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Entrevistas

Entrevista

Roger

Roger

Foto: Felipe Esteves/ Bahia Notícias

 

Por Felipe Esteves

 


Bahia Notícias – Até onde você espera chegar no futebol, Roger?

 

Roger – Olha, hoje eu penso muito em mim e na minha família. Vendo assim, a gente precisa pensar no lado financeiro, às vezes, muito mais do que queria. Jogador de futebol tem uma carreira curta e nós temos que juntar e guardar dinheiro pensando no futuro, tanto meu, quanto, principalmente, da minha família. Então, eu ainda pretendo jogar na Europa. Não é mais um sonho assim como antes, mas me completaria como atleta, como jogador e com certeza eu ficaria muito feliz. De todo jeito, a gente sempre espera e busca objetivos na nossa carreira, mas nossas vontades vão se moldando ao decorrer dos fatos que acontecem. Eu espero continuar bem na minha profissão, para estar bem comigo e com a minha família.

 

BN – Qual você considera o seu melhor momento na carreira até aqui?

 

Roger – Aqui! Tenho vivido meu melhor momento aqui no Vitória. Só tive uma vez brigando pela artilharia no começo do Brasileiro de 2005, pela Ponte Preta, mas aqui vivo com certeza minha melhor fase. Estou mais maduro, mais tranquilo, absorvendo melhor as coisas, sabendo lidar com as situações, então vejo que estou atravessando o meu melhor momento. Espero aproveitar o máximo tudo que vem acontecendo.

 

BN – Conta como foi sua chegada na Vitória desde a contratação e como vai seu dia a dia dentro do clube e vivendo na cidade.

 

Roger – Pessoal do Vitória fez um contato quando eu ainda estava no Fluminense, aonde eu não vinha muito bem, sem receber salários e jogando mal. Desde o principio eu gostei da idéia de vir para o Vitória. Joguei no Sport ano passado e queria voltar para o Nordeste. E ainda teve o fator da diretoria ter feito esforço para me trazer. Sempre fico feliz quando as pessoas me requisitam por prazer, porque gostaram do meu futebol. No clube não podia ser melhor. Tenho uma boa relação com todos, tudo é feito com muito planejamento e cuidado e gosto das pessoas que estão aqui. Então foi assim, estou muito feliz aqui, minha família está bem, se adaptaram rápido em Salvador, não tenho o que reclamar. Com certeza ainda vou criar mais raízes, vou abrir negócios e fazer investimentos para daqui a alguns anos ter uma casa na cidade.

 

BN – Como você definiria o grupo do Vitória de hoje, tanto dentro de campo, como a relação fora das quatro linhas?

 

Roger – Muito bom, cara! É um grupo muito alegre, unido e jovem. Tem alguns jogadores mais veteranos como o Ramon, Jackson, Vanderson que passam um pouco mais de experiência, mas a rapaziada é jovem. É um grupo que absorve muito bem o que o Carpegiani quer e por isso tem colhido muitos bons frutos. Estamos cada vez melhor dentro de campo, nos entrosando mais e jogando como um time de verdade. Fora de campo existe muito respeito e amizade entre os jogadores.

 

BN – Com quem você tem mais afinidade dentro do grupo e como é sua relação com o técnico Carpegiani?

 

Roger – Olha, eu sou um cara bem tranqüilo em relação a isso. Dificilmente você vai ver alguma história de discórdia minha com qualquer grupo que eu participe. Sempre tento criar boas relações, pois acho que só assim as coisas andam. Aqui no Vitória não é diferente. Trato todos muito bem e sou, também, bem tratado. Até porque sou um cara muito profissional, trabalho, faço meu melhor. Então, tenho uma relação muito boa com todos os companheiros, graças a Deus. Sou mais próximo do Leandro, né?! Até porque estivemos juntos no Fluminense. Com o Willian também, pois jogamos no Palmeiras. Sempre tem alguém que você se aproxima mais, mas no geral me dou bem com todos. Em relação ao Carpegiani, também é muito boa. Ele é um cara extremamente profissional e nos damos bem no trabalho. Não temos uma maior relação fora da profissão, mas dentro dela é ótima. Nos respeitamos, o que é o mais importante no trabalho.

