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Entrevistas

Entrevista

Apodi

Apodi
Fotos: Edson Ruiz
 
Por Éder Ferrari
 
BN – Você é tido como um ídolo no Vitória. Como tem sido sua recepção no Bahia nesses primeiros dias como jogador tricolor?
 
Apodi – A melhor possível. Fui muito bem recebido por todos aqui no Fazendão. Já tive a oportunidade de conversar com alguns dos novos companheiros e está tudo muito legal. As coisas têm sido muito favoráveis. Até os torcedores do Vitória que me encontram na rua, agradecem, me parabenizam e reconhecem que fui muito importante nas passagens pelo clube. Os torcedores do Bahia também estão me tratando bem, apesar dos do Vitória ainda me procurarem mais. Aqui no clube, já conhecia a maioria de jogar contra e a adaptação vai ser fácil.
 
BN – Por falar em jogar contra, em quase todos os Ba-Vis que você disputou houve confusão. Como está sendo o contato com alguns dos jogadores que já tiveram problemas com você nesses jogos?
 
Apodi – A gente já tem brincado, se enturmado. Isso é normal do futebol, às vezes você discute com seu próprio companheiro de equipe no calor da partida. Mas conversei com o pessoal lá em cima (aponta para a concentração) e demos risada falando disso, “pô, sempre tinha confusão nos clássicos né?”. Mas é isso, a rivalidade é muito grande, todo mundo quer ganhar, é um campeonato à parte e a gente vai no calor da torcida, na cobrança. Fiz uma parte do treino físico com Nen (Deram aproximadamente dez voltas ao redor do campo 2 no Fazendão), conversamos muito e ele me falou como as coisas são aqui é está tudo muito legal e tranquilo. Agora estou do outro lado e se tiver que brigar com eles lá, vamos brigar (risos).
 
BN – E como foi a reação dos seus ex-companheiros de Vitória? Já falou com alguns deles?
 
Apodi – Ah, eles dizem que vão me pegar nos jogos (risos). O Bida fica falando que vai me marcar e não vai me deixar jogar. Deixa ele... (risos)
 
BN – O que aconteceu na sua saída do Vitória? Guarda alguma mágoa do clube?
 
Apodi – Acho que foram coisas particulares envolvendo os dirigentes do clube. Da torcida, dos companheiros, do próprio clube e dos funcionários, nenhuma mágoa. Acredito que fui muito bem em minhas três passagens pelo Vitória e não tenho motivo para ter magoa disso aí, talvez só dos dirigentes. Também, nem Jesus Cristo agradou todo mundo, porque eu vou agradar?
 
 
BN – Mas havia alguma possibilidade de você continuar no Vitória?
 
Apodi – Joguei mais de 60 partidas na temporada como titular e só uma como reserva. A torcida, em sua grande maioria, gostava de mim e sempre me aplaudia e respeitava. Uns poucos que ficavam pegando no meu pé, mas eu nem ligo. Quando cheguei ao Vitória, o clube estava na Terceira Divisão e quando sai estava na Primeira. Acho que não têm o que reclamar. Meu trabalho fala por mim. Agora é outra fase, fui bem lá e espero ser melhor ainda aqui.
 
BN – A torcida do Bahia sempre pegou no seu pé nos clássicos. Como você acha que será a recepção dela nos primeiros jogos?
 
Apodi – Acredito que no início existirá alguma desconfiança por parte da torcida, é natural. Para mudar isso, eu tenho que fazer mais do que fiz no Vitória e nos outros clubes por onde passei. Acredito no meu potencial e espero fazer uma grande temporada.
 
BN - Você assistiu aos jogos do Bahia no Campeonato Baiano?
 
Apodi – Tenho acompanhado. Temos um grande elenco, um grande treinador, mas o início de temporada é complicado. Quando estivermos com todo elenco à disposição e conseguirmos umas duas ou três vitórias seguidas, a tranquilidade vai voltar e o time vai embalar. É apenas uma má fase. 
 
BN – O que não deu certo na sua transferência para Espanha, que era uma certeza?
 
Apodi – Foi coisa do Cruzeiro com os compradores, alguns valores. Eu queria muito ir, mas as negociações travaram em algumas exigências do Cruzeiro. Eu ficava apenas sendo informado pelo Cruzeiro do andamento das coisas, mas teve uma hora que a gente viu que não ia dar agora, que teríamos que aguardar. Eu acabei me prejudicando, por que perdi a janela inicial aqui do Brasil. Tinha três, quatro propostas de grandes clubes, que me procuraram e meus empresários, mas por causa da proposta do Osasuna o Cruzeiro não liberou os empréstimos. Ainda perdi a pré-temporada. Mas agora estou tranquilo, estou feliz aqui e espero dar alegrias à torcida do Bahia.
 
BN – Você perdeu a pré-temporada. O Renato Gaúcho vai liberar todo o elenco sábado e domingo de Carnaval. Você pretende treinar nesses dois dias para manter o processo de preparação?
 
Apodi – Eu ainda não sei. Tive um papinho com o preparador físico e a gente ainda vai definir. Minha evolução tem sido muito boa e vamos ver até lá. Diante de todas as circunstâncias, já estou em forma, praticamente. Vamos ver como será a evolução e se eu vou precisar treinar nesses dias. Se precisar treinar um, dois turnos nesses dias, eu venho sem problema nenhum. Mas é tudo parte de um planejamento do departamento físico e também não pode exagerar.
 
BN – Você teve uma rápida passagem pelo Bahia em dezembro de 2005. O que mudou no clube de lá pra cá?
 
