Em mandato 'tampão', presidente da Febatri tenta fomentar o triathlon com ideias criativas
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Engenheiro Civil de formação, Cleber Castro assumiu a presidência da Federação Baiana de Triathlon (Febatri) no último dia 8 de abril após renúncia do seu antecessor Walter Kraus. O mandato "tampão" vai até março de 2020. Aos 44 anos, ele começou a praticar o triathlon a partir de 2016, por obra do acaso, para melhorar o condicionamento físico para o surf. Cleber já nadava desde criança, assim como pedalava após se apaixonar por bicicross ao assistir o filme "E.T. - O Extraterrestre", por causa da clássica cena das crianças voando e passando em frente à lua.

 

Ao começar a competir no triathlon, ele percebeu algumas falhas e, ao invés de apenas criticar, se colocou à disposição para ajudar a melhorar o esporte. Na entrevista a seguir, Cleber Castro defende uma visão empreendedora e criativa para captar recursos públicos e privados para fomentar a modalidade na Bahia.

 

Você sempre pensou em chegar à presidência da Federação Baiana de Triathlon?

Não, não pensava. O que é que eu estava vendo? Primeiro, era que as provas eram realizadas em Salvador... Se é uma federação baiana, por que só tem prova em Salvador? Ao invés de ficar só reclamando, vou tentar colaborar e me aproximar das pessoas. Então, eu pedi: "Pô, quero conhecer vocês, gostaria de fazer sugestões e tudo mais e colaborar". Eu fiz um projeto de como levar as provas para o interior, levar para outras cidades. Porque é sempre importante atrair um público novo também, fomentar nas escolas... enfim. Aí o pessoal gostou da ideia e me convidou para ser o diretor de marketing da Febatri. Além da minha formação de engenheiro civil, eu tenho formação de Comunicação Corporativa, que envolve marketing e administração. Aí fiz um MBA em Comunicação Corporativa e pude aplicar todo o conhecimento de marketing esportivo, entretenimento, transformando o triathlon numa plataforma. Comecei a buscar parceiros, tanto públicos quanto privados, e montar uma grande rede de apoio entre si, identificando as habilidades e demandas. Com isso, foram surgindo oportunidades de alto impacto e baixo custo, apoiando atletas e as próprias empresas, e gerando oportunidades dentro daquele nicho. Naquele momento, o então presidente renunciou... Porque querendo ou não, você precisa ter uma inovação no estatuto e, como ainda estava antigo e levava muito tempo na federação, ele precisou dar prioridade ao trabalho.

 

E então você decidiu se candidatar...

Ao invés de tentar assumir, por estar dentro da Federação, resolvi me submeter ao pleito normal, porque acho que é preciso que as pessoas sejam incentivadas a fazer parte de uma federação para poder apoiar o esporte. Não pode ficar "sai um e entra outro" [porque desse jeito] nem todo mundo tem que participar. Porque se todo mundo está usufruindo, temos que ter outras responsabilidades também. Isso é para fortalecer. A partir daí, montei minha chapa e a gente conseguiu ser eleito em pouco mais de um mês. Essa foi minha transição de atleta de pouco tempo para poder assumir a diretoria na federação. Como diretor de marketing, cheguei na Federação no final de 2017. Eu fui entendendo tanto do triathlon, quanto a questão da gestão. Aí vi realmente o que estava precisando, porque eu também, como atleta, estava competindo o Campeonato Brasileiro, então conseguia visitar outras federações e vi que tinham problemas em comuns. No caso, seria a questão mais de gestão. Acho que é importante você criar uma independência de setores públicos e privados. E para isso precisa ser muito criativo. Precisa criar produtos próprios, não ficar preso apenas a realizar provas. Você tem que realizar cursos, criar outros produtos, licenciamento de marcas, atrair famílias, pessoas jovens e criar um grande envolvimento com todo mundo, gerando oportunidades para todos. Com isso, você, além de chamar atenção, acaba retendo atenção. E o projeto que eu estou tentando implementar é o resgate do Triathlon da Bahia.