 

Foto: Divulgação

 

BN – Tanto o Leandro como o Leandro Domingues saíram do Fluminense e não ficaram com saudades. Os dois voltaram para o Vitória e também voltaram a jogar bem. Com você foi a mesma coisa. Estava tendo um mau momento lá e quando chegou aqui tudo mudou. Ao que se deve isso? O que tem no Vitória que não tem no Fluminense?

 

Roger – O Fluminense tem vivido alguns problemas internos e isso é difícil de melhorar. A fase deles não é boa, vivem muitos conflitos internos que, claro, refletem no todo. Agora, eu não costumo falar mal, não. Eles não cumpriram com os compromissos de salários deles comigo e foi por isso que saí de lá. Muita gente diz que eu fui dispensado, mas não foi isso. Eu pedi demissão do clube porque não estava mais suportando a forma como eu era tratado dentro do clube. Então, falei com o Parreira e o Alexandre Farias, que era o coordenador e pedi minha saída para vir ao Vitória. Mas eu não gosto de falar mal não, até porque o futebol dá muitas voltas e a gente não sabe onde vai estar no dia de amanhã. O que eu digo é que no Vitória o clima é outro. Aqui as pessoas se ajudam para conseguir as coisas.

 

BN – Para você, quais são as reais chances do Vitória na competição e qual a principal virtude ou carta na manga que o time tem para superar os “grandes” e chegar bem no final do campeonato?

 

Roger – Eu acho que a competição está muito aberta. O Vitória está bem, fazendo uma grande campanha, revelando grandes jogadores, outros jogadores ressurgindo. Então, eu acredito que o Vitória tem grandes chances de chegar nesse título. Claro que tem muitos times que estão nessa briga direta também, mas nós não estamos atrás de ninguém e vendo assim dá para chegar ao título. Se não der para conquistar o título, a Libertadores é o segundo objetivo, claro. Estamos sempre entre os primeiros e não tem porque começar a cair. Temos que manter a força e assim conseguiremos chegar bem até o final. A juventude do time é a nossa principal virtude, já que temos uma carga muito grande de jogos. Nós estamos aguentando. O grupo tem jogado bastante e continua resistindo aos jogos. É essa juventude que pode fazer a diferença na reta final.

 

BN – Como você recebe as críticas de torcida e imprensa que batem na tecla de que você é um atacante que perde muitos gols e o que você acha dessa afirmação?

 

Roger – Ah, eu acho que a opinião tem que ser dada mesmo. Cada um fala o que quer. Tem coisas que tem razão. Em alguns jogos abusei de perder gols mesmo, contra o Corinthians foi o grande exemplo, mas a vida do atacante é essa mesmo. Eu estou tranqüilo, cara. Continuo fazendo meu trabalho e sei que amanhã ou depois a bola vai voltar a entrar e vou continuar brigando por essa artilharia, sempre ajudando meus companheiros.

 

BN – Quando você veio para o Vitória, qual era seu objetivo? E já passado tempo dentro do clube, o que você tem em mente para alcançar jogando no Leão?

 

Roger - O objetivo hoje dentro do grupo é conquistar o titulo brasileiro, se não der vamos lutar por uma vaga na Libertadores da América. E meu objetivo pessoal é atingir a marca de 20 gols. Foi isso que eu coloquei na minha cabeça, quero chegar a essa marca e sei que se eu continuar trabalhando forte terei totais chances de atingir meu objetivo. Mas eu ainda troco minha artilharia pelo título, com certeza.

 

BN – Roger, o que você sabe e o que pode dizer sobre uma possível saída sua para o exterior?

