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Terça, 07 de Novembro de 2017 - 11:00

Vice-campeão da Copa do Mundo, Allan do Carmo faz balanço da temporada e mira 2020

por Leandro Aragão

Vice-campeão da Copa do Mundo, Allan do Carmo faz balanço da temporada e mira 2020
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

A fala mansa e tranquila contrasta com a velocidade e resistência dentro das águas nas provas de Maratonas Aquáticas. Em 2017, temporada seguinte às Olimpíadas Rio-2016, o nadador baiano Allan do Carmo começou o ano preguiçoso, mas embalou um ritmo forte a partir de agosto e conseguiu uma boa arrancada terminando a Copa do Mundo da modalidade no segundo lugar do ranking. Allan esteve na redação do Bahia Notícias e na entrevista fez um balanço do seu ano, falou da expectativa do início de um novo ciclo olímpico e não fugiu de temas espinhosos, como as prisões de Coaracy Nunes, ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), e de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

 

Para começar essa entrevista, gostaria que você fizesse um balanço do seu ano de 2017.

Foi um ano pós-Olimpíada e a gente teve quatro anos passados muito desgastantes. Foi um ano em que tentamos voltar ao cenário do circuito internacional. O começo do ano foi bem difícil, para mim, para voltar ao ritmo. Mas eu consegui me classificar para o Mundial (disputado em Budapeste, no mês de julho). Não cheguei a ter meus melhores resultados lá, mas depois do Mundial, em que fiz uma sequência de competições, fui para as etapas da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas, para as Universíades. Depois que peguei essa sequência de competições, eu consegui voltar ao ritmo de treinamento e de competições muito bons. E aí que eu comecei a ter melhores resultados. Agora na China, foram as duas últimas etapas, onde consegui meus melhores resultados. Foram sete etapas no ano da Copa do Mundo e nestas três últimas consegui subir no pódio, no Canadá eu fiquei em quarto, depois fiquei em segundo e em terceiro na China, finalizando em segundo na pontuação do ranking. Eu cheguei muito atrás do segundo colocado, mas eu consegui tirar 30 pontos de diferença. Nestas duas últimas etapas, dos 40 pontos em disputa, consegui somar 34, finalizando o circuito muito bem.  

 

Como foi essa reta final da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas? Até chegar no Canadá, você estava no 11° lugar e depois começou a crescer, até terminar o ano com o vice-campeonato. A que você atribui essa recuperação?

Foi essa sequência de competições, de voltar ao ritmo. Do Mundial para o Canadá (etapa da Copa do Mundo) e Universíades, eu passei dois meses junto com a seleção brasileira, treinando com outros atletas, com as pessoas fortes ali do lado e isso trouxe uma competitividade maior e um clima melhor. Sempre que eu passo por sequências de competições grandes assim, eu cresço muito. Então, acho que dessa vez não foi diferente. Eu nadei três provas no Mundial, os 10 km, 25 km e o revezamento. Aí depois eu fui para o Canadá e nadei duas provas de 10 km, aí fui para Taipei (na China) e nadei mais uma prova de 10 km, ficando em quarto lugar nos Jogos Mundiais Universitários. Depois dessa sequência e quando cheguei aqui no Brasil, cheguei muito bem também, treinando muito bem. Então, acho que depois dessa sequência de competições entrei num ritmo e num clima muito bom, tanto nos treinos quanto nas competições. Essa foi a faísca que estava faltando.

Allan do Carmo na premiação da última etapa da Copa do Mundo de Maratonas Aqutáticas | Foto: Divulgação

 

E qual é a sua expectativa para 2018, depois desse crescimento nesta reta final de Copa do Mundo?

Agora tem aqui em Salvador dias 16 e 18 de novembro, as duas últimas etapas do Campeonato Brasileiro. Neste ano, não cheguei a fazer o circuito brasileiro, mas vou nadar essas duas últimas etapas, que é dentro de casa, em Inema. E pode ser que elas sejam seletivas para o Campeonato Sul-Americano, está dependendo de uma confirmação da organização. Vai ter também a Maratona Aquática de 2.600 metros, mas eles estão tendo algumas dificuldades. No ano que vem vou entrar novamente no circuito, já que nesse final de ano a gente terminou bem. É tentar tirar umas férias e tentar manter. Ainda em dezembro tem o Rei e Rainha do Mar (no Rio de Janeiro), que é uma prova bem tradicional aqui no Brasil. Depois, tirar um período de férias para descansar um pouco o corpo, que é importante, e começar 2018 bem no circuito, poder começar melhor, já que neste ano meu início não foi tão bom quanto poderia ser. Eu estava marcando mais pontos no final e faltaram oito para eu ser campeão. As três primeiras provas ali foram cruciais, porque eu perdi muitos pontos, que eu poderia ter chegado ao título. No final, quando fomos analisar percebemos isso. Então, temos que começar bem o ano e é um ano que vai ter o Pan-Pacífico no Japão, que é onde vai ser a próxima Olimpíada, e é importante já estarmos competindo lá, para sentir um pouco como pode ser em 2020. Então, neste período até o Pan-Pacífico em julho, vamos ter algumas seletivas. Vão ter também os campeonatos sul-americanos. Então é tirar essa folga para poder começar o ano bem e não perder esses pontos que no final pode contar bastante para um título.

