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Entrevista

"Não cabe mais fazer de qualquer jeito": Carol Melo detalha plano para tornar o Bahia potência sustentável no futebol feminino

Por Bia Jesus

"Não cabe mais fazer de qualquer jeito": Carol Melo detalha plano para tornar o Bahia potência sustentável no futebol feminino
Foto: Luíza Barbosa / Bahia Notícias

Desde 2023 no Esporte Clube Bahia, Carol Melo ocupa o cargo de gerente de futebol das Mulheres de Aço, equipe feminina do clube. Com passagens por clubes tradicionais do futebol feminino brasileiro, como a Ferroviária e o Atlético Mineiro, a dirigente acumula experiência na gestão da modalidade no país.

 

Paulista, Carol integra o grupo de profissionais responsáveis pelo dia a dia do futebol do Bahia. Desde que assumiu a função, participou de um período de crescimento esportivo do time feminino tricolor.

 

Em três anos de trabalho no clube, a gestora esteve à frente de momentos importantes da equipe, como a conquista do título da Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 e a campanha histórica na Campeonato Brasileiro Feminino Série A1, com a primeira classificação do Bahia ao mata-mata da competição. Em 2025, o clube também alcançou o terceiro lugar na Copa do Brasil Feminina.

 

 

A entrevista integra uma série especial do Bahia Notícias durante o mês de março, em referência ao mês da Mulher, com profissionais que atuam nos bastidores do futebol do clube. O objetivo é mostrar como funciona o trabalho dessas mulheres no cotidiano do Bahia e o papel delas na construção do projeto esportivo desenvolvido junto ao City Football Group.

 

Em conversa realizada no centro de treinamento do clube, Carol abordou temas como estrutura, planejamento esportivo, desenvolvimento da base, relação com a torcida, integração com o Grupo City e perspectivas para o futuro do futebol feminino do Bahia.

 

1. O projeto e a estrutura

 

Carol Melo explica que sua chegada coincidiu com um momento de reformulação da modalidade dentro do clube.

 

"Minha chegada acontece a partir do momento de reestruturação do futebol feminino aqui do Bahia. Acho que, desde as primeiras conversas, houve um alinhamento de visão e valores entre o que o Bahia pensava para a modalidade e aquilo que eu penso. Trata-se de um projeto onde haverá investimento, mas não apenas a curto prazo. É um investimento que traz um trabalho de longo prazo e que passa também por uma questão de estrutura, de formação e de profissionais, tanto para dentro quanto para fora de campo. É um conjunto de fatores para que consigamos fazer o futebol feminino do Bahia evoluir. Como tínhamos esse alinhamento desde o começo, foi fácil chegar e dar andamento a essa visão".

 

Sobre sua função no clube, a dirigente define o cargo como um elo entre os diferentes setores.

 

"É uma função em que trabalhamos basicamente com todo mundo que está dentro do clube, desde as atletas até a diretoria; fazemos o 'meio de campo'. Minha função no futebol é garantir que tenhamos os melhores em seus postos: o melhor treinador, o melhor preparador físico... Tudo para assegurar que o trabalho corra da maneira que foi planejado, além de fazer a ligação com a diretoria. O dia a dia é contato com todos."

 

2. A construção do estafe próprio das Mulheres de Aço

 

A dirigente afirma que a criação de um estafe específico para o futebol feminino faz parte do processo de profissionalização da modalidade no clube.

 

"A montagem do estafe do feminino faz parte de uma visão de médio e longo prazo. Estamos aumentando a equipe e tendo pessoas dedicadas a todas as funções de saúde e performance. Temos um médico exclusivo para o feminino, fisioterapeuta... enfim. Todas as áreas que envolvem saúde e performance contam com um profissional dedicado exclusivamente à categoria".

 

Ela também destaca que alguns setores continuam compartilhados com o restante da estrutura do clube.

 

"Claro que existem áreas do clube que podem ter profissionais compartilhados. Por exemplo, alguém do financeiro servirá a todas as modalidades do clube. Mas todas as áreas que atendem diretamente o futebol acabam tendo uma pessoa dedicada ao feminino, entendendo as necessidades e o momento de crescimento que a modalidade vive — não somente dentro do clube, mas também fora dele."

