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Entrevistas

Entrevista

Edson Almeida

Edson Almeida

Por Éder Ferrari

Bahia Notícias – Quando você começou no rádio?


Edson Almeida - Eu nasci em 25 de abril de 1945 e em 1960 eu já comecei a fazer rádio em Itabuna, após vencer um concurso pra comentarista contra 36. Na época eu trabalhava na loja Invencível, de Vicente Ramos de Almeida, que não era meu parente, mas era muito amigo de minha mãe, fazendo embrulho. Eu passei em primeiro lugar no concurso e fui convidado no ar. “Atenção Edson Almeida, venha que a vaga é sua”. Quando eu cheguei lá foi uma decepção, rapaz! O diretor da rádio Gerson Souza, que era o escrivão da cidade, me olhar assim e disse, “mas venha cá rapaz, é você mesmo? Um menino desses...”. Na hora passou o narrador José Maria Cout Schalke, que falou, “dá uma chance ao menino”, e ai me colocaram pra comentar no outro dia um clássico amador local. Quando cheguei lá, comecei a observar o locutor José Maria - se ele ler (esta entrevista) sabe que eu sou muito grato a ele - e eu vi a prateleira da cabine cheia de cerveja e um engradado assim do lado e ele tomando umas. Pensei na hora, “Meus Deus, ser radialista é isso é?” Quando ele foi me anunciar pra comentar pela primeira vez falou, “Nos comentários aqui pela primeira vez o prodígio...”, e ele não poderia anunciar de outra maneira, por que era até contra a lei o menino de 15 anos como eu trabalhar numa rádio. Quando ele me deu o microfone fiz os comentários imitando o Rui Porto, que era na época de uma rádio do Rio de Janeiro. O José Maria me elogiou e falou que eu só precisava engrossar mais a voz e me recomendou pra ser contratado, só que eu passei seis meses sem receber salários. Eu mentia em casa pra minha mãe que sempre perguntava, “Cadê o dinheiro?”, por que lá em casa era assim: se chegasse com R$ 1 ou R$ 1 milhão tinha que prestar conta de onde veio e tomava “bolo” até esclarecer. Como eu tinha uns trocadinhos da época da loja enrolava minha mãe. Ai rapaz, depois de seis meses eles me chamaram e me pagaram um salário mínimo. Aquilo foi uma coisa maravilhosa, me juntei com um irmão meu um ano e cinco meses mais velho e fizemos uma farra na praia, em Ilhéus. 


B.N – E a vinda para Salvador?


Edson Almeida - Com 16 anos, Nilton Nogueira, essa pessoa que é maravilhosa em Salvador; que eu acredito que tenha revelado e dado oportunidade a muita gente importante como Chico Queiroz, Genildo Lawisky, Jorge San Martin e tantos e tantos, se eu for enumerar aqui vão dizer que foi a rádio toda. Ai ele me viu no Mário Pessoa, em Ilhéus, comentando Bahia x Santos. Ele ficou me olhando assim, ele pela Excelsior eu pela Clone, e quando é um belo dia eu recebo, porque naquela época quase não existia telefone... Aí veio uma moça, Diva, da central telefônica dizendo pra minha mãe, “olhe, tem um telefonema de Salvador pra seu filho menor”. Era Wilson Menezes, diretor e dono da rádio, o segundo comentarista, reserva de Souza Durão, que já morreu e era uma pessoa maravilhosa, um estupendo comentarista, como era o nosso Armando Oliveira. Aquilo foi uma empolgação! Tive que dar uma mentira lá na rádio e foi aí que eu vi que mentira tem pernas curtas. Eu disse que doutor João Santana tinha me dado uma bolsa pra estudar em Salvador, ai ele disse, “ô Santana, é verdade que você vai levar nosso comentarista embora?”, e ele bem do meu lado falou, “eu mesmo não!”. Tive que contar a história verdadeira e Gerson Macedo aprovou minha ida pra capital.


B.N – Como foi sua adaptação em Salvador?


