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Entrevistas

Entrevista

Leandrinho

Leandrinho

Bahia Notícias - Você foi revelado pelo América-RJ. Como chegou aqui no Vitória em 1998? Houve alguma indicação?

Leandrinho - Foi uma indicação. Depois que joguei uma Taça São Paulo, onde o Newton Motta tinha me visto jogar, houve contato com o presidente da época, Paulo Carneiro. Depois disso, o Paulo entrou em contato com o Léo Rabelo, empresário no Rio de Janeiro, pedindo minha contratação do América-RJ para o Vitória, com idade de júnior ainda. Eu tinha a idade de júnior, mas vim direto para o profissional.

BN - Dentre as conquistas que teve na Toca do Leão, qual foi a mais marcante?

Leandrinho - Acho que foi o Campeonato do Nordeste, que foi o primeiro que disputei, ficou muito marcado. Mas depois teve o Baiano de 2002, que foi o ano da minha despedida. Essa final foi marcada pela minha saída, onde fomos campeões em casa. Então, essas duas competições foram bastante importantes com a camisa do Vitória.

BN - Como era seu relacionamento com o ex-presidente Paulo Carneiro?

Leandrinho - Bom, cara, eu sou suspeito de falar do Paulo porque sou amigo dele e tenho um carinho por ele enorme. Sempre nos falamos. Agora não, que deu um tempo, depois que aconteceu a saída dele aqui do Vitória, mas é um amigo que fiz. Tenho o maior respeito por ele. Torço muito pra ele, conheço seu filho e a amizade que fiz com ele é sincera. Eu não tenho o que falar do Paulo, pois foi uma pessoa que me ajudou bastante.

BN - Quando havia o atraso de salários, o clima no clube pesava mesmo ou não influenciava muito?

Leandrinho - Olha, algumas vezes os salários ficaram atrasados, mas em momento algum o clima ficou pesado. Ele era uma pessoa que chegava e falava. Chamava o grupo e falava que não tinha dinheiro, mas mesmo assim a equipe entrava em campo em busca da vitória. Os salários atrasavam como qualquer outra equipe atrasava. Nós não tivemos problemas com o Paulo devido a maneira dele de ser. É como eu falei, eu sou suspeito de falar dele. Não tenho o que falar do Paulo. Tem defeito? Tem defeito. Claro que o Paulo tem defeito, como qualquer outro ser humano, como eu tenho defeito. Mas na questão dos salários, ele sempre agiu assim, dizendo que estava sem dinheiro e pronto e acabou.

BN - Em 1999, o Vitória fez uma excelente campanha no Brasileiro. Porque não conseguiu passar do Atlético-MG, mesmo sabendo que o time era superior tecnicamente?

Leandrinho - Nós tínhamos uma equipe muito boa. Na época, se falavam muito no bicho dos jogadores. Eu acho que o bicho ajuda bastante, como hoje em dia ajuda bastante. Mas o erro, em minha opinião, não foi esse. Nós estávamos no Rio de Janeiro, depois do jogo contra o Vasco, e viemos para Salvador. Acho que deveríamos ter ido para Belo Horizonte direto. Foram três jogos muito desgastantes contra o Vasco e do Rio para Belo Horizonte é mais próximo. A equipe estava focada, mas nós viemos pra Salvador, aí foi uma festa e tudo mais. No meu ponto de vista o erro foi aí. Fomos para o jogo e na primeira partida tomamos de 3 x 0, vencemos a segunda, depois perdemos a terceira. Então eu acho que no meu ponto de vista, o erro foi esse.

BN - Quando chegou ao Vitória, ainda na década de 90, havia muitos Ba-Vis eletrizantes. Tem algum que ficou marcado em especial?

Leandrinho - Tem um que foi 1 x 0 na Fonte Nova e eu fiz o gol. Tinha um tempo que o Vitória não ganhava do Bahia na Fonte Nova e eu fiz o gol. Foi 1 x 0, com um gol meu, e nesse dia foi aniversário do clube e aniversário da mãe no Dia das Mães. Esse Ba-Vi ficou marcado pra mim.