 


Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

3. O que esperar do Bahia em 2026

 

Carol atribui o desempenho recente da equipe a um processo iniciado ainda em 2023.

 

"É uma construção. Esse salto qualitativo de desempenho que demos em 2025 é fruto de um trabalho que começou em meados de 2023, com uma reestruturação, e passou por um 2024 onde conquistamos a A2, nosso primeiro título nacional. Foi um momento de evolução dos nossos profissionais, do nosso estafe e das nossas atletas, que estavam conosco em 2023 e foram protagonistas na campanha histórica de 2025."

 

Ela também destaca os investimentos estruturais realizados no período.

 

"Esse processo de profissionalização e os métodos implementados — acreditando no funcionamento e tendo o apoio do clube — foram fundamentais. Tivemos um investimento em estrutura ao longo do caminho; hoje estamos sentadas em um espaço (academia, campo) construído nesse período. Tudo isso agrega para colhermos resultados."

 

Ao projetar o futuro, a dirigente afirma que o objetivo é manter o clube entre os protagonistas da modalidade no país.

 

"Acho que 2025 marca isso por ter sido na elite. Já tínhamos conquistado espaço na A2 e conseguimos aparecer como um dos clubes protagonistas no cenário nacional em 2025. Tivemos conquistas históricas: a primeira vez que avançamos ao mata-mata do Brasileiro e o terceiro lugar na Copa do Brasil. Esses passos foram planejados e trabalhamos para que, em 2026, mantenhamos esse nível. Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube, inclusive com os planos de um CT próprio. Esse trabalho de bastidores ajuda a colher resultados em campo."

 

4. Yanne e o status de ídola

 

Carol também comentou sobre a importância de atletas que representem a identidade do clube, citando o exemplo da atacante Yanne.

 

"Quando pensamos e traçamos a estratégia para a montagem do elenco, levamos em consideração vários fatores: a questão técnica, a performance e também o que a atleta pode agregar ao todo. Procuramos atletas que melhorem nossa sinergia. A Yanne é de Salvador e, assim como as muitas baianas que temos aqui, representa muito bem o que são as 'Mulheres de Aço'. É extremamente importante, pois elas cresceram vendo o Bahia, sabem da história do clube e muitas são torcedoras."

 

"Quando conversamos com a Yanne lá atrás e mostramos o projeto, ela acreditou. Ela vem evoluindo junto com o clube; comprou a ideia e estamos colhendo os resultados juntos. Isso é fundamental porque cria identidade com a torcida. Ela conhece, sabe e acompanha o clube."

 


Carol observa treinamento das Mulheres de Aço. Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

5. Pituaçu e a relação com a torcida

 

A dirigente também comentou sobre a importância do Estádio de Pituaçu para o futebol feminino no estado.

 

"Temos planos. Pituaçu é um estádio simbólico, principalmente para o futebol feminino da Bahia. Ele pode se tornar a casa da modalidade — se já não for. Adoro jogar lá, a estrutura é excelente e somos sempre bem recebidos. Existem coisas que fogem ao alcance da gestão do clube, mas tentamos trabalhar para dar apoio. Se tudo der certo, voltaremos a jogar lá, pois é importante estar perto da torcida."

 

"Ter uma torcida cada vez maior é um dos pilares do nosso planejamento. No entanto, acredito que a ausência de Pituaçu não teve impacto direto nos resultados. Houve um foco muito grande e, em nenhum momento, faltou respaldo do clube. Por mais que fosse melhor estar próximo do torcedor, o impacto na performance foi minimizado por um bom trabalho interno."

 

"Temos uma torcida que nos acompanha in loco, mas também pessoas que assistem às transmissões e estão presentes de alguma maneira. É óbvio que em Pituaçu teríamos mais gente na arquibancada, e trabalhamos para que esse número cresça. Mas o mais importante é que essa falta de proximidade física não se traduziu em queda de desempenho."