Edson Almeida - Quando eu cheguei a Salvador em 1961 vi o Fluminense de Feira ser campeão pela primeira vez, vim trabalhar com José Ataíde, que Nogueira era o segundo locutor depois e segundo chefe da equipe depois de Ataíde.  Comecei fazendo a voz do Fluminense. Rapaz, as coisas eram difíceis. Não tinha o (ensino) fundamental completo, ai fui para o colégio Central, não me adaptei.  Fui pro Costa Pinto, que ficava no Corredor da Vitória, que um juiz amigo da família conseguiu bolsa pra mim. Sofri com aquelas histórias de preconceito, “Ah, esse daí está de graça”, mas é uma coisa que a gente não precisa falar, já que tudo na vida tem preconceito. Ganhava um salário mínimo e mais um pouco, morava em um pensionato. Aí pensei: “quer saber de uma? Vou voltar pra Itabuna”. Terminei o fundamental lá, estudei muito e acabei dando aulas à noite de matemática, história, geografia, e isso me ajudou a passar em um concurso público para ser secretário do chefe de saúde pública. Depois disso, ganhei uma rádio, criei uma grande equipe, fomos muito bem e acabei sendo transferido para Salvador. Foi ai que Ataíde me aproveitou. Fiz vestibular para administração. Quando estava perto de me formar, o Ivan Pedro, me levou para o diário associados – rádio Sociedade, Diário de Notícias, Estado da Bahia e TV Itapoan. Eu tinha um programa na televisão, o “Bola 5”, eu ia com a varinha apontando a classificação, uma coisa bem artesanal. Me colocaram para ser editor, mas eu tinha que completar o curso de comunicação e acabei me apaixonando pelo jornalismo. Começaram a mentir pra mim dizendo que eu escrevia bem, misturando histórias da minha vida nos textos. Porque eu sou assim, nunca perdi a raiz do interior. Aqui em casa mesmo tem pato, ganso, gato, cachorro, cágado...

 

 


B.N – Como foi a passagem do rádio para o imprenso?


Edson Almeida - Começaram a me confiar as coisas. Deram-me o comentário principal do Diário de Notícias, que era a “Visão Geral”. Depois que o Diário fechou, fui contratado pelo Jornal da Bahia e de repente eu estava escrevendo uma coluna chamada “Edson Almeida”. O pessoal gostou do meu trabalho e logo eu estava sendo editor de esportes do segundo maior jornal da Bahia, que era levado com muito amor pelo João Falcão, uma pessoa maravilhosa, que muitas vezes vendeu propriedades pra pagar nossos salários quinzenalmente. Ele dizia: “prefiro perder uma boiada a ver vocês infelizes”. Em paralelo ao jornal trabalhei na rádio Sociedade, 10 anos na Excelsior, cheguei até a trabalhar como publicitário, criador de textos. Vou contar uma história. Deram-me uma vez um fim de semana pra fazer uma campanha de um edifício chamado Pablo Neruda, na Pituba. Eu fiquei desesperado e pensava, “Meu Deus, o que é que eu vou fazer?”. Mas ai ocorreu de eu estar passando pela livraria Civilização Brasileira e me veio na cabeça: vou comprar um livro de Neruda. Foi uma luz pra mim. Lendo eu vi a frase, “Com tão poucas coisas construir paredes, sonhos e pisos”. Aí eu pedi pro rapaz que era da arte construir um punho com essa frase nessa e embaixo tinha “Edifício Pablo Neruda, venha morar nele e construir o sonho da sua família”, que acabou sendo eleita a publicidade do ano. Meu chefe naquela época era o Domingos Leonelli, que virou pra mim e falou, “Edson, esse texto não está muito de maricón (homossexual), não?’’ (risos).

 

B.N – Você também trabalhou fazendo assessoria política, não foi?


Edson Almeida - A partir de 1989 eu trabalhei como um dos assessores nas campanhas de Lidíce da Mata, Fernando José, Elkisson Soares, de Joacir Goés e por ai a fora, quando em 1991 acabei desempregado. Até que um dia eu encontrei o senhor Benedito Dourado da Luz, que estava apoiando Paulo Carneiro, no Vitória, e me chamou para ser assessor de imprensa do clube, onde eu fiquei até 2002, quando dei entrada no meu processo de aposentadoria, com um intervalo de 9 meses trabalhando no Bahia, em 1997, após uma ligeira discussão com Paulo Carneiro.


B.N – O que deu errado em sua passagem no Bahia?


Edson Almeida - O Bahia me ofereceu mais, mas não deu certo porque escorraçaram o presidente na época, Antônio Pithon, e eu manjei que isso ia acontecer (comigo) e caí fora antes do barco afundar. Não é que eu tenha fugido, não. Mas eu faço uma distinção dos dois clubes na minha época: o Vitória sempre foi administrado de dentro para fora, enquanto o Bahia de fora para dentro. No Bahia, entrava torcedor pra reclamar de mim. “Esse miserável entrou aqui pra tirar o dinheiro do clube”, mas não tem nada a ver, tudo estava no contrato e eu levado pra lá. Mas não guardo nenhum tipo de mágoa, sou muito agradecido ao Bahia, foi uma grande experiência.