 

E como você pretende fazer isso?

Assim como tem aquela frase: "Bahia, o Brasil nasceu aqui". O Triathlon do Brasil nasceu na Bahia. Veio antes do brasileiro, inclusive. Aí, o que é que aconteceu? O primeiro presidente da Federação Baiana de Triathlon, que foi o [João] Calazans [Filho], fundou, junto com Rio de Janeiro e Espírito Santo, a Confederação Brasileira de Triathlon – que era na Bahia, em Ilhéus, desde quando iniciou. Então, primeiro veio a Federação Baiana e depois a Brasileira. E o presidente da Brasileira fundou a Sul-Americana. Assim o primeiro presidente da Federação Sul-Americana de Triathlon era baiano e ele virou vice-presidente Mundial de Triathlon. Foi uma carreira meteórica. Com isso, a gente tinha aqui na Bahia a classificatória para o Mundial de Triathlon. E em todos os campeonatos nacionais, a Bahia sempre estava em primeiro lugar. Só que ao longo do tempo isso foi se perdendo. No ano passado, a gente conseguiu terminar o ano como a terceira federação. Já estamos retomando. E acredito que a gente consegue voltar a ser o primeiro lugar, por várias questões. Acho que fazendo toda essa coordenação, e com o histórico, a gente consegue realmente envolver as pessoas, as empresas e criar uma cultura de desenvolvimento técnico e olhando o esporte. Não apenas no aspecto prático de atividade física, mas levando em conta também que o esporte pode ter o viés de turismo, o viés de educação, econômico – uma vez que você pode capacitar pessoas que podem viver do esporte, como educadores físicos, treinadores. O Meio Ambiente também, você relaciona com o esporte, porque ele é praticado lá fora, na rua. Você tem que ter um cuidado com o mar, tem que ter um cuidado com os outros lugares, e isso desperta esse relacionamento. E um outro aspecto que eu vejo no triathlon é a questão da segurança. Vou dar um exemplo: a Bahia tem uma orla muito grande, então tem populações ribeirinhas. Na Ilha de Itaparica, você vê populações que vivem até do mar e tudo mais. E se você leva o triathlon, as pessoas começam a ficar curiosas, de repente você até impacta essas pessoas para praticarem natação, corrida... E aí vai surgindo, às vezes, oportunidades para elas se tornarem técnicos, treinadores ou montar uma escolinha. Com a prática de natação nessas populações, você vai diminuir o risco de um acidente no mar, como aconteceu em Mar Grande. Lembra que muitas pessoas morreram? Se muitos ali soubessem nadar? Ficou bem pertinho, foi coisa de poucos metros. Então, o triathlon ajuda, sem falar que ele hoje é a modalidade olímpica que mais cresce no mundo. Ou seja, a gente está com todo o cenário positivo, é só organizar o jogo de xadrez.

 

Justamente nessa questão que você falou de fomentar o esporte, a Febatri lançou um novo uniforme que vai vestir os atletas baianos nas competições fora do estado e do país. Esse uniforme está sendo vendido e a renda será revertida para apoiar os atletas nessas viagens, ajudando com inscrições, passagens, hospedagem. Tem outros projetos nessa linha para captar mais recursos?