BN - Logo após as boas temporadas com a camisa rubro-negra, você se transferiu para o Cruzeiro. Foi seu melhor momento no futebol?

Leandrinho - Foi o melhor momento na minha carreira. Esse momento no Vitória, em 1999, também foi muito bom, tanto é que fui para o Cruzeiro. Antes de ir para o Cruzeiro, teve propostas de outras equipes, mas o Paulo não me liberou. Teve o próprio Cruzeiro que veio antes, o Vasco também. Mas eu saí na hora certa para o Cruzeiro e foi meu melhor momento lá, além de ter sido a melhor equipe que trabalhei até hoje, aquela de 2003.

BN - Acreditava que ganharia tantos títulos com a camisa celeste?

Leandrinho - Não acreditava. Acreditava que poderia ser campeão, mas se eu falar para você que sonhava e já pensava em ser campeão brasileiro, da Copa do Brasil e Campeonato Mineiro, no mesmo ano, não. Só que devido ao elenco que foi formado, aí foi se criando a expectativa e terminou dando tudo certo.

 

BN - Qual o melhor técnico que já teve, falando em esquema tático e suporte psicológico nos momentos necessários?

Leandrinho - Acho que todos os treinadores que trabalhei até hoje são importantes pra mim. Cada um tem seu jeito de trabalhar, sua maneira de trabalhar, de agir. Mas um treinador que está na frente é o Wanderlei Luxemburgo. É um treinador que trabalhei que faz a diferença. Ele é um técnico bem capacitado e um dos melhores que já trabalhei até hoje.

BN - Depois do Cruzeiro, você foi vendido ao Porto, mas não teve muitas chances por lá. Porque não conseguiu se adaptar ao futebol europeu?

Leandrinho - Fui para o Porto e comecei até a jogar regularmente. Era até um treinador espanhol na época que havia pedido a minha contratação. Comecei a jogar com ele, mas a equipe não vinha bem no campeonato. No ano anterior, a equipe tinha sido campeã de tudo, por isso mudou completamente. O treinador espanhol que havia pedido minha contratação caiu depois. Entao entrou um português, que já me deixou de lado, por opção dele também. Acabou a época lá e eu vim de férias para o Brasil. Na volta, assumiu um holandês. Na pré-temporada, eu comecei a jogar como titular, mas a uma semana para começar o Campeonato Português eu me machuquei. Mas antes disso eu tive propostas para sair e eu vi que não ia jogar, só que ele (técnico) não me liberou. Essa contusão foi a mais grave que já tive na carreira. O Cruzeiro foi atrás de mim. Eu voltei para o Cruzeiro, mas voltei machucado e fiquei um tempão sem jogar e acabou que fiquei pelo Brasil mesmo.

BN - Em 2007/2008, você  esteve no Palmeiras e a torcida pediu para que ficasse no clube. Porque não deu certa essa renovação?

Leandrinho - A torcida ficou pedindo minha permanência, mas o Palmeiras não entrou com um acordo com o Porto. O Palmeiras na época estava sem dinheiro e o Porto não queria mais me emprestar, queria só vender. Não sei o que houve no final e acabou que não renovei. Aí eu fui embora para o Fluminense.

BN - A famosa “Turma do Amendoim” incomoda muito mesmo ou são irrelevantes?

Leandrinho - É igual aqui ou em qualquer lugar. Aqui no Vitória, no Cruzeiro, qualquer equipe tem esses torcedores que ficam falando, criticando. É igualzinho.

BN - No começo desse ano, você teve uma conturbada passagem pelo Fluminense. O que acontece para que saísse do Rio, sua cidade natal?

