Sexta, 11 de Janeiro de 2019 - 11:10

Enderson admite que tem responsabilidade maior: 'O Bahia vai ser ainda mais exigido'

por Ulisses Gama

Enderson admite que tem responsabilidade maior: 'O Bahia vai ser ainda mais exigido'
Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

Desde junho de 2018 no Bahia, Enderson Moreira encerrou a última temporada com moral. Aprovado pela torcida tricolor, o comandante renovou o seu contrato e agora, começando um novo trabalho, tem uma missão: fazer com que o Esquadrão de Aço consiga melhores resultados em 2019. Segundo o treinador, a responsabilidade aumenta, principalmente depois de ouvir elogios do pentacampeão Luiz Felipe Scolari e de Tite, atual técnico da Seleção Brasileira. "Isso traz coisas boas, satisfação, mas eleva o nosso nível de exigência, cobrança. Tenho muito na cabeça que essa responsabilidade vai ser maior", declarou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

 Com seis jogadores contratados até o momento, Enderson Moreira acredita que o clube conseguiu adquirir bons valores para as competiçoes do novo ano. "No primeiro momento, a gente atuou bem nessa questão de ter buscado atletas com atributos interessantes para esse grupo", explicou o técnico, que também falou sobre variações táticas, equipe sub-23, perdas de atletas e o objetivo de conquistar a Copa do Nordeste. A estreia será na próxima quarta-feira (16), contra o CRB, na Arena Fonte Nova. Confira a entrevista completa: 


Primeiramente, fale sobre o seu sentimento em seguir no Fazendão...

Fico feliz pela oportunidade de dar sequência ao trabalho. Você chega num clube no meio de uma temporada e o que você mais espera é que as coisas saiam bem para poder iniciar um trabalho no ano seguinte. A decisão de sair do América-MG, clube que tenho identificação, foi em função do que o Bahia me apresentou de proposta e eu visualizei uma possibilidade de mostrar meu trabalho. Demos passos bons. As atuações foram melhores que os resultados, deixamos escapar coisas que a gente merecia. O Bahia vai ser ainda mais exigido, mas com a expectativa de uma grande temporada.

 

O estilo de jogo do Bahia recebeu elogios de Felipão e Tite. A responsabilidade fica maior ainde neste ano?
É claro que a gente fica sempre feliz com o reconhecimento. Isso traz coisas boas, satisfação, mas eleva o nosso nível de exigência, cobrança. Tenho muito na cabeça que essa responsabilidade vai ser maior. Todo mundo espera que o Bahia jogue melhor do que o ano passado.

 

O que falar sobre 13 dias de pré-temporada? Como avalia a forma dos atletas na reapresentação?

A questão dos 13 dias é que é pouco tempo para pegar os atletas que estão chegando para entender a ideia de jogo. A gente tem recebido, nos últimos anos, atletas em condiçoes melhores. Os atletas se apresentaram em uma condição física boa e isso nos ajuda muito a encurtar esse trabalho. Eles já conseguiram antecipar uma grande parte daquilo que estava preparado porque eles se apresentaram em uma condição muito boa.

 

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

 

Em sua última entrevista coletiva no ano passado, o senhor falou sobre a importância de contratar atletas com atributos diferentes para variar o jogo. Está satisfeito com as contratações?

Acho que a gente conseguiu trazer jogadores com um perfil diferente, atletas com características que podem nos ajudar e o Bahia tem que estar aberto a boas possibildiades de mercado. No primeiro momento, a gente atuou bem nessa questão de ter buscado atletas com atributos interessantes para esse grupo.

 

A maioria das contratações até aqui tem sido de meias, jogadores que atuam pelos lados do setor ofensivo. Sinal de mudança na formação tática?

A gente tem algumas variações, possibilidades, não gosto de jogar de uma forma. Essas padronizações de números [4-2-3-1, 4-1-4-1...] variam durante o jogo. Estamos acima dessa padronização. É uma ideia de jogo que estamos desenvolvendo. Que a gente possa ter uma equipe competitiva, com posse de bola, agressividade e que busque a ofensividade durante o jogo.

 

Os jogadores que chegaram vão conseguir repor as saídas de Zé Rafael e Edigar Junio?

Cada jogador tem suas características. Esses atletas são de capacidade, nos ajudaram muito, mas como qualquer outra equipe é normal essas saídas. Espero que a gente tenha trazido jogadores que supram essas saídas. Que eles possam ser eficientes e que o Bahia mantenha o nível.

 

Foto: Felipe Santana / EC Bahia

 

O Bahia irá disputar boa parte do Campeonato Baiano com o sub-23. Acredita que os jovens podem fazer um bom papel?

Acho que o Bahia vai ser competitivo. A gente precisa fazer uma ótima pré-temporada e tem uma coisa clara: a gente não consegue fazer com que os atletas façam muitos jogos seguidos. É uma coisa normal. Quando a gente percebe uma queda técnica e física, a gente tira de uma determinada partida. Um outro atleta entra com as suas capacidades ótimas para desempenhar a sua função. Para mim e para eles é natural. Não tivemos dificuldade de mostrar isso.

 

Apesar das saídas, o Bahia conseguiu manter boa parte do elenco. Até que ponto isso será importante?

Quando você pode trazer atletas novos, fica menos difícil montar uma equipe com uma base. É isso que temos como pensamento. Esses atletas que estão chegando vão participando, entendendo como acontece, para que a gente possa ter essa equipe com um nível qualificado.

 

Está ansioso para a bola rolar?

É claro que a gente fica ansioso, pensando muito em como a equipe vai se portar nesse primeiro instante. Temos um jogo difícil contra o CRB, o Roberto [Fernandes, técnico] sempre faz grandes trabalhos e ele virá com a estratégia bem montada. A gente quer muito ter esse contato com o torcedor. Que a gente possa começar bem a temporada. Sabemos que teremos dificuldades, mas que a gente tenha capacidade de superação e que a gente deixe o torcedor entusiamado.

 

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

 

Com a derrota na final da Copa do Nordeste no ano passado, o Bahia entra mordido, com mais vontade para conquistar o regional deste ano?

Tinha acabado de chegar, era pouco tempo. A equipe estava em um momento de desgaste enorme, é importante que as pessoas possam reconhecer. Só para você ter uma ideia, o Sampaio acabou rebaixado. Não sei se valeria a pena a gente conquistar a Copa do Nordeste e estar em outra situação. Depois daquela derrota, mudamos a maneira de jogar, os atletas entenderam... Às vezes uma conquista te ilude, te acomoda, faz com que você tenha uma sensação de que tudo está bem. Doeu, queríamos entregar uma conquista para o torcedor, mas foi importante no sentido de buscar outro caminho. Uma derrota só é derrota quando não se tira nada dela. Essas lições foram importantes para a nossa sequência.

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