Rogerinho
Fotos: Divulgação


Por Éder Ferrari
BN – Você está morando no Fazendão. O quão difícil tem sido a adaptação a Salvador e ao clube?
Rogerinho - É sempre complicado quando chegamos a um clube, uma cidade que a gente não conhece, sem a família. Acaba se alojando no clube sem aquela liberdade para fazer aquilo que gosta, mas é uma necessidade. Com o tempo vamos nos adaptando, entrosando com os companheiros de clube, ao clima da cidade. Na verdade é a grande dificuldade que eu estou enfrentando. Mas ajuda a me preservar de algumas coisas extra-campo e faz com que eu me concentre mais no meu futebol e crie um vínculo maior com o Bahia. Estou tranquilo.
BN – Mas você já teve tempo para sair e conhecer Salvador?
Rogerinho – Antes de eu me apresentar para a pré-temporada, estive aqui para realizar os exames médicos no dia 29 de dezembro e o Aldo França – que é diretor do clube – conhece bem a cidade e me deu a liberdade de sair e conhecer um pouco. Foi legal, ele me mostrou lugares bacanas, mas foi uma coisa rápida. Acho que no dia a dia quando já estiver numa casa, em um apartamento, já com a família aqui, vou procurar passear, conhecer um pouco mais Salvador sempre que tiver uma folga. Acredito que é uma cidade muito boa.
BN – Deve ter sido complicado passar quase um mês praticamente em regime de concentração sem poder jogar.
Rogerinho – Foi muito difícil por que eu vivo de futebol e sou muito cobrado, as pessoas não querem saber o por quê, apenas cobram, mas eu não tive culpa. Na verdade eu nem sei o que aconteceu para ter demorado tanto. Isso já havia acontecido na Ponte Preta e na Portuguesa. Mas agora, graças a Deus, já liberado, já regularizado e posso jogar. Já vinha trabalhando forte para poder jogar na estreia do Campeonato Baiano, mas não tive a oportunidade de jogar. Agora, a partir da quinta rodada, já posso ajudar meu clube. Vou tentar fazer o melhor - como sempre fiz nos outros clubes que atuei - e peço compreensão dos torcedores, porque estou sendo praticamente o último jogador contratado a estrear e meus companheiros estão com um ritmo de jogo melhor do que o meu. Vou na superação, já que minha equipe precisa de recuperação na tabela e passa por momento meio chato. Temos um ótimo time e vamos provar isso nas próximas partidas.
BN – Fora a ansiedade para estrear, você acredita que esse tempo maior que você teve na pré-temporada será importante para se manter em alto nível para toda temporada?
Rogerinho – Eu acredito que nada nessa vida acontece por acaso. Não foi da vontade de Deus que eu participasse desde o começo, mas já estou livre na quinta rodada. E vamos nessa, a vida sempre lhe proporciona coisas para você aprender, amadurecer e seguir em frente. Estou aqui para fazer o melhor para o Bahia que, com certeza, é um clube muito grande e que precisa de um título para recuperar a auto-estima e mostrar sua força. A cada dia nós vamos nos unindo mais e trabalhando mais forte para pegar o entrosamento, jogar bem, vencer as partidas, chegar na final e conquistar o título que o Bahia tanto merece.
BN – Morando aqui no Fazendão você está à vontade para falar sobre a estrutura do centro de treinamento. Você esperava mais ou te surpreenderam as instalações?
Rogerinho – Vou dizer para você que ainda não tive a oportunidade de trabalhar em outros clubes grandes como o Bahia, mas nos que eu trabalhei, não vi nada nem perto do que tem aqui no Fazendão. Uma estrutura que todos os clubes queriam ter, mas que infelizmente não têm. Tanto é que eu moro aqui, por enquanto, e tenho todo o conforto necessário para mostrar meu trabalho. Acredito que esse ano todos querem fazer um Bahia forte, não só os jogadores, como a diretoria também. Vamos unir forças, trabalhar duro e conquistar esse Campeonato Baiano pra poder entrar forte na Série B e na Copa do Brasil. Temos tudo para isso.