É como se fosse o licenciamento de marcas. Vamos ter uma linha de produtos. Tem o macaquinho que é esse [que você citou]. Você tem a receita, através de parte do lucro das vendas. A outra é, no macaquinho, você pode colocar o logotipo de um patrocinador, então já é outra forma de receita. O que a gente orienta é que não queremos só colocar uma relação convencional com o patrocinador. "Ah, vou colocar a marca aí, te ajudo...". Não é só isso. A gente orienta os atletas a darem o retorno às empresas, porque não queremos que eles patrocinem uma vez só. A gente quer gerar engajamento para que exista esse hábito de receber e retornar. Então, todos os atletas que adquirirem o macaquinho ou ganharem algum patrocinador, a gente faz um treinamento com eles, uma capacitação de marketing esportivo: "Olha, você tem que dar o retorno, se não, você não vai ter de novo. Você precisa levar o nosso projeto adiante". Então, a gente capacita tanto os atletas quanto as empresas. A gente mostra que existe oportunidades de alto impacto e baixo custo. O licenciamento de marca é um deles, é uma forma de captar recursos. O outro é a promoção de cursos. Nós vamos fazer agora o curso de árbitros nacionais chamado curso da CBtri [Confederação Brasileira de Triathlon]. Esse curso é muito importante, porque primeiro ele capacita profissionais para arbitrarem provas. A Bahia está com um número recorde de árbitros com certificação nacional, inclusive alguns deles arbitraram as Olimpíadas. A capacitação também é muito importante, ou seja, a gente quer dar o melhor aspecto técnico possível. Quando você tem uma prova impecável, você tem que ter bons atletas, tem que ter uma boa parte técnica, as distâncias corretas e tem que ter uma boa arbitragem. Então, as nossas provas estão sendo feitas com árbitros com nível internacional. Nossas provas não deixam a desejar na qualidade técnica a nenhuma prova internacional. Isso acaba atraindo pessoas de fora. No dia 19 vai ter pessoas que vão vir de São Paulo, Recife, Maceió. É isso que a gente está querendo, vamos pela qualidade. Naturalmente, as coisas vão acontecer. Ao invés de ficar chamando para cá, vamos chamar atenção para que as pessoas possam perceber e virem para cá. E é isso que está acontecendo.

 

Seguindo nessa linha de promoverem provas de qualidade para atrair participantes, você também tem algum projeto para trazer uma grande prova do cenário brasileiro para cá, justamente para atrair esse turismo esportivo?

Temos e já fizemos. Inclusive vamos repetir e criar a nossa própria prova nacional. No ano passado, a gente conseguiu captar uma prova que a franquia dela vem da Alemanha. É uma das maiores provas e é concorrente do Ironman, que é o Challenge. A gente conseguiu fazer em Salvador em outubro do ano passado, onde a fechou de Amaralina até Itapuã. Isso já chamou atenção do público. A gente já experimentou um circuito de longa distância dentro de Salvador. Então, as pessoas já estão na expectativa de ter novamente e já está confirmada novamente para esse ano. Talvez, a depender do tipo de apoio que a gente consiga, a gente não sabe se vai ser de longa distância ou se será com uma distância adaptada ou um outro produto, mas a gente vai ter uma prova internacional aqui em outubro, isso já está certo! Vai ser no dia 27 de outubro e vai ser o Challenge. Além dessa prova internacional, a gente está querendo criar a nossa própria, a nossa marca. A Febatri está criando uma prova que vai nascer aqui, mas para atrair o público nacional e até o internacional. Essa prova vai ser um desafio, se chama Dendê Tri, ou seja, vai ser um triathlon com pimenta. Será dividida em dois dias, já começa assim diferente. No primeiro dia, a ideia proposta é largar dentro do ferry-boat, com as comportas abertas, nadar até o Forte São Marcelo, pegar as bicicletas no Distrito Naval, pedalar até a Ribeira, Igreja do Bonfim, Calçada, passando por esses locais, tirando um pouco da Orla, mostrando o esporte para aquelas comunidades. Ou seja, criando algo um pouco diferente, passando por dentro da história de Salvador. Imagine passar uma bicicleta ali pela Igreja do Bonfim? Do Forte de Humaitá? E depois, fazer a corrida pelo lado de lá, por Irmã Dulce, Calçada... Esse seria o primeiro dia. É uma prova que não distâncias regulares e nem Olímpicas. É uma prova promocional, não tem ranking. E essa prova já teria o apoio da Prefeitura. No domingo, a gente apontaria o ferry-boat para Itaparica, aí já é com o apoio do Governo do Estado. Ou seja, a gente estaria unindo todo mundo! Largaria do ferry, nadaria até Bom Despacho, fazia a transição das bicicletas e pedalaria até a Ponte do Funil, o que dá uns 30 e poucos quilômetros, volta aí daria 60 e poucos quilômetros e iria correr em Itaparica, onde teria o desfecho com uma grande festa no final e as pessoas passariam o dia lá. A gente poderia fazer num final de semana com feriado, trazendo pessoas para o turismo de quinta até segunda-feira. Além de ser um forte impacto sobre a Baía de Todos os Santos, Itaparica e Salvador. Por quê a gente criou a ideia do ferry-boat? Por dois motivos, um é pela plasticidade, é diferente ter uma competição dentro do ferry-boat. Já criaria uma mídia espontânea muito grande. Segundo, imagine um ferry-boat, que usa combustível fóssil, está aí há não sei quantos anos, é histórico? A gente queria propor uma agenda positiva para eles. Querendo ou não tem o uso do combustível fóssil. Vamos fazer uma agenda positiva aliando o ferry-boat ao esporte. É essa capacidade que a gente está buscando de alinhar todos os pontos e está todo mundo se unindo, formando e transformando a sociedade.

