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Entrevistas

Entrevista

Gláucio

Gláucio

Fotos: Francisco Galvão

Bahia Notícias - Gláucio, você foi revelado pela Portuguesa-SP no início da década de 90. Desde cedo foi tratado como promessa. Isso pesou na sua caminhada dentro do futebol ou ainda não existia uma badalação muito grande em cima dos jogadores?

 
Gláucio - Acho que não pesou muito não. Um dos motivos foi a minha saída muito novo do Brasil. Aquela época não existia a lei do passe, então praticamente pra mim foi um negócio interessante, pelo menos no começo de carreira. Eu tinha uma família humilde e o dinheiro também era legal e um contrato mais ou menos bom, para minha idade, e eu fui para ajudar minha família e me ajudar. Mas esse foi um dos melhores momentos da minha carreira, pelas convocações para as seleções de base, por tudo. Então, não me arrependo. Claro que poderia ter esperado mais um pouco e foi a época que a Portuguesa tinha um time bom. Em 96 reformulou um pouco e chegou ao vice-campeonato do Brasileirão. Eu poderia estar nesse time, não é?
 
BN - Por causa das boas atuações pela Lusa, se transferiu para Feyenoord-HOL. Como foi essa primeira passagem pela Europa? A idade pesou?
 
Gláucio - O começo foi difícil. O primeiro ano foi de adaptação, principalmente no estilo de jogar. Você também tem que mudar um pouco suas características e foi difícil. Depois eu fui me adaptando. Claro que o jogador quando é novo, a primeira saída sempre é complicado. Principalmente quando você não começa a jogar, fica com a cabeça diferente, pensando em voltar ao Brasil. Mas normalmente as coisas são assim. O jogador que está começando agora e vai para Europa cedo precisa segurar a onda, porque quando a oportunidade vêm, as coisas se tornam mais fáceis.
 
BN - Depois dessas boas passagens por esses dois clubes, além de convocações para as seleções de base, retornou ao Brasil para atuar pelo Flamengo. Como surgiu o convite do clube de maior torcida no país?
 
Gláucio - O Flamengo foi em 96. Estava bem no Brasil e fiz uma excelente participação no campeonato sul-americano de juniores e todo mundo me conhecia no Rio de Janeiro. Então, Kléber Leite, que é o atual vice-presidente do Flamengo, pediu minha contratação em 96 e Graças a Deus tive uma passagem muito boa por lá, porque joguei com o melhor jogador do mundo, que é Romário, e o elenco era excepcional. Vários jogadores de qualidade. Então, para currículo e experiência foi muito legal.
 
BN - Nesse ano em que esteve na Gávea, o rubro-negro carioca tinha um time de estrelas. Isso ofuscou sua passagem por lá?
 
Gláucio - Pode ser que sim, porque para jogar era difícil. Era Sávio e Romário no ataque e essa época eu já jogava tanto no meio quanto no ataque. Claro que era complicado. Tinha Marques, Amoroso, Nélio, Djair, Iranildo, e vários jogadores. Então, praticamente tínhamos dois times. Pela qualidade do time, fomos campeões invictos do campeonato. Mas Graças a Deus eu joguei boas partidas e sempre que tive oportunidade, fui bem. Eu não vejo isso como problema, de não ter jogado muito. Jogaram os melhores.
 
 
BN - Como era o seu relacionamento com essas estrelas, como Romário e Sávio?
 
Gláucio - Normal. Eu era garoto, tinha 19 anos. Me dava bem com todo mundo, o pessoal me tratava super bem. Para mim foi legal ter jogador com esses jogadores, ganhado experiência, o que foi fundamental na minha carreira.
 
BN - Após uma passagem não muito boa pelo clube carioca, você retornou a Europa para cumprir seu contrato com o Feyenoord-HOL, mas não teve muitas oportunidades. O que aconteceu?
 
Gláucio - Na segunda passagem eu voltei para cumprir o contrato. Eu já não tinha interesse e fui emprestado a um time da Holanda e fui bem. Mas não tive interesse de ficar e isso foi um dos meus erros. Por ser novo, com a cabeça diferente. Se fosse nos dias de hoje, com certeza, ficaria e não voltava para o Brasil.
 