BN – Falando dos clubes que você passou, ano passado acabou sendo rebaixado com o Fortaleza, apesar de o time ter jogadores de capacidade reconhecida, com você, Elton, Marcelo Nicácio e Luiz Carlos. O que aconteceu?
Rogerinho – É verdade, tinha um grupo de qualidade, mas, na verdade, só no papel. Quando chegava dentro de campo a gente não conseguia realizar nosso trabalho com competência e o pior aconteceu. O Fortaleza também é um clube grande, de massa, mas que enfrenta suas dificuldades. Desde que eu cheguei a dificuldade era muito grande em termos de salário e continuidade de treinadores, mas nós, jogadores, só pensávamos em tirar o clube daquela situação, até porque não seria bom nem pra gente, para nossa carreira, nem pra instituição. Infelizmente aconteceu o que ninguém esperava, mas, como eu já disse, nada acontece por acaso e essa queda poder servir para o clube abrir o olho e ver que precisa se reestruturar, se planejar, para voltar bem. Até porque, hoje em dia no futebol, o clube que não tiver estrutura não vai pra frente. Nós tivemos uma dificuldade muito grande com tudo isso e acabou, infelizmente, não dando para livrar o Fortaleza do rebaixamento. Fiquei muito triste e sinto até hoje, mas agora estou no Bahia, mais amadurecido e sabendo o que não se deve fazer. Espero dar muitas alegrias a essa torcida tricolor baiana.
BN – Antes de você ser contratado pelo Bahia, você foi procurado pelo Vitória. Na época disseram que seu empresário vetou de você jogar no Vitória por não se dar bem com a diretoria rubro-negra. O que realmente aconteceu?
Rogerinho – vou dizer pra você que não foi nem o empresário que trabalha comigo. Foram duas pessoas que me ofereceram, tentaram ajudar, me colocar no Vitória, o presidente gostou, quis me contratar mais não deu certo. O que aconteceu no Vitória é que não houve o acordo direto com meu empresário, foi através dessas pessoas e o negócio travou. Depois o Vitória ainda me ligou, perguntou se eu tinha interesse, disse que sim, mas apareceu o Bahia e tudo mudou. Eu vim pra cá, não me arrependo, estou completamente satisfeito e espero poder retribuir toda confiança e o investimento que fizeram.
BN – Como é trabalhar com dois nomes tão famosos e polêmicos como Edílson e Renato Gaúcho?
Rogerinho – Até agora não vi nada de anormal. São dois profissionais que ganharam tudo como jogadores. O Edílson segue ai jogando e tem nos ajudado muito com sua experiência, sua vivência, sabe tudo de futebol e tem sido muito importante fora de campo e, acredito que, também, irá nos ajudar muito dentro de campo. Para mim e para os outros jogadores que querem crescer na vida, vamos tentar absorver o máximo dele. Talvez não sejamos tão vitoriosos como ele, mas temos muito a melhorar com sua ajuda. Já o Renato é um cara que cobra bastante, mas que tem o diálogo aberto, que tenta passar pra gente seus conhecimentos, sua experiência, mas sabe que não vai ser de uma hora para outra que vocês absorver tudo e fazer aquilo que ele quer. Vamos trabalhando, perseverando, até porque ainda é início de pré-temporada e o entrosamento demora a sair. Mas eu estou entrando, o Edílson, daqui a pouco o Lima, ainda tem o pessoal que está no departamento médico. Não demora, estaremos com um time forte, entrosado e sabendo tudo que o Renato quer.
BN – Essa demora na sua regularização aumentou a expectativa em torno da sua estréia. O presidente, o treinador, toda a diretoria e boa parte da torcida, aposta que você será o grande jogador dessa equipe. Isso aumenta a pressão, faz com que você tenha uma obrigação maior do que normalmente teria?
Rogerinho – Não! Nós que somos jogadores temos que saber lidar com a pressão. Estou jogando em um clube de massa e sei que a cobrança é forte, não adianta reclamar. A cada jogo vou pegando a confiança do grupo, do treinador, da diretoria - que apostaram na minha contratação -, e eu vim aqui para somar e poder ajudar. Vou fazer aqui o que mais sei, que é jogar. Vou fazer tudo na humildade, com responsabilidade e, com apoio de todos, espero render aqui tudo que joguei nos outros clubes, até mais pelo condição que está sendo nos dada.

BN – Nos jogos que você ficou de fora, o garoto Maurício o substituiu e tem sido o principal destaque da equipe. Você acha que vocês dois tem a possibilidade de jogar juntos, já que as características são parecidas?
Rogerinho – É sempre complicado. Eu acho que quem tem que ver isso é o treinador. Se ele achar que temos como jogar junto, tudo bem. Você vê que às vezes dois canhotos jogando ali no mesmo espaço de campo é complicado, mas eu joguei com o Elton no Fortaleza e não tivemos problema nenhum. Só precisamos tomar cuidado para saber se movimentar, não ficar sempre no mesmo lado e até pode ser uma arma, já que os adversários não saberiam em que lado cada um ficaria. O Maurício é um garoto esforçado, trabalhador, que vem jogando muito bem e merece todo o carinho que o Renato tem dado pra ele. Acredito que ele tem um futuro muito grande pela frente e que será fundamental para nós nessa temporada.
BN – Pelo que você tem visto do elenco, acredita que com o quem tem ai vai dar para conquistar os objetivos no ano? Precisa de mais reforços?
Rogerinho – A gente tem um grupo de qualidade, mas não adianta ser forte só no papel. Temos que colocar em prática, demonstrar em campo o nosso potencial. Todo mundo está querendo, todo mundo está lutando, fazendo seu melhor nos treinamentos e eu acredito que o Bahia terá um ano de sucesso. Estamos cientes que para conseguir chegar lá, temos que remar pro mesmo lado, na mesma direção, que, com certeza vamos conquistar os objetivos. Primeiro o Campeonato Baiano, que a torcida precisa muito, já que tem 7, 8 anos que o clube não conquista, o que é muita coisa para uma equipe como o Bahia. Depois a Série B é conseqüência e vamos com tudo. Estamos batalhando muito, correndo atrás para dar felicidade para essa torcida. Momentos ruins vão acontecer, vamos perder alguns jogos, mas tenho certeza que esse ano não vai passar em branco e vamos chegar lá. Sobre contratar novos jogadores é com a diretoria, mas se vier serão bem vindos. Tem que lembrar que temos reforços aqui dentro do clube mesmo e que ainda não puderam jogar. Pode ter certeza que a torcida vai ter muitas alegrias esse ano.
