Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Entrevistas

Entrevista

Alexandre Gallo

Alexandre Gallo

O jovem treinador Alexandre Gallo é o comandante do Bahia desde o início da temporada e, juntamente com o presidente Marcelo Guimarães Filho e o diretor de futebol Paulo Carneiro, tenta representar uma nova era para o Tricolor de Aço, que não sabe o que é ter glórias há muitos anos. O técnico acredita que a fase atual do time é de se estruturar em torno de um projeto de modernização e jura que, até agora, tudo o que lhe foi prometido pelo presidente está sendo cumprido, e que o desenvolvimento dos atletas e resultados é melhor do que o esperado. Alexandre Gallo fala ao Bahia Notícias sobre sua carreira, conquistas como técnico, a relação com o treinador adversário, Vagner Mancini, e como andam os bastidores do Bahia.

 

 

Por Éder Ferrari

 

Bahia Notícias – Você teve uma carreira muito bem sucedida como jogador. Fale um pouco da sua trajetória como atleta profissional?

 

 

 

Alexandre Gallo - Comecei a jogar no Botafogo de Ribeirão Preto com 11 anos, passando por todas as categorias de base até profissionalizar. Joguei uma Série B e depois tive a oportunidade de jogar no Vitória, mas fiquei pouco tempo. Voltei pro Botafogo, joguei mais um tempo e o Santos comprou meu passe. A passagem pelo Santos foi muito importante pra mim profissionalmente. Uma fase de afirmação, onde eu passei quatro anos e meio e fui vice-campeão Brasileiro em 1995. No ano seguinte fui pra Portuguesa, onde conseguir liderar um time que tinha ótimos jogadores como Zé Roberto e Rodrigo Fabri e, novamente, fui vice-campeão Brasileiro. Em 1997, o Santos me negociou com o Guarani, mas minha passagem lá não foi boa por que tive problemas financeiros com presidente da época, Beto Zini, e acabamos tendo uma briga judicial. No meio dessa briga, o São Paulo comprou meu passe. Respeito muito a instituição Guarani, mas na época foi como sair do inferno para o paraíso. Fiquei dois anos no São Paulo, sendo campeão paulista e gostei muito de trabalhar lá. Depois fui pro Botafogo do Rio, e lá aconteceu uma coisa muito interessante: o clube queria contratar o atacante Valdir Bigode, mas o Atlético Mineiro só o liberaria se eu entrasse na troca. Nós tínhamos acabado de eliminar o São Paulo da Copa do Brasil com um gol meu. Foi bem legal, o presidente me chamou pra conversar e falou que não queria a minha saída, mas que precisava contratar o centroavante. Recebi uma carta bem legal do Botafogo, que até hoje tenho guardada na casa dos meus pais, um dos maiores troféus que eu tenho. No Atlético, tivemos dois anos bem intensos, disputando final do Brasileiro e depois a Libertadores, uma equipe muito forte realmente. Depois disso fui para o Corinthians, onde eu encerrei minha carreira em Julho de 2001, tendo sido campeão paulista e vice da Copa do Brasil.


 
B.N - O que deu errado em sua passagem pelo Vitória?

 

 

Alexandre Gallo - Vim para o Vitória em 1991 trazido pelo Paulo Carneiro. O problema é que em um jogo contra o Bragantino tive uma lesão grave no tornozelo e fiquei praticamente quatro meses parado, o que definitivamente anulou minha passagem.

 

B.N – Você sempre foi capitão nas equipes em que jogou. Isso ajudou a amadurecer a idéia de ser treinador? Imaginou seguir esse caminho quando pendurasse as chuteiras?

 

 

 

Alexandre Gallo - Com certeza! Desde que eu comecei como jogador profissional que eu queria ser treinador. Me preparei bastante durante toda minha carreira, observando os métodos de trabalho e a forma de lidar com os jogadores.

 

B.N – O senhor encerrou sua carreira de jogador relativamente cedo. Quando surgiu a oportunidade de mudar de lado?