 

6. Grandes públicos para assistir o futebol feminino do Bahia?

 

Carol avalia que o crescimento do público nos estádios passa por diversos fatores.

 

"Acredito que, de forma geral — e não só no Bahia —, o trabalho para levar o torcedor ao estádio pode melhorar de várias maneiras. Uma parte cabe ao clube, outra à mídia, e a melhora do desempenho em campo também atrai público. Os grandes públicos ainda acontecem em momentos pontuais. Equipes como Corinthians, Internacional e Cruzeiro conseguem lotar estádios em campanhas específicas, mas, por exemplo, a final do Paulista Feminino não teve números tão expressivos."

 

"É um trabalho de longo prazo. Precisamos entender o perfil do torcedor que frequenta os jogos femininos e sua experiência para aumentar esses números. Se hoje levamos 3 ou 4 mil pessoas, queremos levar 5, 10 mil, até chegarmos ao momento de ter arenas cheias constantemente. É um esforço em várias frentes: clube, parceiros, mídia e formato das competições (evitando jogos em conflito de horário com o masculino, para não competirmos pelo mesmo público)."

 

7. A Copa do Mundo de 2027 pode ajudar com isso?

 

"A Copa do Mundo tem o potencial de ser um divisor de águas. A de 2019 provou isso, trazendo vários benefícios. Sendo no Brasil, a visibilidade será enorme. O futebol feminino estará na vitrine e surgirão oportunidades. Todos precisam ter um planejamento para aproveitar esse momento de hype e enraizar a modalidade, criando uma estratégia de crescimento sustentável para o pós-Copa. Que a competição deixe esse legado."

 

8. Integração com o Grupo City

 

"O Grupo City possui processos bem definidos que são implementados no futebol feminino da mesma forma. O que já funciona fora é aplicado aqui. Isso é evidente no departamento de saúde e performance. Tenho reuniões recorrentes com equipes de futebol feminino do Grupo. Embora cada clube viva um momento diferente, temos uma troca excelente de informações sobre atletas e mercado. Isso enriquece muito e nos ajuda a entender as demandas globais de performance e como somos vistos lá fora."

 


Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

9. O desenvolvimento da base

 

"A base é o alicerce do projeto. Hoje, atuamos de maneira pontual para competir e dar a melhor experiência possível às atletas, para que entendam o cenário e o comprometimento necessário. É gostoso jogar, mas exige dedicação diária. Em 2025, montamos as categorias Sub-17 e Sub-15. Há muito talento na Bahia que precisa de oportunidade. Dessas atletas, convidamos oito para a pré-temporada conosco para avaliarmos se conseguem acompanhar o ritmo. Elas estão se desenvolvendo bem e estamos organizando os bastidores para que continuem evoluindo."

 

"Para ter uma base permanente, há muitas necessidades estruturais. Não cabe mais fazer 'de qualquer jeito'. O Bahia é um dos únicos clubes do Brasil com uma profissional de salvaguarda (proteção à criança e ao adolescente). Estamos desenhando esse processo para implementar a base de maneira permanente e com as melhores condições."

 

10. O novo CT pode ajudar no desenvolvimento da base?

 

"Acredito que o novo CT ajudará muito. Teremos um espaço maior para o feminino e estaremos mais próximos de Salvador. Hoje, a distância do CT atual é um fator: se a atleta treina de manhã e estuda à tarde, o deslocamento é exaustivo. Precisamos considerar o bem-estar da adolescente para que o futebol e os estudos andem de mãos dadas. O novo CT abrirá muitas portas nesse sentido."

 

11. A transição no comando técnico

 

Carol também comentou sobre a transição no comando técnico da equipe, com a saída de Lindsey Camila e a chegada de Felipe Freitas.

 

"Foi uma transição tranquila. A busca por um novo treinador foca em alguém com a mesma visão e valores. Conversei bastante com o Felipe e deixei claro o que era o projeto. Buscamos no mercado um profissional que se encaixasse no que estava desenhado, e isso funcionou muito bem com ele. Estamos mantendo a base do elenco do ano passado, e ele é peça-chave para dar continuidade a esse trabalho."

 

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA: