem chances, mas o Santos tem um time melhor.

 


BN: Acredita que tenha algum jogador do Vitória que possa desequilibrar nessa decisão e dar o título ao Leão?


Mário Freitas – Rapaz, Viáfara já não vai jogar a primeira, que é o grande jogador do Vitória e Ramon. Tem muita gente que fala que Ramon só joga um tempo, mas esse tempo que ele joga faz muito mais que quem joga dois tempos. Júnior não tem feito boas partidas, mas é um bom centroavante. Mas para mim a grande estrela da companhia continua sendo Ramon, que está sendo poupado acertadamente para a partida contra o Santos, porque é a vida do Vitória.

 


BN: Ricardo Silva e Renato Gaúcho são os nomes certos para levarem a dupla Ba x Vi a grandes conquistas?


Mário Freitas – Eu costumo dizer que técnico não ganha jogo, nem perde jogo. Eu gosto de técnico na hora de modificar. Quem cobre o Bahia, faz muitas reclamações sobre a falta de coletivos, que arma o time errado. Eu acho que Vitória e Bahia tem que chegar a conclusão que são times grandes. Contra determinados adversários tem que se impor. Não é o Vitória sair para pegar o Internacional no Beira Rio e partir para cima, nem o Bahia partir para cima de Coritiba e Portuguesa. Eu não vejo necessidade em determinados jogos colocar três cabeças de área, como aconteceu com o Bahia contra o Icasa. Com todo respeito ao Icasa, quem é o Icasa no futebol? Agora, é aquela história: ganhando, fica. Em 1962, quem comandava o time era Pelé, Nilton Santos. Em 1970, era Gérson, Pelé, Carlos Alberto. O técnico é um agregador, aquele que conversa com o grupo, fechando com os jogadores. Técnico depende de resultado.

 


BN: Para finalizar, manda um recado ao leitor do Bahia Notícias.


Mário Freitas – Mandar um abraço ao leitor que vai me acompanhar na rádio Excelsior, com o “Show do Marão”, das dez ao meio dia, no “Show de bola”, das oito as dez, na TUDO FM, no “Esporte show”, das uma as duas. E vou ficar à disposição das duas programações, sempre mandando notinhas de lá para o Bahia Notícias, onde teremos um contato direto. Vamos tentar trazer o hexa, com minha hexa Copa do Mundo.