Leandrinho - Você olhando de fora é um pouco complicado. Apareceram muitas coisas pra mim, aí falaram pra mim sobre o Fluminense. Eu falei: “Pô, Fluminense? Vamos nessa”. Fui para o Fluminense, achando que eram mil maravilhas. Só que aí cheguei lá e é completamente diferente. Quando eu cheguei aqui eu falei que o Vitória não deve nada a ninguém. Lá não tem uma estrutura para trabalhar, não tem um Centro de Treinamento. Você treina nas Laranjeiras, onde os sócios mandam. Um diretoria que não tem diálogo. O clima era pesado. O grupo bom de jogares. Se você olhar, tem bons jogadores. Mas lá é cada um por si. Acho que eu não estava feliz também. Eu queria ter saído bem antes. Falava com meus pais, com minha esposa, que não tinha vontade de ir para o treino, estava triste. Comentei até com o Roger e Leandro, que jogaram comigo lá sobre isso. Depois do jogo em que fomos eliminados do Campeonato Carioca, não apareci mais. Falei que não voltava mais. Sentamos e conversamos e acertamos tudo. Dinheiro não é tudo, você tem que estar feliz no seu trabalho. Eu não estava feliz e saí. Saí na boa, sem problemas, e é vida que segue.

BN - Há uma divisão de poderes no clube?

Leandrinho - Não é exatamente uma divisão de poderes. É o patrocinador. O patrocinador está lá há bastante tempo e é ele que manda. Com certeza o Fluminense deve dever ao patrocinador para ele mandar. Mas não vejo problema nisso aí. Isso já existe há bastante tempo. O problema é que lá deve-se ter uma estrutura para trabalhar.

 

BN - Você chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 2003, quando conquistou tudo pelo Cruzeiro. Sente que faltou uma Copa do Mundo em seu currículo?

Leandrinho - Isso é consequência. Fui convocado em 2003 e 2004. Isso aí acho que todo jogador sonha em jogar em uma seleção brasileira e comigo não foi diferente. Mas não aconteceu e faz parte. Eu não fico lamentando isso aí. Para mim foi bom ter ido lá, mas vários jogadores queriam ter ido a uma Copa do Mundo e não foram. Não fico chateado com isso, não. Meu pensamento sempre foi em estar bem no meu clube.
 
BN - Nessa atual seleção de Dunga, uma das posições sem definição é a sua. Espera uma chance ainda?

Leandrinho - Não, acho difícil. O grupo está praticamente fechado. Eu tiro o chapéu para o Dunga devido as pancadas que tomou da imprensa. Mas ele deu a volta por cima. Quem estava ao lado dele quando ele tomou a pancada, acho que está aí abraçado com ele. Esses jogadores que estavam com ele nos momentos mais difíceis vão com ele pra Copa.

BN - Já tem planos para o ano que vem? O Vitória começou a falar em renovação com o Porto ou você acha difícil sua permanência?

Leandrinho - Tem algumas coisas aí. Temos que ver. Vou sentar e analisar, pois meu passe pertence ao Porto ainda. Não adianta passar por cima deles, ainda mais porque eles que ficam chateados com isso. Vamos ver o que vai acontecer. Mas no Vitória eu acho difícil, até porque eles não tocaram no assunto nem nada.

BN - Pensa em jogar mais quanto tempo?

Leandrinho - Eu não sei, não. Vamos ver até quando vou aguentar aí, ainda mais nesses dias atuais, que é muita força física. Hoje em dia a técnica não vale muito, não. Tem que ter força e velocidade. Até quando aguentar o preparo físico vou indo. Vamos ver.

BN - Vamos ver o Leadrinho como treinador?

Leandrinho - Acho que não sou bom pra isso, não. Sou uma pessoa muito boa, de bom coração. Quero ajudar todo mundo e o treinador tem que ter pulso firme. Não é fácil a vida de treinador, sofre muito. Pra treinador acho que não serviria, não.

BN - Manda um recado ao torcedor do Vitória que lê o Bahia Notícias?

Leandrinho - Mandar um abraço para o pessoal. Para o torcedor do Vitória, nós tínhamos o objetivo de chegar a Libertadores pelo elenco que temos. Mas o Vitória tem outros projetos e com certeza vai alcançar seus objetivos, pois o clube está se reestruturando devido o que aconteceu nos últimos anos. Mas tem tudo para melhorar, pois não deve nada a nenhum time do Rio ou São Paulo. O Vitória vai montar um time bom para o torcedor acreditar e apoiar, porque com certeza o Vitória precisa disso e merece um título brasileiro.