Zé Roberto

Por Maurício Naiberg
Bahia Notícias - Como chegou ao Juventus-SP, em 1999?
Zé Roberto - Um olheiro me viu jogando e me levou para as categorias de base do Juventus. Lá acabei me profissionalizando em 1999 e graças a Deus tive um bom desempenho. Ali foi onde minha carreira começou de verdade.
BN - Em 2000, você teve uma ótima oportunidade de aparecer no futebol, quando foi transferido para o Cruzeiro. Porque não estourou naquele momento?
ZR - Era muito jovem quando fui para lá. Faltou um pouco mais de foco na minha carreira. Toda a mudança que passei na minha vida acabou fazendo com que me distraísse do principal, que era estar bem em campo para render tudo o que podia. Mesmo assim, de forma geral, não tive uma passagem de todo ruim.
BN - Você chegou a ser emprestado ao Benfica-POR. Como foi essa primeira experiência no futebol europeu?
ZR - Foi muito bom no início, mas, ao contrário do que pareceu, não tive chances de jogar. O técnico na época não colocava nenhum brasileiro do elenco para jogar. Quando vi que todo meu esforço nos treinamentos não estava adiantando de nada, decidi voltar para o Brasil.
BN - Quando você chegou ao Vitória, em 2002, achava que faria tanto sucesso? Você acredita que foi o melhor momento da sua carreira até aquele momento?
ZR - Com certeza. Voltei ao Brasil e, mais do que isso, voltei a ser feliz jogando bola. Tive uma sequência de jogos e naturalmente meu desempenho foi melhorando cada vez mais. Nessa época comecei de fato a ser reconhecido pelo meu futebol.
BN - Depois do Vitória, você se transferiu para o Kashima Reysol-JAP. O jogador quando escolhe um mercado desse para atuar, é só pelo lado financeiro ou o aspecto técnico conta também?
ZR - Foi um pouco dos dois. Era uma proposta muito boa financeiramente e um mercado novo para atuar. Sou um jogador que utiliza muito a velocidade e o futebol japonês tem esse perfil. Isso contribuiu para que eu tivesse um bom desempenho por lá.
BN - Você voltou para o Vitória em 2005, ano que o clube caiu para a terceira divisão. O que aconteceu com o Leão naquele ano, que tinha um bom time?
ZR - Quando acontece uma coisa dessas não temos como citar um ponto específico. Para acontecer de uma equipe ser rebaixada, muitas coisas acontecem de errado dentro do clube. O time era bom, mas faltou um algo mais de todos, não só dos atletas, mas também da comissão técnica, da direção do clube. Tanto que, depois do rebaixamento, o Vitória se estruturou e só cresceu dali para frente.

BN - Depois disso, foi para o Botafogo, onde apareceu de vez para o futebol. Qual o melhor e o pior momento no clube carioca?
ZR - O Botafogo acreditou em mim e acredito que correspondi essa confiança à altura. De fato me sentia muito bem naquele time e meu desempenho melhorou muito. Meu melhor momento foi no Campeonato Brasileiro de 2006, quando fui eleito o melhor meia no prêmio da CBF. O pior foi quando acabei afastado por um período do time durante o Campeonato Brasileiro de 2007. Graças a Deus, antes do ano terminar, pude voltar a trabalhar e ajudei o time dentro de campo.
BN - Após duas temporadas em General Severiano, você ganhou outra oportunidade no futebol europeu, jogando pelo Schalke 04-ALE. Por que não teve oportunidades no time? É verdade que os técnicos europeus não gostam de jogadores brasileiros?
ZR - Não posso generalizar. O que posso dizer é que no Schalke acabei tendo o mesmo que tive no Benfica. Tinha ótimo desempenho nos treinamentos e quase nunca uma oportunidade de jogar. Muito menos de uma sequência de partidas. Quando cheguei ao clube, estava muito bem. Logo no meu primeiro jogo marquei meu único gol do clube e achei que fosse ter mais oportunidades, mas isso não aconteceu. Para piorar, passei por duas lesões musculares que me deixaram algumas semanas afastado dos treinos.
BN - Você acha que foi perseguido pela imprensa alemã?
ZR - Não vejo assim. Quando cheguei existia uma grande expectativa pelo que havia feito no Botafogo. Dei o máximo de mim para que tudo desse certo, mas infelizmente nem tudo aconteceu do jeito que eu esperava. Isso pode ter gerado alguns questionamentos por parte da imprensa.
BN - Nesse ano você chegou ao Flamengo um pouco desacreditado e acabou titular do time campeão brasileiro. Sonhava que o campeonato teria esse desfecho?
ZR - É claro que quando a gente veste a camisa de um grande clube, como é o Flamengo, pensamos em título. Em todo grande clube é assim. Ao longo do ano, o time mostrava altos e baixos que nos deixou em dúvida se daria para conquistarmos o título brasileiro. Mas, na reta final, a equipe encaixou e, aí sim, passamos a concentrar nossas energias nisso. Graças a Deus deu tudo certo, os nossos adversários diretos pelo troféu tropeçaram e nós soubemos aproveitar.
BN - Porque não teve oportunidade no começo da temporada no rubro-negro? Os outros técnicos te colocaram de lado mesmo sendo a melhor opção. O que aconteceu?
ZR - Na verdade tive oportunidade quando cheguei. Tanto que marquei cinco gols em seis jogos. Aconteceu que depois tive uma queda de rendimento de certa forma natural para quem estava sem jogar frequentemente por quase um ano, já que na Alemanha não tive sequência de jogos. Quando tive tempo para me dedicar ao treinamento, durante um período de 15 dias que fiquei fora do time, tive uma preparação física melhor e, quando voltei, mostrei que o time poderia contar comigo. E depois, com a chegada do Andrade, voltei a ganhar confiança, já que ele me deu uma sequência de partidas.

BN - Após esse belo ano com a camisa do Mengão, acredita que pode ter uma oportunidade com Dunga?
ZR - Isso é uma coisa que qualquer jogador sonha. Mas a minha preocupação maior é defender a equipe que jogo. A Seleção é uma consequência do que você faz no seu clube. Em 2010, meu objetivo é manter o desempenho dessa reta final de 2009. O restante é lucro.
BN - Houve uma especulação, quando você estava na reserva no começo do ano, que teria um interesse da dupla Ba-Vi na sua contratação. Teve algum contato?
ZR - Teve sim. O Bahia chegou a fazer uma proposta oficial. Mas acreditava que minha passagem no Flamengo não poderia acabar naquele momento e decidi permanecer. Fiquei feliz pelo interesse de um grande clube como o Bahia, mas acredito que fiz a escolha certa.
BN - Você curte muito Salvador. O que mais te chama a atenção na cidade?
ZR - A tranquilidade que tenho aqui e a alegria das pessoas. Quando venho para Salvador me sinto muito bem.
BN - Ainda pensa em atuar pelo Vitória ou até no rival Bahia?
ZR - Não penso nisso. Sigo minha carreira pensando sempre no que for melhor para mim e para minha família. Se retornar para o Vitória ou até mesmo jogar pela primeira vez no Bahia foi a melhor opção em algum momento, nada me impediria de fazer isso.