 

Antes de começar a crescer na Copa do Mundo, você veio de uma decepção no Campeonato Mundial de Budapeste, em que terminou a prova dos 10 km em 29°. O que foi que aconteceu ali para você ter tido esse resultado?

O Mundial foi muito difícil para mim, mas acho que foi por causa daquele início que já falei. Eu ainda estava engatando, engrenando. No Mundial também, principalmente nas provas dos 10 km, eu tentei fazer uma prova mais agressiva e acabou não dando certo. Nas outras etapas, eu já comecei a mudar um pouco, a sair dessa agressividade, começar mais tranquilo e poder crescer no final. Então, o Mundial acabou sendo para mim um teste, né? Uma volta a competir em alto nível. Foi uma prova que me senti muito bem no início, tanto que nadei na frente, mas no fim senti um pouco. Foi uma prova de teste que eu tive e que acabou encaixando mais nas outras provas. Então, o Mundial foi um resultado que eu queria ter feito melhor, mas também foi muito importante para encaixar nas provas seguintes.

 

Chegou a te abalar ou você esteve sempre tranquilo com relação ao seu potencial? Porque depois, quase na sequência, pois o Mundial foi em julho e menos de um mês depois você foi pro Canadá e iniciou a escalada rumo ao 2° lugar?

Quando a gente pega o resultado, vê que não foi uma posição boa, mas quando a gente para pra analisar, destrincha a prova tecnicamente. Eu, meu treinador e as pessoas que estavam assistindo, vimos que tiveram muitos pontos positivos ali na prova do Mundial. Foi isso que não tirou o ânimo, além de que foi uma prova muito disputada, que mesmo chegando em 29º lugar, eu cheguei 40 segundos atrás do primeiro, sendo que o sexto chegou 20 segundos atrás do vencedor. Então, do sexto ao 29º foram 19 segundos, isso mostra que eu estava em condições competitivas. Quando analisamos, também vimos que eu comecei um pouco mais forte e a gente foi encaixando isso nas outras provas e foi se confirmando. Então, a gente teve uma sensibilidade de pegarmos os pontos positivos e os negativos, ajustamos isso nas outras provas e foi dando certo. Vimos que a análise que a gente fez foi se encaixando nos outros resultados e agora nessas duas últimas provas, foram níveis muito fortes, se confirmou. Então, a gente saiu mais feliz por ter ajustado, conseguir analisar os erros, ter consertado e de ter vindo o resultado, principalmente.

 

Na segunda quinzena de novembro acontecerão as etapas do campeonato Brasileiro e Copa Brasil, inclusive elas serão aqui em Inema, e em dezembro tem a Travessia da Baía de Todos os Santos. Você vai participar? O ano ainda não acabou para você?

Não. Não vou participar da Travessia Baía de Todos os Santos, porque vai ser no mesmo dia do Rei e Rainha da Praia, lá no Rio de Janeiro.

 

Claro que ainda faltam três anos para as próximas Olimpíadas, mas você já começou a pensar em Tóqui 2020?

O objetivo principal é participar das Olimpíadas de 2020, tanto que desse ano até a fase de tanta cobrança, de não ter um bom resultado no Mundial, a gente não chegou a se cobrar tanto. Analisamos, vimos que tinha muitas melhoras, fizemos uma prova diferente, mais agressiva para ver o que dava. Esse ano era um ano mais para estar ali se mantendo competitivo e tudo para a partir do ano que vem encaixar melhores resultados para 2019, que é o ano da seletiva, a gente está já naquele gás todo e não poder tá errando. Então, esse ano foi mais tranquilo já que nosso foco e objetivo hoje já é está classificando para a Olimpíada no Mundial de 2019, que será na Coreia. Esse é o objetivo principal, é o ciclo olímpico, classificar para mais uma olimpíada, estou chegando para a minha terceira. E a gente vai caminhando a cada dia, dando os passos. Principalmete agora no final (de 2017), a gente vê que quando encaixamos direitinho, eu ainda estou competitivo, estou chegando ali junto com os melhores e ganhando confiança para que esse sonho seja cada vez mais possível.