B.N – Como foi o retorno ao Vitória?


Edson Almeida - No dia que eu saí do Bahia, Paulo Carneiro me telefonou e falou, “Edson, volta que aqui é sua casa”. Fiquei até 2002, quando o Vitória acertou com aquele grupo Argentino (Exccel Group). Acabamos eu e mais uns oito que trabalhavam na área, digamos assim, executiva, e que ganhávamos acima de US$ 3 mil, recebendo o bilhete azul solenemente de uma senhora que veio de lá da Argentina.


B.N – Como foi trabalhar diretamente com o ex-presidente Paulo Carneiro, tido por muitos como uma pessoa difícil de lidar?


Edson Almeida - O Vitória era mais centralizado. Paulo Carneiro tem temperamento forte, tivemos várias discussões. Ele me demitiu várias vezes por eu ser rebelde e não aceitar tudo. “Vá embora!”. Eu pegava minha sacola e antes de chegar ao portão ele ia me buscar de volta. E nisso aí ele achava que eu tinha personalidade forte e gostava disso, e eu sou do tipo que não sabe ser ingrato, Paulo Carneiro me valorizou. Para você ter uma idéia, eu saí do Vitória ganhando R$ 9.800. Claro que tinha os descontos do imposto de renda, contra muita gente que tinha lá dentro e chegava pra ele: “Paulo, você é louco? Pagar esse dinheiro todo pra um profissional da imprensa?”. Mas ele sabia que minha função era importante. Até hoje eu tenho aqui um projeto que ele me pediu pra fazer com algumas idéias que ele me deu do que é hoje o Campeonato Brasileiro, isso em 1997, então daí você tira que Paulo Carneiro é um idealizador. Mandou isso para a CBF, que mandou parabenizá-lo. Ele me dizia “se eu fosse pedir pra uma agência pra fazer os projetos, demoraria três, quatro meses pra fazer cobrando R$ 50, R$ 60 mil, enquanto Edson resolvia logo e por isso merece seu salário.”


B.N – O que o senhor acha que Paulo Carneiro representou para o Vitória?


Edson Almeida - Qualquer pessoa que for colaborar com o museu do Vitória tem que dizer com dignidade aos atuais dirigentes - entendo que vocês devam ter seus problemas com seu Paulo Carneiro, porque se fosse eu também os teria -, mas deve haver locais dentro do acervo do clube, onde (Paulo Carneiro) tem que ser citado como o cara que ajudou a construir o Vitória, que deu uma imagem de clube grande, que revitalizou o estado Manoel Barradas, que não se pode desconhecer quem idealizou o estádio foi Zé Alves Rocha e seus dirigentes, mas Paulo Carneiro tem uma participação efetiva na modernização, na viabilização de salas de musculação, campos de futebol para treinar, é fisiologia. Essa coisa toda a gente não pode negar. Agora, você me pergunta assim... E os pepinos? Eu não sei dos pepinos, eu sei tanto quanto você sabe, que Paulo Carneiro hoje está toda hora aparecendo um problema para o Vitória resolver, e eu lamento. Disse outro dia num comentário meu que ele fez tudo certo e parece que na hora de sair meteu os pés pelas mãos. Eu acho que Paulo Carneiro centralizou muito, Paulo Carneiro é um cidadão que não tem meio-termo. É aquele ditado que diz assim, "ou ama ou odeia", não é?

 

B.N – O senhor ainda mantém alguma relação com Paulo Carneiro?

 