 

Essa prova seria para esse ano ainda?

A ideia seria fazer uma prova teste para testar o circuito até o final do ano, perto do verão. Para você atrair o público nacional, você tem que ter um ano antes o lançamento da prova para que as pessoas se organizem. Para que os treinadores recomendem aquela prova, para fazer uma periodização de treinamento adequada. A gente não cria a expectativa de lançá-la nesse ano achando que já vai acontecer. Não é. Vai ser um teste, mas nesse teste a gente já vai divulgar para a prova oficial no ano seguinte. Então, com isso a gente quer chamar atenção para o turismo em Salvador, na Baía de Todos os Santos, em Itaparica atraindo pessoas de todo o estado.

 

E vocês pensam em futuramente incluir essa prova no calendário da Confederação Brasileira para também contar ponto para o ranking brasileiro?

Essa prova não teve essa característica por ter dois dias. Dentro do ranking, você tem provas regulares, você não tem uma prova assim com dois dias. Aí seria um ranking único. Dificilmente seria aceito isso. A não ser que um dos dois dias entrasse pro ranking, aí tudo bem. Seria o ranking de triathlon de longa distância. A gente está pleiteando sim que as provas em Salvador e na Bahia sejam válidas como parte do ranking brasileiro ou internacional. Essa prova [Challenge] que teve aqui, no ano passado, classificou para o Mundial da Escócia. Então, a gente busca sim trazer isso. No ano passado, a gente teve uma prova internacional, sul-americana, aqui também, que foi a Camtri, espécie de copa das Américas de Triathlon Sul-Americana. E a gente acabou trazendo pessoas do Brasil inteiro. Sendo assim, no ano passado, tivemos duas provas internacionais.


No Brasil, o Ironman acontece em cinco capitais, sendo que duas são do Nordeste, Maceió e Fortaleza? O que falta a Salvador para sediar essa prova?

É mais estratégias comerciais. Como o Challenge está aqui, temos que ver se comporta duas provas internacionais numa mesma cidade. É possível? É. Depende muito de calendário. Geralmente isso é um caminho a ser construído. Por exemplo, para trazer uma prova do Ironman ou do Challenge é como se precisasse criar um pouco de lastro para isso. Pela quantidade de atletas federados você acaba tendo um posicionamento das empresas: "Olha, ali tem um bocado de atletas. Interessante...". Já houve sim uma conversa para o Ironman vir para Salvador ou Camaçari. Ou seja, nos bastidores, existe já uma conversa, vê potencial para isso. Só precisa mesmo alinhar questões comerciais, questões estruturais, mas já existe sim uma conversa.

 

Quanto tempo mais ou menos para sair?

Acredito que dentro de um ano. Essa é a perspectiva.

 

O que as vezes a gente vê são jovens atletas que começam no esporte, mas por coisas da vida, acabam desistindo e investindo mais em outros projetos e deixando o triathlon profissional de lado. Como manter e motivar esses jovens talentos para que eles permaneçam praticando o esporte e busquem evoluir para se tornarem atletas de elite?