Você foi bronze no Mundial de Barcelona em 2013, depois foi prata em Kazan 2015. O que acontece nas Olimpíadas ou o que falta para você ganhar uma medalha olímpica?

Essa é uma pergunta muito difícil, né? (risos). O que é que falta assim? A gente vem sempre tentando melhorar a cada dia e Olimpíada é aquela competição que tudo acontece, tem favoritismo, tem toda a pressão, tem tudo e envolve muitas coisas. Não é uma receita de bolo, né? (risos). Se fosse uma receita, acho que teria mais. Então, a gente vem sempre fazendo o melhor trabalho possível, treinando, se dedicando, abdicando de muitas coisas para fazer o melhor. Eu sempre venho buscando dar o meu melhor, dar os meus melhores resultados, treinar da melhor forma possível para chegar a esse nível de conquistar uma medalha olímpica, um ouro, uma prata ou um bronze, seja lá qual for ou dando o meu melhor resultado possível. Então, acho que vontade, atitude e coragem isso não falta. A gente tem que chegar lá na Olimpíada na melhor forma e condição física possível e fazer o melhor. Se vier com medalha, acho que o objetivo é esse, é chegar lá para conquistar uma medalha.

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

A CBDA ou a FBDA te ajudam em alguma coisa, ou o papel delas fica restrito à organização das competições, auxílio nas competições internacionais?

A gente tem um apoio muito grande da Confederação. Todo esse circuito internacional que a gente fez, da Copa do Mundo e do Mundial foi com o grande apoio que eles deram. Tanto a CBDA quanto o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) deram um apoio muito grande neste ano na Maratona Aquática. Nos outros anos também deram apoio, tanto que a gente vem fazendo o circuito mundial desde 2007. Então, eles tem um papel muito importante nessa parte da seleção brasileira, de nos levar para competir em outro nível em competições internacionais, mantendo a gente competitivo e mostrando a força do Brasil lá fora.

 

Como é esse apoio? Qual é a forma desse apoio que a CBDA dá aos atletas?

Eles dão apoio das competições, de nos levar para essas etapas e campeonatos internacionais. Às vezes eles  também dão estrutura de treinamento em altitude ou conforme o planejamento anual. A partir do momento que a gente é chamado para a seleção, existe o coordenador que faz o planejamento anual, vê as necessidades, vê também quais são as competições-foco, as competições mais importantes e junto com os treinadores, elaboram uma programação e falando: "Olha, nós temos condições de fazer isso, isso e aquilo". E eles encaminham a gente, no caso desse ano, para as etapas da Copa do Mundo em que o Brasil fez todas as etapas e teve o Campeonato Mundial. No ano passado, nós fizemos dois treinamentos de altitude, participamos das etapas da Copa do Mundo também. Chegamos a fazer treinamentos na raia em Copacabana, no Rio de Janeiro. Então, tivemos uma estrutura boa no ano passado também.

 

Eles também te acompanham nos seus treinamentos para competições nacionais ou só te apoiam nos treinamentos para as competições internacionais?

Toda a parte do treinamento é meu treinador. Eles passam toda a programação, a gente busca saber qual é a competição-foco e aqui nós fazemos todo o planejamento, para poder participar das seletivas. Aqui eu também tenho meus patrocinadores que bancam toda a minha estrutura com os profissionais que trabalham comigo, que são muitos e toda a minha estrutura física de treinamento, de fisioterapia, parte psicológica, nutricional, assessoria de imprensa. É uma equipe grande que a gente tem aqui com os meus patrocínios pessoais. A Confederação dá a estrutura de competições internacionais.   


Recentemente, o governo federal acenou com um corte de 87% do orçamento do para o esporte para 2018, correndo o risco do programa Bolsa-Atleta até acabar. Acredita que se esse corte for aprovado (porque ele ainda foi encaminhado à Câmara dos Deputados), vai afetar o desempenho dos brasileiros nos Jogos
de Tóquio em 2020?