Edson Almeida - Vou te fazer uma confidência aqui: ele estava planejando formar uma empresa de gestão esportiva e já tinha muitos clubes interessados. Me convidou, veio na minha porta me buscar pra eu ir a casa dele. Eu fui, ele disse “eu quero você como meu assessor de imprensa, desse projeto. Você vai ganhar uma bom salário, não tem problema nenhum”. Não vejo nada demais trabalhar, ganhar um dinheiro suado. Pra mim, é um dinheiro honesto dentro da execução do serviço. Mas, de repente, eu comecei a sentir que havia muita gente telefonando do Bahia, aqueles cidadãos que estavam lutando pelo poder, todo mundo queria Paulo Carneiro. Ele me perguntou (sobre a situação e disse) “Edson?”. “Paulo, vai dar a maior confusão. Se você for campeão baiano, colocar o Bahia na Primeira Divisão, vão te carregar. Mas se você não for rapaz, na primeira derrota vão dizer que você foi pra lá pra destruir o Bahia”. Porque Paulo Carneiro criou essa imagem de um anti-Bahia, porque tinha que criar mesmo, ele era Vitória, ele não queria gente tricolor trabalhando dentro do Vitória. Ele queria gente rubro-negra e pronto! Era um ponto de vista que tinha que ser respeitado, então é essa a realidade. Eu disse “Paulo não vou”. Embora ele não tenha me convidado mais, foi pro Bahia, é uma pessoa que, se amanhã sair do Bahia e colocar uma empresa de gestão e me convidar, não vejo nada demais (fazer parte dela). Agora, ele me diz, como costumava dizer, “o seu presidente gosta de topar desafios”, e eu disse: “esse desafio é perigoso”, e ele está desafiando. Eu não sei se essa entrevista, quando estiver no ar na internet, se o Bahia será campeão baiano, porque tem as mesmas condições que o Vitória, se o Bahia não vai para a primeira divisão, então meu ponto de vista é: se acontecerem essas duas coisas, Paulo Carneiro, amanhã, pode ser perfeitamente presidente do Bahia, que a torcida do Bahia é uma torcida apaixonada e o que ela gosta mesmo é de título e vitória, sim, mas tem a torcida que é mais seletiva. Eu já trabalhei nos dois clubes e sei. A do Bahia está tão ávida de títulos que ela vê nele a possibilidade de ser campeão. Paulo Carneiro será consagrado, essa que é a grande realidade.

 

 

 

B.N – Se ele te convidasse para trabalhar no Bahia, você iria?


Edson Almeida - Eu acho que não. Eu disse a você que trabalhar no Bahia foi um grande aprendizado, mas não foi, digamos assim, uma grande satisfação porque o Bahia é assim. O Bahia sabe que trabalhei no Vitória por 14 anos. Você (Éder Ferrari) está trabalhando no Bahia Notícias há quanto tempo? Desde que ele foi fundado, não é? Você já gosta do Bahia Notícia, eu já gosto rapaz... Eu todo dia vou ler, leio as matérias, se eu vejo uma coisinha que acho que é errado ai eu telefono pra lá, como um dia desses eu falei pra você que a gente quer sempre o melhor. No Vitória, eu trabalhei praticamente 11 anos de 1991 a 2003, enquanto fiquei apenas sete meses no Bahia. Então eu comecei a me integrar no Vitória, a ser, digamos assim, mais suscetível às coisas do clube.

 

B.N – Você não teme que esse seu tempo no Vitória faça com que as pessoas vejam sempre parcialidade nos seus textos?

 

Edson Almeida - Não é que eu, como comentarista, salvei o Vitória. Eu acho que na hora que eu comento um Ba-Vi, tenho que ter a dignidade de ver que eu estou comentando um Ba-Vi e que vou me dirigir a duas grandes e respeitadas torcidas do meu estado. Agora, às vezes eu assumo, tenho mais as minhas tendências rubro-negras, então eu acho o seguinte: no momento eu acho realmente que não teria condições de ir pro Bahia trabalhar. Você está entendendo? Essa que é a realidade, até porque eu levantei a história do Vitória, embora já esteja precisando de retoques, alguns profissionais, que tem também a história, alguns deles eu conheço, pra gente trocar figurinhas, então estou mais enfronhado na história rubro-negra do que na historia do Bahia, embora o texto até daquele DVD que apresentava o Chico Queiroz, do Bahia campeão, que foi feito na Itapoan, o texto é meu. Meu e de Edmilson Ferreira (editor do A Tarde Esporte Clube), que acabou também sendo assessor de imprensa do Bahia, um ótimo profissional. Mas não devemos tirar a razão porque uma coisa é ser profissional e isento, a outra coisa sou eu ir trabalhar e todo mundo saber. Olha, eu acho que se o cara tem uma febre dessa pelo clube, na hora de uma clássico, ele fica desconfortável, está entendendo? Fica desconfortável até pro cara vibrar. Até o pessoal lá dentro diz assim: “isso ai, ó, é “migué”. Isso ai é falsidade. Eu aqui vou dar um conselho aos mais novos. Já tenho 64 anos - quase 50 de crônica -, e falo que vocês têm que escrever, falar, claro dentro de um respeito à linguagem, o mais natural possível. Não adianta colocar aquelas coisas difíceis que pouca gente entende. Eu não gosto desses cronistas que escrevem cheios de paradóxias. Tem que comunicar de uma forma que todos entendam, que mostre a real natureza do que está sendo analisado.