 

 

 

Alexandre Gallo - Em 2002 fiz um estágio com o Carlos Alberto Parreira, que já havia sido meu treinador e é meu amigo, no Corinthians. Em 2003, eu fui convidado pelo Dario Pereira para ser auxiliar técnico dele no Grêmio, em um momento difícil do clube. Já no final mesmo de 2003, recebi um convite para ser treinador do Vila Nova, de Minas Gerais. Fui pra lá e conseguir fazer um bom trabalho terminando em quinto no estadual e conseguindo classificar para Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Foi um momento muito especial, porque foi minha primeira equipe e deu pra sentir que eu estava no caminho certo. Em seguida voltei a trabalhar como auxiliar, já que recebi um convite do Wanderlei Luxemburgo para trabalhar com ele no Santos e acabamos sendo campeões Brasileiros em 2004. No início de 2005, o Wanderlei foi contratado pelo Real Madrid, mas eu continuei um tempo no Santos junto com o Oswaldo de Oliveira, mas logo surgiu um convite da Portuguesa para voltar a ser treinador. O time estava em último lugar no Paulista e eu consegui livrar do rebaixamento. Alguns meses depois, o Oswaldo deixou o Santos e eu fui convidado para assumir a equipe. Fizemos uma boa campanha, ficando sempre entre os cinco primeiros colocados do Brasileiro, além de termos chegado às quartas de final da Libertadores, foi bem interessante. E era um momento que perdemos todos aqueles jogadores como Robinho, Deivid, Léo, entre outros, no meio do campeonato. Mesmo assim, eu saí do Santos, e não entendo até hoje o que aconteceu, porque estava na segunda colocação. E foi até engraçado, porque na mesma semana que eu saí, o Márcio Bittencourt também saiu do Corinthians mesmo estando na liderança. Até hoje eu não entendo, talvez por sermos jovens, mas, pra mim, continua mal explicado. Depois disso eu recebi um convite do Japão, onde foi uma experiência fantástica pra mim e pra minha família, ficamos lá todo o ano de 2006. Voltei para o Brasil e acertei com o Sport pro Pernambucano de 2007 e a Copa do Brasil, onde fizemos uma campanha muito boa atingindo um aproveitamento de 84%, em um time que a gente montou em dezembro de 2006. Depois eu recebi um convite irrecusável do Internacional.

 

 

B.N – A torcida do Sport o tem como um traidor por causa disso.

 

 

Alexandre Gallo - Eu entendo a torcida do Sport e hoje eu vejo que, estrategicamente, para a minha carreira, foi uma mudança ruim, mas eu sou um profissional do futebol, e a proposta era irrecusável. O Inter me apresentou um projeto muito interessante, muito grande. O clube tinha o objetivo de fechar a tríplice coroa (já havia conquistado a Libertadores e o Mundial) com a Recopa Sul-Americana, que acabamos conquistando. Mas a fase do Inter era muito complicada, de transição, onde a cobrança era muito grande, porque não havia conseguido se classificar na primeira fase do Gauchão, além de muitos problemas internos e acabei saindo. Logo em seguida foi contratado pelo Figueirense, que estava em 15º no Brasileiro, mas conseguirmos nos manter na Série A. Em dezembro começamos uma remontagem do plantel e conquistamos o Estadual. Mas, assim que começou o Campeonato Brasileiro, eu entendia que o Figueirense precisava contratar uns quatro, cinco jogadores, e isso havia sido prometido pra mim. Mas a diretoria achou que com o título estadual poderia continuar do jeito que estava. Chegamos próximo de ter uma discussão, uma troca de idéias um pouquinho mais áspera e eles me pediram pra sair. Logo em seguida recebi o convite do Atlético Mineiro, já era a terceira vez que eles me procuravam, um clube que eu tenho um carinho enorme. Mas o Atlético estava passando por um momento terrível.

 

B.N – Terrível como?

 

 

 

Alexandre Gallo - A torcida não ia para o estádio, o presidente acabou sofrendo um impeachment. Na minha estréia, quando chegamos no ônibus, ele foi todo apedrejado, tinha umas duas mil pessoas. O presidente saiu e com ele toda a diretoria, uma confusão danada. O trabalho não rendeu porque não existia o trabalho e acabei saindo.

 

B.N – Após deixar o Atlético, o senhor não trabalhou mais o ano passado mesmo tendo recebido algumas propostas. Foi por opção, ou as propostas não agradaram?

 

 

 

Alexandre Gallo - Fiquei três meses parado e acho que foi, talvez, o momento mais importante da minha carreira, um momento de reflexão. Eu nunca havia ficado parado nessa minha curta carreira de treinador. E eu aprendi que às vezes você tem que dar um tempo pra uma auto-análise, uma reciclagem, e foi muito bom pra mim e pra minha carreira, mesmo recebendo proposta do Fluminense, do Náutico e uma consulta do Atlético-PR, mas achei melhor uma proposta pra esse ano, foi quando apareceu o Bahia no final de novembro.