Você precisa de um fomento, de ter um apoio, uma estrutura para esses atletas. E, novamente a gente cai naquela dependência um pouco de empresas privadas e empresas públicas, e até políticas, tanto a Febatri, como eu mesmo com o meu projeto da "Esporte Mundo". A gente tenta criar caminhos para tudo isso. Já fizemos projetos ano passado, apresentamos para a Confederação Brasileira, mas não vingou ainda. Mas vamos usar esse projeto aqui para a Bahia. É um projeto de fomento desses jovens. É um projeto, "A Casa do Triathlon", onde a gente teria uma casa, um local para receber os atletas que teriam um índice técnico e dar todo o apoio de treinamento, equipamento, suporte e ter uma equipe de profissionais. No passado já existia isso de uma forma reduzida. Aqui em Salvador a gente tem um técnico, que hoje é o vice-presidente da Febatri, que é o Fábio Cuba. Ele já foi também técnico da seleção brasileira de triathlon e, como é muito conhecido pela capacidade técnica, acabou atraindo atleta de outros estados para morar em Salvador para treinar com ele. Então, tinha pessoas aqui de Sergipe, do Rio Grande do Sul, da Paraíba, enfim. E ele mesmo que bancava essa estrutura, só que os recursos não deram para manter, os custos foram aumentando e acabou diminuindo, mas ele acabou mantendo o projeto. Agora, está com a perspectiva para voltar. Estamos buscando, através de projetos, captar recursos para criar a "Casa do Triathlon da Bahia". Esses atletas teria capacitação de marketing esportivo. Hoje, a própria fábrica que vai fazer as roupas dos atletas para competições já estão apoiando alguns desses atletas. Já fornecem os macaquinhos de competição, camisas de treinos, bermudas... É algum apoio, já ajuda. Tem atletas nacionais que às vezes tem dificuldade de comprar um tênis, comprar uma bicicleta. E a gente fica tentando, com muito jeito, suprir algumas necessidades mais básicas, até com alimentação, escola e criando formas para que as pessoas possam investir mais nos atletas. A gente já conseguiu patrocinadores para eles. Então, a gente já conseguiu coisas desde o básico até o avançado. Mas a gente quer atingir um público maior. Estamos hoje com dois projetos de escolinha, um que a gente está querendo lançar uma escolinha na Ribeira para atrair o público de lá também, porque querendo ou não, as drogas acabam cooptando e a gente está querendo levar o esporte para aquela região. Além disso, estamos com outro parceiro, que é o Costa Verde Tênis Clube que está cedendo uma estrutura para a gente montar uma escolinha de triathlon ali também que vai atender tanto o público de moradores ali da região de Piatã, Itapuã, quanto o percentual de 30 a 40% ali do Bairro da Paz. Queremos evitar que esses jovens sejam cooptados pelas drogas e tudo mais. Então, projeto tem! Falta um pouco mais de tempo... Tudo que estamos fazendo é um jogo de xadrez, estamos pensando em várias peças. Por isso que é não é só fazer evento, estamos pensando em algo para formar e transformar.


Muitos atletas treinam no campo da UFBA. Além da Casa do Triathlon, você tem algum projeto para construir outro local de treinamento?

Talvez num segundo passo, porque a gente prefere estar buscando com parceiros públicos, como nesse caso, criar esses equipamentos e melhorar os que já existem, para que todos possam fazer seus treinamentos. A pista ali da UFBA é um deles. Existe projetos da prefeitura daqui para criar outras pistas de treinamento. Tem também a pista do Exército, tem uma série de coisas ali. A gente quer que tenha mais equipamentos. 

 
Várias provas de corridas estão acontecendo em Salvador nos últimos anos. Inclusive, alguns dos atletas amadores até se aventuram em algumas provas de triathlon, como captar mais participantes das provas de corrida para o triathlon?