 

B.N – O Senhor já trabalhou com pessoas polêmicas como Paulo Carneiro, Marcelo Guimarães, Paulo Maracajá, e agora com Zé Eduardo. Qual foi o mais complicado de trabalhar?


Edson Almeida - Cada um tem seu estilo, rapaz. Eu acho que você é quem vai fazer o seu caminho dentro dessa gente. Por exemplo, Paulo Carneiro é uma pessoa, que você tem dificuldade em ter um relacionamento, eu não nego, mas ele valoriza muito, me valorizou, teve momentos de grandes discussões, mas ele me valorizou. Maracajá eu não tenho nada contra a dizer sobre ele, que foi o maior presidente do Bahia de todos os tempos. Possivelmente ele tenha estagnado em termos de atualização e hoje ele precisaria se reciclar, mas ele ainda é o maior presidente do Bahia. Marcelo Guimarães foi pouquíssimo o meu entendimento com ele, porque ele era um conselheiro, apesar de participativo, mas na época era pouco o contato. Gostava dele e ele gostava de mim. (Antônio) Pithon caiu e eu com ele caí também, mas sempre foi uma pessoa muito respeitosa. E Zé Eduardo é polemico, é um meninão que eu vi nascer ontem, e eu tenho que tratá-lo assim: Se ele disser que é x e eu achar que não é x, eu digo que é y. Aliás, tem gente que depois da nossa discussão pensa assim: “Edson Almeida, cuidado com Zé que ele é louco”. Veja bem, eu estou comentando, ai Zé Eduardo entra, não sei de onde, e diz “Edson Almeidaaaaaa, você é não-sei-o-que”. Eu tenho que retrucar. “Mentiroso é você!”, mas retrucar com autoridade, eu tenho que ser ator, tenho que mudar de voz. O Zé não me paga um grande salário, mas paga certinho.  Se eu precisar hoje de R$ 1,99 pra comprar um copo, ele me dá. A mesma coisa eu diria até de Ricardo Luzbel e de Lívia Cortizo (diretores de comunicação do Bahia Notícias). Boas pessoas. “Lívia, vê se coloca um dinheirinho ai pra mim”, eu digo a ela. Porque é melhor você falar assim com as pessoas que você trabalha, pra se subornar, pra ir atrás das pessoas tratar de alguma coisa. Então Zé Eduardo cuida disso pra mim. Eu já não tinha esse relacionamento financeiro com Paulo Carneiro, nem com Maracajá, nem com qualquer outro, mas com Zé eu tenho. Essa é a realidade, rapaz.


B.N – E as discussões no ar com Zé Eduardo na Itapoan FM?


Edson Almeida - Por exemplo, outro dia eu me retei, saí do rádio porque ele botou no ar coisas. De vez em quando ele liga lá pra casa no ar e eu digo “aquele fulano não tem dinheiro nem pras quengas dele”, e ele bota no programa. Eu me retei, mas depois a gente (se) perdoou, porque é do nosso meio, da nossa convivência, da nossa profissão. Então eu sei que estou lidando com uma pessoa que gosta mesmo de mim. Porque Zé Eduardo, quando eu morava na Avenida Dorival Caymmi, passava lá e perguntava: “como é que é rapaz, tem uma farofinha?”. Ele comia com a gente e aí se tornou meu amigo. Então, de todos, ele é o que eu tenho maior acesso para criticar, discordar, e, aliás, essa é a grande virtude de Zé Eduardo. Ele cria polêmica, mas se seu pessoal discordar dele, ele discute, diz coisa, mas continua amigo respeitando como profissional.


B.N – O que o senhor espera de Bahia e Vitória no Campeonato Brasileiro das Séries B e A, respectivamente?


Edson Almeida – Acredito que o Bahia precisa de algumas peças para ficar entre os quatro primeiros da Série B, porque com o time atual já é um dos favoritos pra ficar entre os quatro primeiros. Chegando uns jogadores de referência tem tudo pra voltar a Primeira Divisão. Já o Vitória tem uma tarefa mais complicada. O time é bom, mas precisam colocar na cabeça que o Vitória tem que entrar visualizando uma Libertadores e não pensando em não cair. Espero que com os novos reforços o time possa fazer uma campanha, pelo menos, igual ao do ano passado.