BN - Você aceitou o convite do América-SP de imediato ou ficou com medo de ter que atuar por um time pequeno, sem visibilidade, ao não ser no estadual?
 
Gláucio - Não fiquei com medo, não. A vida é feita de desafios. Voltei para buscar espaço aqui no Brasil e graças a Deus as coisas saíram bem no Campeonato Paulista. Depois eu tive a oportunidade de ir à Espanha. Surgiu a oportunidade, pois o pessoal já me conhecia da Europa. Então, uma porta vai abrindo a outra e você vai buscando seu espaço.
 
BN - No Rayo Vallecano-ESP, teve mais uma oportunidade de mostrar seu talento na Europa, mas não deu certo. É melhor seguir em um time mediano no Brasil ou atuar em um clube pequeno na Europa?
 
Gláucio - Foi muito boa minha passagem pelo Rayo Vallecano. Apesar de não ter feito muitos gols, foi uma das minhas melhores fases no futebol. Muito bom mesmo. O time era médio e foi uma experiência boa jogar contra Barcelona, Real Madrid, Valência. Os melhores jogadores estavam todos lá. Foi ótimo.
 
BN - Você esteve no futebol do Kuwait em duas oportunidades. Vale a pena apenas pelo lado financeiro ou o futebol por lá está evoluindo?
 
Gláucio – Compensa, sim. A carreira do jogador de futebol é curta e se tiver uma proposta interessante, melhor do que a que tem no Brasil, você tem que ir. Então essas oportunidades apareceram em minha vida e eu fui. Financeiramente foi um negócio legal. Então, para minha carreira, foi gratificante.
 
 
BN - O que faltou nessa sua jornada no futebol para fazer com que você abandonasse o status de promessa?
 
Gláucio - Faltou muita coisa. Da minha parte também, principalmente cabeça. Faltou um bom empresário. O jogador tem que ter um empresário bom, porque não adianta você jogar bem e não ter um bom representante. As coisas têm que andar juntas.
 
BN - Aquela transferência para o Flamengo, onde muitos depositaram muitas fichas em você, te atrapalhou?
 
Gláucio - Não atrapalhou não. O problema é como eu te falei. No meu modo de ver, eu me precipitei em ir muito cedo a Europa, porque eu não tinha empresário e foi uma opção minha. Se eu tivesse um bom empresário na época, o cara falaria pra mim “Fica aqui, você tem um carreira boa, estruturada e com uns 20 ou 23 anos você iria para Europa”. Mas pela parte de marketing e vitrine, foi bom.
 
BN - Agora, falando em Vitória. Você ficou alguns meses esquecido no elenco. Os treinadores não te colocavam, mesmo sabendo que poderia render mais do que muitos que tiveram oportunidades. O que aconteceu?
 
Gláucio - Eu cheguei no começo do ano, jogando com Mancini. Depois tive uns problemas de lesão e me recuperei. Depois disso, Mancini foi embora e entrou Mauro Fernandes e continuei jogando. Tive uma lesão no púbis. Aí todo mundo sabe da história. Fui afastado e tive que me recuperar. Então foi mais o meu esforço do que qualquer ajuda externa. Isso foi fruto do meu trabalho e nunca desisti de lutar, porque sabia que tinha condições de jogar. 
 
BN - A volta de Mancini recuperou a alegria do Gláucio em jogar futebol?
 
Gláucio - Foi fundamental. Mancini foi fundamental nesse meu retorno. Se não fosse ele, eu não estaria jogando. E claro que estou jogando porque estou tendo méritos, se não estava de fora. A questão dele ter voltado foi a oportunidade que ele me deu e eu segurei.
 
BN - Já pensa em ficar na Toca do Leão no ano que vem? Houve alguma conversa?
 
Gláucio - Não tenho nada até agora e assim, jogar os jogos que faltam é importante para isso. Com a minha lesão, vou tentar me recuperar o mais rápido possível. Mas para o próximo ano eu não tenho nada ainda. Vamos esperar.