Cacá Bueno
Fotos: Rita Barreto/ Setur
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Por Maurício Naiberg/ Colaborou: Gabriel Carvalho
Bahia Notícias: Você imaginava que a Stock Car seria a principal corrida de automobilismo no Brasil?
Cacá Bueno - Sempre imaginei desde que comecei na Stock. A Stock já é considerada internacionalmente, até muito mais que os brasileiros. É a quinta categoria do mundo em carros de turismo. Hoje, sem dúvida nenhuma, ela é a principal categoria da América Latina, não só no Brasil. A Stock atrai muita gente no autódromos, um público fiel, patrocinadores importantes, e acho que a corrida que aconteceu em Salvador foi mais uma amostra disso. Ela está alcançando o patamar que acho que pouca gente imaginava, principalmente em levar o automobilismo nas mais diversas áreas, não só o centro-sul sudeste e ainda mais com a quantidade de gente que veremos no autódromo. Isso mostra que mesmo as pessoas que não tem muito acesso ao automobilismo mostram carinho, paixão, a vontade que tem em ver automobilismo. A Stock está proporcionando isso a uma quantidade maior de pessoas.
BN: Você nunca teve desejo de pilotar um monoposto (carros estilo F-1 ou Indy)?
CB - Não, nunca foi minha vontade. Nunca foi meu desejo. Desde que comecei a andar de kart e saí do kart, a idéia era correr com carro de turismo. Sempre gostei, e sempre achei mais atrativo. Graças a Deus, na minha carreira, sempre fui nesse intuito e sempre deu certo. O pensamento de pilotar um monoposto nunca passou pela minha cabeça.
BN: Qual a diferença desses dois estilos?
CB - Cara, eu costumo comparar como futebol. Tem futebol de salão e campo. Tem vôlei de praia e de quadra. Automobilismo de turismo e monoposto é mais ou menos a mesma coisa, tudo é vôlei, tudo é futebol, mas tem suas diferenças. A adaptação leva um bom tempo, então é raro a gente ter pilotos do monoposto vindo para o turismo depois, mas todos eles precisam de um período longo de adaptação, alguns anos, até porque a tocada é diferente, o estilo é diferente, as estratégias de corrida são muito diferentes, por isso é bem difícil falar o que muda na parte técnica. Tudo é automobilismo, mas sempre tem alguns detalhezinhos que só com o tempo você acaba aprendendo.
BN: Ser filho de quem você é (Galvão Bueno), atrapalhou ou ajudou na carreira?
CB - Acho que nem um nem outro, cara. Eu tenho muito orgulho de ser filho de quem eu sou, de toda a minha família, não só do meu pai, meus irmãos, minha mãe, e ser filho do Galvão não muda nada. De repente, pode ter ajudado logo no princípio, quando você começa muito novo, e aí tem uma repercussão um pouco maior, você tem um apelo da mídia maior, tem uma facilidade de arrumar um patrocínio. Mas, em compensação, a cobrança também é muito maior, a exigência é maior e no caminho aparece até algumas injustiças às vezes. Então, no final das contas, isso aí acaba atrapalhando pra frente um pouquinho e hoje em dia já não pesa mais. Acho que há muito tempo, de dez anos pra cá, ser filho de quem eu sou acaba não mudando nada. Se você não tiver resultados na pista, se não ganhar campeonatos, na verdade acaba não mudando nada.

BN: Com seus excelentes resultados nas pistas nos últimos anos, inverterá as ordens então? Galvão Bueno é o pai do Cacá Bueno e não mais Cacá Bueno é o filho do Galvão?
CB - (Risos) Não penso nisso, não. Meu pai conseguiu ter uma importância com anos de estrada, principalmente dentro do esporte. Então não acredito que isso venha a mudar. Vou acabar sempre sendo filho dele. É lógico que faço meu trabalho, mas é difícil as pessoas entenderam. Meu trabalho não tem nada a ver com o dele. Ele trabalha com jornalismo, diretamente com o público, com a emoção. Eu trabalho com esporte, com automobilismo, dirigindo carro. Não entendo nada de narrar corrida, ele não entende nada de dirigir carro, então são duas coisas bem diferentes. O respeito é muito grande e eu não acredito nisso. Meu pai conseguiu uma imagem nacional muito grande e todo mundo no Brasil sabe quem é ele. Então eu não acredito que possa chegar a esse nível e tampouco tenho essa pretensão.
