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Entrevista

Vadão

Vadão

Por Éder Ferrari e Daniel Pinto


Vadão, o Vitória tem recebido muitas críticas pelo excesso de jogadores no elenco, o que você pode dizer sobre isso?

Vadão
- Esse elenco de 40 jogadores nunca foi o planejamento do Vitória. Isso foi explicado desde o ano passado e no decorrer das contratações, mas boa parte da imprensa insistiu em ficar colocando isso na cabeça dos torcedores.  Eu acho que o elenco grande é problema nosso, do Vitória, quem paga é que tem que se preocupar e não quem está de fora e nós aqui, quando entendermos que está atrapalhando o trabalho, ai sim vamos diminuir.

Mas, de qualquer forma, 40 jogadores não é um excesso?

Vadão
- Nossa intenção nunca foi ter 40 jogadores, o que aconteceu , volto mais uma vez a repetir, é que no inicio do ano a gente tinha dispensado vários jogadores, nós não tínhamos elenco para começar o campeonato, então muitos jogadores jovens que agora estão sendo emprestados, foram solicitados a participar do grupo, até os jogadores que foram contratados, se condicionarem, para depois esses jogadores serem emprestados. Então o planejamento foi correto, então não interessa se tem 40 ou 50, isso é um problema do Vitória, eu, por exemplo, não pergunto quantos funcionários tem em seu site, isso é problema de cada um. Então é um problema do Vitória, eu acho que as pessoas de fora se incomodaram mais do que as de dentro.

Você concorda que, desde o início da temporada, alguns atletas do elenco não tem tido um bom rendimento? Falta qualidade ou comprometimento?

Vadão
– Concordo em parte. Contratamos vários jogadores e, alguns deles, ainda não deram a resposta que nós gostaríamos. Mas, alguns jogadores começaram a melhorar. Agora, por exemplo, o Michel começou a crescer. Quando a gente contrata um número grande de jogadores, para fazer uma reformulação como nós fizemos, a gente sempre sabe que um ou outro não vai render. Mas uma coincidência como essa de muitos jogadores ao mesmo tempo não renderem bem, dificultou muito, porque normalmente quando um está rendendo, um o outro não está.

Então podemos dizer que o Vitória fez um planejamento equivocado no que diz respeito às contratações?

 

Vadão -O que não estava no planejamento é justamente isso que nós acabamos de dizer, de muitos jogadores não estarem respondendo aquilo que gostaríamos, então é obvio que até o quadrangular, vamos tentando achar o time ideal. Depois nós teremos um mês para começar o brasileiro, aí então, aqueles jogadores que não corresponderem às expectativas não serão aproveitados, até os jogadores sabem disso. Nós tínhamos um tempo para fazer um entrosamento e montar um grupo, porque as mudanças eram muito grandes, então a única coisa que não estava no planejamento foi de muitos jogadores não renderem ao mesmo tempo.

E como você pensa no time para o Campeonato Brasileiro?

Vadão -
O planejamento para a Série A é uma seqüência do campeonato regional. Novas contratações serão feitas e também existe a possibilidade de alguns jogadores não ficarem, se eles não renderem até essa data pré-estabelecida. A partir daí nós teremos quase um mês do quadrangular até o brasileiro, para nós consertamos e refazermos a equipe.

O Vitória é conhecido pela boa formação de atletas nas divisões de base. Mas, esse grande número de contratações não tira o espaço desses garotos?

Vadão -
Muito pelo contrário, nessa minha passagem aqui foi o momento que mais aproveitamos jogadores das divisões de base. Se você pegar hoje a equipe que está jogando, William está sendo aproveitado, o Adriano se machucou no primeiro jogo, mas faz parte do grupo, o Marcos nós lançamos, o Gustavo também, o Anderson Martins foi feito na casa, Alex foi feito na casa, Ramirez, todos aqueles jogadores que se destacaram dentro da minha ótica, desde o ano passado até agora, foram colocados no departamento profissional. Então, todos os jogadores da casa que tinham uma melhor condição, até melhor preparado, inclusive o Marcos que mesmo com 18 anos vem realizando boas partidas, eu estou utilizando.

Alguns jogadores chegaram com grandes expectativas e muitos nem estrearam. O zagueiro Alex Oliveira, por exemplo, ainda nem jogou. Já o atacante Diego Silva vem sendo pouco utilizado. Como explicar isso?