Com certeza! O Bolsa-Atleta é um programa bem completo, porque ele não só contempla os atletas que tem  possibilidade de ir para as Olimpíadas de Tóquio e sim atletas que tem possibilidade de ir para 2024, 2028... Ele tem a categoria estudantil, a categoria nacional que pega atletas de base que já estão em campeonatos brasileiros que são menores de idade, tem a categoria internacional que são atletas campeões sul-americanos, tem o nível olímpico e o Bolsa-pódio. Então, ele é um programa muito completo que não só contemplava os atletas de alto nível. Vai ser uma perda muito grande, porque como hoje no Brasil a gente não tem uma estrutura física muito boa de, por exemplo, você chegar aqui em Salvador e ter um clube que tenha um fisioterapeuta, um preparador físico. Você não tem. Se você tem um filho que quer competir, você acaba tendo que custear isso. E o Bolsa-Atleta era incentivo para esses  atletas que recebiam para custear isso, as viagens que são caras. Então, acho que vai ser uma perda muito grande, não só de grandes atletas que já estão propícios a ir para as Olimpíadas, mas também para os atletas da base, pensando no futuro. Isso vai impactar muito no esporte brasileiro não só para as Olimpíadas de 2020, 2024 e 2028. Daqui para frente vai perder muitos talentos, já dos poucos que a gente tem. Vai ser uma perda muito grande, porque esse programa tinha um papel muito importante no esporte brasileiro desde que começou. 

 

Como você vê os programas Bolsa-Atleta? Porque segundo o iatista e presidente da Federação Internacional de Vela, Torben Grael, o Bolsa-Atleta beneficia muitas pessoas que não deveriam receber. Para ele, esse incentivo deveria ser destinado aos jovens atletas em início de carreira e sem apoio de clubes e patrocinadores. Já o Bolsa-Pódio, ele é favorável que seja mesmo destinado aos atletas de alto nível. Você concorda com ele?

Eu não entendi bem a declaração dele. Ele deve estar falando de atletas mais específicos, como de vôlei que já tem recursos grandes... É uma questão a ser discutida, né? Porque é um programa que, até em termos de lei, para você restringir é difícil. É uma coisa muito específica o que ele fala de chegar em pessoas que não deveriam receber. Para você chegar em restringir um tipo de atleta, um tipo de coisa, acho que tem uma dificuldade maior. Não sei em que relação ele está falando, mas eu concordo com ele que o programa é muito importante e tem que chegar a esses atletas da base. E também, o Bolsa-Pódio tem um papel muito importante para a gente, porque querendo ou não a gente não tem uma estrutura de clube. Então, se hoje eu tenho um fisioterapeuta, um nutricionista, um psicólogo, um treinador, um massagista, um preparador físico, assessoria de imprensa, são sete profissionais qualificados que eles trabalham e eu tenho que remunerá-los de alguma forma, mesmo que seja pouco, as vezes é uma coisa simbólica, as vezes é uma troca, mas de alguma forma eu tenho que ter e isso custa muito caro. Aí as pessoas falam: "Ah, atleta ganha muito", mas gasta muito. Se eu pudesse ter esses profissionais num clube que me contratasse, me pagando muito menos do que eu recebo no Bolsa-Pódio, mas que eu não tivesse esses gastos, meu ganho seria muito maior do que manter essa estrutura. E outra coisa, meu fisioterapeuta trabalha no lugar dele e eu tenho que ir até lá para fazer a fisioterapia, meu psicólogo já é lá em outro lugar... Enquanto que se eu tivesse uma estrutura num clube, teria tudo num lugar só e ia ganhar em tempo, em muitas outras coisas. Se eu não recebesse o Bolsa-Pódio e ter essa estrutura toda já garantida, fechada, seria uma coisa muito interessante para mim. Mas já que não tem condições de ter uma coisa assim, o Bolsa-Pódio tem um papel fundamental nisso aí, ainda mais a gente aqui no Nordeste que não tem tanta estrutura de clube e nem uma coisa voltada para o esporte, os recursos são mais escassos. Acho que entra aí um pouco na parte que ele falou de chegar nas pessoas que precisam, de ter uma avaliação maior para chegar nas pessoas que não tem tanta estrutura assim, que tenham uma necessidade maior dos recursos. 

 

Você poderia fazer um comentário sobre a prisão do presidente da CBDA, Coaracy Nunes, por desvios de verbas públicas, que aconteceu em abril e foi liberado em junho, mas com o uso de tornozeleira eletrônica, enquanto aguarda julgamento?