Apodi – Ah, mudou muita coisa né? A estrutura melhorou muito de lá pra cá. O próprio alojamento, o campo, as piscinas, a academia, o departamento médico lá em cima. Realmente muito melhor. E eu falo por que já passei por outros grandes clubes e sei que a estrutura daqui é invejável. Temos tudo à nossa disposição. 
 
BN – Naquela época, o que aconteceu para você ter ido para o Vitória no meio da pré-temporada que fazia pelo Bahia?
 
Apodi – Ah, eu estava treinando mas não tinha assinado ainda contrato com o Bahia. Meu passe pertencia ao Real Salvador e acabou que o Alexi Portela pagou o valor pedido por eles, R$ 300 mil.
 
 
BN – Você é muito elogiado pela sua velocidade e agilidade, mas, em contrapartida, é muito criticado na parte defensiva e nos cruzamentos. Acha justas essas críticas?
 
Apodi – Algumas críticas são certas, eu realmente tenho muitos defeitos. Mas nesses anos todos no futebol eu tenho melhorado muito na marcação, minha qualidade nos cruzamentos também está melhor do que quando eu iniciei a carreira. Tenho consciência disso. Também sei que tenho muito a melhorar se quiser atingir um dia meu sonho e objetivo, que é chegar à Seleção Brasileira. Ninguém é perfeito e temos que pensar sempre em evoluir.
 
BN – O pessoal costumava brincar dizendo que você era o “maluco” do Vitória e Ávine o do Bahia. Como será agora o time com a dupla de “malucos”? Acredita que vocês dois podem jogar juntos?
 
Apodi – Acredito que sim, sem problema. Quase sempre joguei no 4-4-2 no Vitória. Claro que sempre tinha um volante que fazia a cobertura necessária. Acho que é perfeitamente possível jogarmos juntos. Agora tem o outro ponto: se eu e o Ávine deixarmos de atacar, o pessoal vai reclamar. “Ah, ele não ataca mais, só fica ali atrás. Não serve mais”. E isso acontece, estamos tentando corrigir uma falha que eles mesmos falam que a gente tem e reclamam. Às vezes o pessoal fala sem saber, só para criticar mesmo. Eles têm que entender que ninguém chegou aqui de graça e tudo faz parte de um processo de evolução e aprendizado. Se tiver que jogar com o Ávine, tenho certeza que o Renato vai saber encaixar os dois e valorizar nossas características. Mas é bom o pessoal dá uma pensada antes de falar alguma coisa.
 
BN – Você já trabalhou com muitos treinadores considerados disciplinadores, como Adílson Batista, Paulo Cesar Carpegiani e Vagner Mancini. Qual o melhor deles?
 
Apodi – Todos são muito bons e aprendi demais com eles. Acho que minha melhor fase foi com o Carpegiani. Também fui bem com o Vadão. O Adílson é muito exigente, cobra demais e aproveitei para absorver tudo que eles tentavam me passar. Sempre trabalhei sério e, apesar das cobranças pelo estilo de jogo, todos viram como sou profissional e isso me deu credibilidade e por isso sou sempre procurado. O importante é aprender com a experiência deles para tentar evoluir cada dia mais.
 
BN – Uma das exigências do Cruzeiro para liberá-lo era que o Bahia mantivesse o seu salário em dia. O medo é que você possa entrar na Justiça. Você teme que isso possa rachar o grupo, com você recebendo em dia e seus companheiros não?
 
Apodi – Acredito que a diretoria vai conseguir manter tudo em dia. Pelo menos foi a palavra que me foi dada pelo presidente quando mostrou o projeto e o planejamento. Tudo que ele me passou estava no papel, não foi só de boca. Então, tenho certeza que esse momento de dificuldade está perto do fim e todo mundo vai ter seu direito cumprido. Até porque todos os trabalhadores têm que receber. Não importa se o jogador é casado ou solteiro, sempre tem que sustentar a família e pagar suas contas. É necessário para todos os atletas e precisamos receber em dia. Um clube que tem uma estrutura desse tamanho não pode deixar pequenos detalhes atrapalharem no bom andamento do trabalho.
 
 
BN – Outra cláusula do seu contrato afirma que se você receber uma proposta do exterior, o Bahia tem que te liberar. Você chega pensando nisso?
 
Apodi – Vim para ficar até o final do ano. Não vamos desistir do Baiano, ainda tem muito caminho pela frente e temos tudo para disputar o título. Mas meu foco principal e o do clube é a volta à Série A no final do ano. Estou muito esperançoso e acredito que vamos conseguir. Espero ajudar com a minha experiência, já que consegui subir com o Vitória. Todos aqui têm a consciência que subir com um time como o Bahia vai valorizar demais (o passe de cada um).
 
BN – A torcida do Vitória tinha um canto particular para você: “ei Apodi, faz um gol aí pra mim”. A torcida do Bahia fez um trocadilho, digamos assim, ofensivo. Você teme que a torcida pegue em seu pé pelo passado rubro-negro e o trocadilho volte a ser cantado em Pituaçu?
 
Apodi – Estou bem consciente quanto a isso e sei que posso ter dificuldades, mas o que acontecia era da rivalidade do Ba-Vi. O que eu preciso fazer é mostrar meu futebol. Assim como quando eu cheguei ao Vitória ninguém dava nada por mim, aqui vou ter que provar meu valor. Acredito muito no meu potencial, na qualidade dos meus companheiros e vamos ter uma temporada de muito sucesso. Pode apostar!