 

Roger – Olha, consultas existem né, cara?! Às vezes não existe nada e o pessoal fala demais, começa a criar coisas, mas eu já disse: se for muito bom para mim e para as pessoas que estão envolvidas no assunto, eu saio. Assim eu posso fazer minha vida pessoal, garantir um bom futuro para mim e para família. Se for bom em todos os aspectos para mim, eu vou. Não me consultaram. Houve uma sondagem, perguntando se eu tinha interesse de jogar na Europa ou na Ásia, alguma coisa assim. Eu disse que teria, mas que estava muito bem aqui no Vitória, em um bom momento na carreira e feliz. Então, afirmei que só sairia se fosse pelo lado financeiro.

 

Foto: Divulgação

Roger e Leandro são melhores amigos na Toca

 

BN – A diretoria, assim que soube da sua possível saída, começou a mexer os pauzinhos para que você permanecesse. Foi dito até que o Vitória procurou o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que é rubro-negro e tem amizade com dirigentes do São Paulo, para fazer uma mediação e tentar convencer o time paulista da sua permanência. Como você viu essa atitude da diretoria?

 

Roger – Ah, eu fico muito feliz por essa confiança que eles depositam em mim e espero dar o retorno dentro de campo para eles, já que nesses dois últimos jogos eu não consegui, mas contra o Avaí vou voltar a fazer a alegria da torcida.

 

BN – E a artilharia do Campeonato, o quanto você quer conquistar essa marca?

 

Roger – Eu acho que isso é uma conseqüência. Nunca fui ganancioso por fazer gol, se um companheiro está mais bem colocado eu toco a bola imediatamente, mas eu quero brigar. É um sonho que eu tenho, uma coisa que eu já coloquei como meu objetivo na minha cabeça e espero continuar marcando.

 

BN – Fala um pouco do problema que você enfrenta com a sua filha pequena, Julia, que sofre de uma deficiência visual e como é sua relação com o Viáfara. O goleiro está engajado em ajudar a pequena Manu, que também sofre do mesmo problema que sua filha.

 

Roger – Olha, as duas vão para o tratamento na China, único lugar onde existe tratamento para o tipo de problema que elas enfrentam, que é relacionado às células-tronco. Então, no dia 14 de agosto elas embarcam e esperamos que dê tudo certo. A repercussão desse assunto está legal, as pessoas estão ajudando, mandado força e carinho. Toda vez que falo desse assunto eu incentivo as pessoas a ligarem e entrarem em contato para saber mais dessa doença. Com certeza, se minha filha voltar curada de lá, nós vamos poder falar muito mais sobre esse assunto. O Viáfara tem ajudado bastante a Manu. Quando eu cheguei ao Vitória isso já estava acontecendo, o caminho estava bem andado. Então, o grande investidor desse sonho de se curar na China tem sido a família da Manu e o Viáfara.

 

BN – Por você já ter passado por grandes clubes, como avalia a torcida do Vitória? Você acha que deveriam comparecer mais a estádio e incentivar mais o time?

 

Roger – Eu acho legal, é uma torcida bacana. O futebol brasileiro é muito cobrado. As coisas aqui, realmente, são mais difíceis. Todo torcedor é um pouco técnico, né? Ele realmente tenta comandar o time e assim que a pressão começa, na maioria das vezes sendo prejudicial ao time. Torcedor não percebe que existe um limite para critica render bons frutos. Então o time começa a perder e o torcedor a criticar e o time não para de perder. Esse é o ciclo e não dá para a gente fugir muito disso. Então, estamos acostumados com isso. Mas é uma torcida que vem, tem nos apoiado e tem feito a diferença em muitos momentos. E é isso aí. Tem que continuar vindo mesmo, nos apoiando, pois, muitos clubes gostariam de estar na nossa posição hoje e isso tem que ser valorizado.

 

BN – O que o torcedor do Vitória ainda pode esperar do Roger para esse campeonato?

 

Roger – Muita luta, muita vontade, muita determinação e muitos gols. Os gols vão voltar a sair. Tem duas ou três rodadas que não sai, mas isso é normal. O Obina estava a quatro rodadas sem marcar, Washington ficou seis, então, isso é normal, o gol vai sair e vamos voltar para essa briga aí.