BN: Você se incomoda com as críticas que ele recebe nas transmissões dos jogos?
CB - Não me incomodo, não. O sucesso no Brasil às vezes é visto como uma coisa ruim. A gente entende que o povo brasileiro é um povo batalhador, é um povo sofrido. Às vezes o cara trabalha o ano inteiro, o mês inteiro, para ter um carro popular ou às vezes nem isso, e aí ele vê o cara ganhando muito dinheiro, fazendo sucesso. Então, já que ele trabalha tanto, ele arruma uma desculpa para o outro falando “não é possível o cara ganhando tanto”. Se ganha tanto é porque é filho de alguém. Sempre tem alguma coisa para arrumar uma desculpa pro sucesso dos outros. Então a gente acaba entrando por um ouvido e saindo pelo outro, o importante é o reconhecimento do trabalho, fazendo as coisas bem, estar feliz, acho que isso é que importa.
BN: Ser filho de quem você é (Galvão Bueno), atrapalhou ou ajudou na carreira?
CB - Acho que nem um nem outro, cara. Eu tenho muito orgulho de ser filho de quem eu sou, de toda a minha família, não só do meu pai, meus irmãos, minha mãe, e ser filho do Galvão não muda nada. De repente, pode ter ajudado logo no princípio, quando você começa muito novo, e aí tem uma repercussão um pouco maior, você tem um apelo da mídia maior, tem uma facilidade de arrumar um patrocínio. Mas, em compensação, a cobrança também é muito maior, a exigência é maior e no caminho aparece até algumas injustiças às vezes. Então, no final das contas, isso aí acaba atrapalhando pra frente um pouquinho e hoje em dia já não pesa mais. Acho que há muito tempo, de dez anos pra cá, ser filho de quem eu sou acaba não mudando nada. Se você não tiver resultados na pista, se não ganhar campeonatos, na verdade acaba não mudando nada.
BN: Com seus excelentes resultados nas pistas nos últimos anos, inverterá as ordens então? Galvão Bueno é o pai do Cacá Bueno e não mais Cacá Bueno é o filho do Galvão?
CB - (Risos) Não penso nisso, não. Meu pai conseguiu ter uma importância com anos de estrada, principalmente dentro do esporte. Então não acredito que isso venha a mudar. Vou acabar sempre sendo filho dele. É lógico que faço meu trabalho, mas é difícil as pessoas entenderam. Meu trabalho não tem nada a ver com o dele. Ele trabalha com jornalismo, diretamente com o público, com a emoção. Eu trabalho com esporte, com automobilismo, dirigindo carro. Não entendo nada de narrar corrida, ele não entende nada de dirigir carro, então são duas coisas bem diferentes. O respeito é muito grande e eu não acredito nisso. Meu pai conseguiu uma imagem nacional muito grande e todo mundo no Brasil sabe quem é ele. Então eu não acredito que possa chegar a esse nível e tampouco tenho essa pretensão.
BN: Você se incomoda com as críticas que ele recebe nas transmissões dos jogos?
CB - Não me incomodo, não. O sucesso no Brasil às vezes é visto como uma coisa ruim. A gente entende que o povo brasileiro é um povo batalhador, é um povo sofrido. Às vezes o cara trabalha o ano inteiro, o mês inteiro, para ter um carro popular ou às vezes nem isso, e aí ele vê o cara ganhando muito dinheiro, fazendo sucesso. Então, já que ele trabalha tanto, ele arruma uma desculpa para o outro falando “não é possível o cara ganhando tanto”. Se ganha tanto é porque é filho de alguém. Sempre tem alguma coisa para arrumar uma desculpa pro sucesso dos outros. Então a gente acaba entrando por um ouvido e saindo pelo outro, o importante é o reconhecimento do trabalho, fazendo as coisas bem, estar feliz, acho que isso é que importa.