 

B.N – Então o senhor foi procurado pelo Bahia já no final de novembro?

 

 

 

Alexandre Gallo - No final de novembro sim. Recebi a idéia e o convite do Bahia, mas é claro que eu tinha que esperar o desfecho da eleição e se tudo ocorresse como era esperado e ocorreu, chegariam a um acordo comigo. Eu fiquei muito feliz, porque acredito muito nas pessoas que estão aqui, no presidente Marcelo Guimarães, tudo que ele me disse que ia acontecer está acontecendo. Desde as obras físicas do Fazendão, a auto-estima da torcida e do clube, que é realmente um gigante que estava adormecido e que está nesse processo muito bonito de retomada.

 

B.N – Quem representou o clube no início das negociações?

 

 

 

Alexandre Gallo - Primeiro fui procurado pelo Orlando da Hora, que estava representando o clube, e o Paulo Carneiro. O projeto me foi passado pelos dois e pelo presidente Marcelinho e começamos a pensar na equipe aguardando o resultado das eleições.

 

 

B.N – Então tudo que lhe foi prometido está sendo cumprido até agora?

 

 

Alexandre Gallo - Sim, e acredito que em breve atingiremos o que foi prometido porque eu tenho acompanhado de perto as transformações, as mudanças para melhor dentro do clube. Hoje temos uma estrutura e uma condição de trabalho que nos deixa muito à vontade pra crescer gradativamente dentro do nosso planejamento.

 

B.N – O nome do meia Ramon Menezes era dado como certo no Bahia antes do anunciou da sua contratação. O veto ao jogador partiu de você?

 

 


Alexandre Gallo - O Ramon é meu amigo e um grande jogador, joguei com ele no Atlético Mineiro e fomos muito bem juntos lá e nem de longe tenho nenhum tipo de problema com ele. O que ocorreu é que desde o início em todas as reuniões que tivemos para formar o elenco o nome dele nunca entrou em pauta de discussão, apenas isso!

 

B.N – Durante a sua campanha e até mesmo no dia que foi eleito, o presidente do Bahia deixava claro que não apenas estava interessado em Ramon, mas que já estava com a negociação encaminhada. Nos bastidores, surgiu a notícia que o Wagner Mancini, com quem Ramon teve problemas, não teria lhe recomendado o jogador.

 

 

Alexandre Gallo – Não, não houve nada disso. Até porque eu não pediria informações para formar minha equipe para o treinador do meu maior rival, mesmo o Mancini sendo meu amigo de infância. O fato foi que Ramon nunca entrou em nossa pauta.

 

B.N – E no caso do atacante Marcelo Ramos, que se destacou ano passado e tinha toda a simpatia da torcida?

 

 

Alexandre Gallo – Com ele foi a mesma coisa. Nunca discutimos o nome dele em nossas reuniões. Quando falaram do elenco atual do Bahia disseram apenas dos jogadores que tinham contrato para esse ano.

 

B.N – Nos últimos dias surgiram informações que a diretoria atual não renovou com o jogador porque ele havia chegado embriagado no Fazendão durante a Série B do ano passado.

 

 

Alexandre Gallo – Não me foi passado nada sobre isso nas reuniões.

 

 

B.N – Diretor de futebol Paulo Carneiro afirmou recentemente que nem ele, nem o senhor estão satisfeito com o atual elenco e que novos jogadores podem chegar. Esse desejo partiu dele ou de você?

 

 

Alexandre Gallo - Nosso elenco nunca estará fechado. No futebol atual as coisas são muito dinâmicas. Se, por exemplo, aparecer um grande jogador vindo do exterior querendo jogar aqui? Claro que vamos contratar. Eu acho que um clube da grandeza do Bahia tem que estar sempre com as portas abertas para a chegada de novos jogadores.

 

B.N – O que está achando do atual elenco? Estão rendendo o esperado? O que está faltando?