É isso, eu não estive muito a par dessa parte. Eu não cheguei a acompanhar muito a situação, as vezes ouvia que era tantos milhões, daqui a pouco eram outros tantos milhões, a gente ouvia uma coisa, ouvia outra, então não cheguei a me aprofundar muito. Então, a gente ouvia muita especulação de estar no meio e até de pessoas que acompanham que estavam próximas, ouvia informação de um, de outro e a gente acaba sem saber o que de fato levou a isso. Então, eu prefiro até não comentar para não falar nada injusto. O que eu posso falar é que pelo fato de ter acontecido a prisão, esse ano foi um ano de eleição, então teve uma demora muito grande que foi até prejudicial para nós atletas, porque a eleição acabou sendo muito próxima do Mundial, então foi meio que conturbado. O candidato da oposição (Miguel Cagnoni) venceu e ele pegou as coisas em andamento. Foi uma coisa que a gente ficou por muito tempo, de janeiro a maio, sem saber como seria o calendário, sem saber de quando seria a seletiva ou o que ia acontecer. Isso para a gente foi mais angustiante para a gente treinar mais focado com essa indecisão. Vai pro Mundial ou não vai? Vai ter verba ou não vai? Para mim, atleta, eu vivenciei mais essa agonia do atraso e de saber se a gente ia para a Copa do Mundo. Se o COB ia apoiar... Então isso foi mais a parte que eu, como atleta, vivenciei.

 

E sobre o futuro da CBDA, com essa nova direção, qual é a sua expectativa?

Desde o Mundial e a eleição, a gente já vem tendo um contato muito grande com eles, até porque eles estão pedindo uma compreensão muito grande dos atletas e dos treinadores pela dificuldade que eles vem passando. De estarem pegando uma coisa nova que meio conturbada nessa transição. Teve um corte muito grande de verba de patrocínio de 60% ou mais. Então, eles estão com os recursos muito limitados e vem pedindo uma compreensão, tendo contato com o atleta. Claro que no ano passado a gente teve muito mais apoio, pela questão de ter muito mais recursos voltado para a Olimpíada, mas pelo menos na Maratona Aquática, a gente não deixou de ir para as principais competições, para o Mundial, não deixamos de ir para nenhuma das etapas da Copa do Mundo, principalmente agora que a gente foi para o Canadá e depois para a China, sempre ali com os recursos limitados, sempre pedindo compreensão de que não seria do mesmo jeito. A gente vem tentando um se ajudar ao outro para que isso volte a funcionar da melhor forma possível, para que eles organizem a casa, porque hoje não está da forma ideal, da forma que eles querem e nem da que a gente quer, ams só com nossa ajuda que isso vai melhorar. Então, acho que eles estão sendo bem claros, tentando passar e deixar os atletas a par de toda a situação, de tudo que está acontecendo, tentando fazer da melhor forma possível, mais transparente possível para que tenha a compreensão de todos e todos estejam se ajudando, pois a união faz a força.

    

E sobre a prisão de Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do COB, como foi para vocês atletas? Atrapalhou em  alguma coisa?

A acusação dele é diferente. Não tem nada relacionado com ele no COB, foi na Rio-2016. Quando a gente viu a notícia, foi antes dessa viagem (para a Ásia nas últimas duas etapas da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas), ficamos com medo de ter alguma coisa, porque a gente ia viajar com o apoio do COB e não tínhamos recebido as passagens, mas não impactou sobre nós atletas. Ele (Nuzman) fez a carta pedindo para sair e agora a Justiça está avaliando isso dele. Em relação ao COB, que agora está sob nova direção não chegou a afetar nós atletas. Nós fomos para a China com todo o apoio do COB. Tudo o que eles prometeram e falaram que iam passar para a gente, deram toda a estrutura. Estivemos em contato direto com Marina Canet, que cuida da equipe de Maratonas Aquáticas pelo COB, sempre passando os resultados e ela comemorando pelo investimento que fizeram na gente e tiveram retorno. Pelo que a gente vê de fora, como não estamos lá dentro, vemos que tudo está se encaminhando conforme as coisas. Pode ser que tenha tido algum impacto em alguma coisa, mas que não estão deixando passar para nós atletas, nos deixando mais tranquilos quanto a isso, porque querendo ou não você fica com um pouco de receio do que pode acontecer. O COI anunciou até que se ele não renunciasse, teria alguma sanção, mas como ele saiu, tudo se manteve normal para nós atletas. E tudo ocorreu conforme planejado e acertado. Eles ajudaram muito, além até do que foi passado anteriormente. Se não tivesse tido o apoio deles, não seria possível toda equipe ter ido para a China e levando toda a estrutura.

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