Essa é uma das nossas pautas. A gente já está fazendo isso. O triathlon envolve três modalidades, natação, ciclismo e corrida. Mas o triathlon não só tem prova que obrigue a fazer as três apenas. Existem variações do traithlon, uma delas é o Aquathlon, que é correr, nadar e correr, ou nadar e correr. Existe o Duathlon, que é pedalar e correr. Existe o Aquabike, que é nadar e pedalar. Existe o Crosstriathlon, que é nadar, pedalar e correr, mas no mato, na areia, na terra, que é o X-Terra, que vai ter nos dias 8 e 9 de junho. Então assim, existem as variações e o que a gente está buscando é fazer esses tipos de provas que envolvem duas modalidades apenas em distâncias reduzidas para poder atrair a pessoa que corre. "Poxa, vai ter uma provinha aqui, um festival, vá correr um pouquinho, experimente e tal". Então, a cada prova principal que a gente faz, a gente coloca uma prova secundária. Para essa prova que vamos ter agora no dia 19 de maio, o Triathlon Piatã, vamos ter a prova principal que é a de triathlon, que começa 6h. Às 8h30 vamos ter uma prova chama Fast Aquathlon, que é apenas nadar e correr. Então, as pessoas que não tem bicicleta, apenas correm, podem se arriscar. Ele vai correr 1km que é pouquinho, nadar 500m que é uma bobagem e depois vai correr 1km. E o Aquathlon tem sido a porta de entrada para o triathlon. Com isso, a gente começa a impactar corredores, nadadores e ciclistas. Essa é a nossa estratégia, temos as provas principais, mas temos as provas secundárias com distâncias reduzidas onde as pessoas começam a experimentar, começam a vivenciar aquele clima. E, um dos diferenciais em relação às corridas, é que no triathlon a gente tem a premiação por categorias, coisa que não acontecem nas corridas. Por exemplo, nós temos a faixa de cinco em cinco anos, de 20 a 24, de 25 a 29, de 30  a 34... Com isso, você reconhece os campeões daquela faixa etária e estamos investindo na premiação. Mesmo sem patrocínio, estamos buscando ter uma premiação pecuniária em dinheiro, porque a gente quer mudar essa cultura. Tem pessoas ali que investem seu dinheiro, tem seu tempo, são profissionais muitas vezes. Por que não tem uma premiação em dinheiro? Nem todas as corridas tem. Então a gente está tentando assim, achar como funciona, tentar incentivar com que todo mundo faz isso. Além da premiação em dinheiro, através de parceiros, conseguimos algumas coisas interessantes. Por exemplo, os campeões ganham premiação pecuniária, ganha a inscrição da próxima etapa e ganham brindes. Que brindes são esses? A gente conseguiu na prova de Inema e nessa de agora também, o campeão vai ganhar um final de semana em Costa do Sauípe. Vai entrar na quinta e sair no domingo. É uma experiência incrível! Com isso, a gente acaba gerando uma entrega para o nosso cliente, digamos assim, que é o atleta, possibilitando ele levar a família: "Poxa, gostei do triathlon! Vou te levar para a próxima". Temos também o Triathlon Kids com distâncias variadas, de 3 a 13 anos. Nós temos também uma carteirinha do triathlon. Todo atleta tem uma carteirinha com o tipo sanguíneo, um logotipo de um patrocinador estratégico, ou seja, a Febatri está buscando parceiros estratégicos. Uma delas é a Asics, que é marca mundialmente conhecida. O atleta federado tem essa carteirinha e com essa carteirinha ele compra um produto Asics com 20% de desconto. Em uma compra que ele faça, já pagou o valor da federação do ano todo. Ele também tem desconto em lojas de ciclismo para lavar a bicicleta, fazer manutenção, lojas de material esportivo, nutricionistas... Tem mais de 30 parceiros. Então, a gente acaba criando um clube de benefícios, uma gestão diferente. Estamos enxergando como um grande entretenimento e não ficar preso apenas à realização de provas, vamos mostrar que o esporte vai ajudar na sua vida. É essa a mensagem que queremos passar.

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