Vadão -
Com os resultados negativos que tivemos depois do carnaval - perdemos quatro jogos em cinco, dois BA-VI’s, o Itabuna e o Colo Colo - deixamos um número grande de pontuação no caminho. Isso destoou um pouco do planejamento, ai não tivemos como colocar o Alex Oliveira, entre outros jogadores, porque agora, como precisamos dos pontos, voltamos a utilizar os atletas que estão melhor condicionados fisicamente.  Aí a partir do momento que nós recuperarmos a pontuação e garantirmos a nossa classificação, nós voltaremos à estaca zero e utilizaremos esses jogadores, então nos começamos assim colocando aos poucos, como vem sendo o caso do Michel. Sobre o Diego Silva, ele veio muito acima do peso, com sete quilos acima do seu normal, começou a fazer um trabalho e teve uma resposta muito boa, melhor do que nós esperávamos, com muito esforço da parte dele. Só que esse período de recuperação dele, coincidiu com o retorno do Índio e o crescimento do Michel, e nessas últimas duas partidas, pensávamos em usá-lo durante os jogos, mas tivemos problemas com jogadores que se machucaram ou pediram para sair, o que impediu que ele fosse mais bem aproveitado, mas nos próximos jogos pretendemos contar com seu futebol.

Muito tem se falado numa crise no clube, o que não é bem aceito pela diretoria e pela comissão técnica. Mas, essa pressão extra campo atrapalha seu trabalho?

Vadão -
Existem treinadores mais experientes do que eu, mas eu já tenho dezesseis anos de carreira, e já passei por clubes grandes como Corinthians, São Paulo, Atlético Paranaense, Bahia, que são times que tem uma pressão tão grande ou maior do que a daqui no Vitória. Então, eu já estou acostumado, isso não me abala, nossa proteção aqui são com os jogadores, eles é que não podem ser abalados. Então eu acho que muita coisa a imprensa tem razão, e a gente sempre concordou, nós tivemos o problema da preparação física, que no Brasil não se tem tempo, e outras séries de fatores, que fazem com que alguns jogadores não rendam o que se espera. Mas discordo também de uma série de coisa que a imprensa coloca. Eu acho que se o torcedor viesse para o Estádio e não trouxesse o rádio, a pressão seria bem menor.

Na próxima fase, o Vitória vai pegar o Paraná pela Copa do Brasil. Podemos dizer que essa competição é a prioridade do rubro negro nesse primeiro semestre?

Vadão -
Não, de forma alguma. Agora, pelas circunstâncias, a prioridade passou a ser o campeonato regional. Em virtude dos resultados ruins, a insatisfação do torcedor, com a rivalidade que existe, acabamos perdendo dois clássicos, a gente mudou um pouco e não podemos esconder isso. Porque no futebol brasileiro se não houver resultado imediatos, o trabalho se torna complicado. Mesmo assim, às vezes você tem um tempo para se preparar, por exemplo, eu estive no Atlético Paranaense no ano passado, quando a gente jogou sete , oito jogos com o time reserva para preparar os titulares para a Copa do Brasil. Fizemos uma pré-temporada completa, certinha, só para depois a gente se preocupar com o Paranaense, o que não foi o caso nosso aqui, nós até pensávamos nisso, mas devido à rivalidade, os maus resultados que ocorreram, nos obrigaram um pouco a mudar o curso da história.

Então o Vitória não vai dar prioridade a uma competição que pode levá-lo pela primeira vez a Taça Libertadores da América?

Vadão –
Olha Éder, a Copa do Brasil é um campeonato importantíssimo para o clube, porque é um caminho curto para a Libertadores. São apenas doze jogos no máximo, para nós onze, já que eliminamos o Souza da Paraíba no primeiro jogo, mesmo sendo mata a mata, contra trinta e oito do brasileiro. Temos um compromisso dificílimo contra o Paraná Clube, que vem se recuperando no Campeonato Paranaense, onde começou mal, mas vem numa crescente muito grande depois da chegada do Paulo Bonamigo para comandar o time. É um adversário difícil, o que deixa o campeonato ainda mais estimulante.

Vadão, pra finalizar, você que já trabalhou no Bahia e agora treina o Vitória, pode fazer uma comparação entre os dois clubes no que diz respeito à pressão da torcida, estrutura do clube e liberdade de trabalho?

Vadão -
Até agora eu não tive pressão do torcedor aqui no Vitória, como não tive no Bahia. A cobrança existe, mas em nenhum dos casos, nunca houve uma cobrança direta com o treinador, mais em relação ao trabalho, resultado e isso é absolutamente normal. Os dois clubes são grandes, mas, hoje, o Vitória está melhor estruturado do que o Bahia. O Vitória está um pouco melhor, um pouco na frente, mas o que manda mesmo é a manutenção na primeira divisão, porque a partir do momento que você sobe, tem que fazer tudo para se manter, pois é aqui que estão às melhores cotas de patrocínios, de TV e onde você pode melhorar ainda mais aquilo que você tem. Por isso que existe uma força muito grande para que o Bahia suba, porque a sobrevivência de clubes como a dupla BA-VI está na primeira divisão e não na segunda ou terceira. Então partindo daí, não dá para fazer uma comparação, cada clube tem seu planejamento, seu estilo de gerir o futebol profissional. Mas, confesso que me adaptei bem aos dois e não tenho nada para reclamar, só torcer para que mantenham o atual crescimento.