 

 

Alexandre Gallo – Dentro das nossas possibilidades de calendário os jogadores tem rendido muito bem. É claro que ainda estamos muito longe do ideal físico e técnico, mas as coisas estão se encaminhando até melhor do que eu imaginava. Tendo jogos quarta e domingo fica complicado fazer trabalhos mais específicos, porque os atletas precisam de pelo menos 48 horas de recuperação. Claro que eu queria ter sempre uma semana de um jogo para o outro pra poder treinar e trabalhar mais a parte tática e física, mas temos que agir de acordo com nossas possibilidades.

 

B.N – Quando foi anunciado como diretor de futebol do Bahia, Paulo Carneiro fez duras criticas aos jogadores que estavam no clube. Alguns continuaram e, inclusive, vem se destacando como titulares. Esse desempenho tem sido uma surpresa para você?

 

 

Alexandre Gallo – Surpresa não é bem a palavra. O Marcone e o Ananias se dedicaram muito na pré-temporada e estão no time por mérito. São jogadores jovens e que tem tudo para ter uma carreira sólida pela frente, acredito muito neles. O Alison e o Rogério, são zagueiros do nível dos que temos por ai nos grandes clubes do Brasil, estamos muito bem servidos nessa posição. Outro que tem muito potencial é o Ávine: agora ele ainda precisa de muita orientação em termos de posicionamento em campo e atitudes. Se conseguirmos trabalhar bem esse lado nele, também pode ter uma carreira muito bem sucedida pela frente e nos ajudar muito esse ano.

 

B.N – Você chegou a presenciar a confusão envolvendo o ex-jogador Vampeta e o goleiro Marcelo? Em que isso influenciou no grupo de jogadores?

 

 


Alexandre Gallo – Quem responde sobre isso é o gestor de futebol Paulo Carneiro.

 

B.N – Seu contrato com o Bahia se encerra no final do ano. Se receber uma proposta como a que recebeu quando estava no Sport, vai seguir o mesmo caminho?

 

 

Alexandre Gallo – De maneira alguma! Quando acertei com o Bahia acreditei muito no projeto e sei que se tudo sair como o planejado estrategicamente para a minha carreira será fantástico. Posso até sair do Bahia antes do fim do meu contrato, mas com certeza não será por uma proposta melhor financeiramente.

 

 

B.N – Você falou que o treinador do Vitória, Vagner Mancini, é seu amigo de infância. Já chegou a enfrentá-lo e acredita que o Vitória é o time a ser batido nesse Campeonato Baiano?

 

 

Alexandre Gallo – Realmente conheço o Mancini desde criança em Ribeirão Preto e mantivemos essa amizade até hoje. Fico muito feliz que ele esteja tendo uma carreira tão bem sucedida e passando por esse momento bacana no Vitória. Quando ele treinava o Paulista, chegamos a nos enfrentar duas vezes. Sobre o Vitória, é nosso maior rival, mas dizer que é o único time a ser batido é no mínimo um desrespeito aos outros adversários.

 

B.N – Falando em adversários, o que está achando do nível do Campeonato Baiano?

 

 

Alexandre Gallo – O campeonato está num nível muito bom, tenho acompanhado e visto que todos os times tem muito potencial. Na verdade, tirando o Campeonato Paulista, onde os clubes do interior fazem concorrência inclusive com a gente na contratação de reforços, todos os outros estaduais são mais ou menos do mesmo nível e o Baiano não fica devendo nada aos de segundo porte como o Carioca, Paranaense, Pernambucano, Mineiro e Gaúcho, por exemplo. Acho que no máximo em números de times grandes, que em um ou outro estado tem mais do que aqui na Bahia, o que não chega a mudar muita coisa.

 

B.N – O Bahia está há quase uma década sem conquistar nenhum título e a diretoria está reformulando completamente o clube, o que dificulta vôos mais altos. Você acredita que o time tem condições de conquistar o Campeonato Baiano e o acesso a Série A?

 

Alexandre Gallo – Realmente o Bahia vem passando por anos muito difíceis. Mas um clube como esse não pode pensar em ter uma coisa ou outra. Temos que partir pra conquistar os dois. Esse questionamento já me foi feito e acredito que temos grandes possibilidades de conquistarmos os dois. Nosso planejamento tem sido criterioso, temos a volta do nosso torcedor com Pituaçu e conseguimos formar um grupo forte. Acredito muito no nosso potencial e no nosso projeto. Se conseguirmos unir o clube, os jogadores e a torcida, temos tudo pra dar muitas alegrias ao torcedor do Bahia.