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Entrevistas

Entrevista

Gabriel Oliveira

Gabriel Oliveira

Por Maurício Naiberg

BN - Conte um pouco como entrou nos Imbatíveis e quando foi isso?
Gabriel Oliveira – Eu entrei na torcida em 1999, na época em freqüentava estádio e ia em quase todos os jogos do Vitória, e gostei. Eu conhecia Os Imbatíveis à distância, pois ficava na Leões da Fiel e tive o interesse de conhecer a torcida, porque via a animação da galera. Quando eu entrei não sair mais. Isso no Campeonato Brasileiro daquele ano.  

BN - Existe um registro e um estatuto da torcida?
Gabriel Oliveira – Existe sim e funciona como a maioria das torcidas. Temos eleições de quatro em quatro anos.

BN - Como foi a transição da presidência de Fábio, um dos fundadores da TUI, para você?
Gabriel Oliveira – Eu já exercia o cargo de vice-presidente de Fábio e chegou o tempo dele, pois ele já estava na torcida desde a época da fundação. A galera é muito grata ao que ele fez por todos. Só que chega uma hora que todo mundo desgasta. A minha hora vai chegar também e todos nós parabenizamos ele por ter sido homem ao ter entregado o cargo tranquilamente. Depois da saída dele teve uma reunião entre os diretores e eu fui escolhido o presidente.

BN - A torcida é formada por comandos. Como funcionam e quem os dirige?
Gabriel Oliveira – A gente usa os comandos para manter uma ligação entre a diretoria e seus componentes. Nós temos uma diretoria que organiza a torcida e colocamos um líder em cada bairro, que chamamos de comandos. Temos reuniões com os esses líderes para conseguir manter a organização entre os grupos. Esse líder também terá a função de transmitir a palavra da diretoria para todos desses bairros.

BN - Existe muita briga entre os integrantes por causa de algumas rivalidades de bairros?
Gabriel Oliveira –
Não, existem alguns conflitos, mais por opiniões, mas nada que coloque a organização da torcida em dúvida. Tem alguns conflitos como acontecem em famílias, empresas. Apenas divergências de opiniões, mas nenhuma rivalidade entre a gente.

BN - Qual a relação da TUI com as outras torcidas organizadas do Vitória?
Gabriel Oliveira –
De respeito, só. Não temos nenhuma ligação, a única torcida que a gente tem contato é a Viloucura.

BN - Quantos mil associados têm Os Imbatíveis e como vocês mantém a sede em funcionamento?
Gabriel Oliveira –
A TUI tem em torno de cinco mil associados. Sobre o funcionamento, a gente arrecada com mensalidade, festas e eventos que fazemos na sede, como a transmissão de partidas ao vivo no bar daqui da sede e venda de materiais. Basicamente isso, pois não temos nenhum patrocínio.

BN - Você viaja para maioria dos jogos do leão. Como consegue arcar com as despesas dessas viagens?
Gabriel Oliveira –
Então. Nós trabalhos todos os dias da semana, todo o mês. Vendendo, produzindo novos materiais, fazendo eventos, como festas de aniversários e eventos no bar daqui, quando o Vitória joga fora de casa.

BN - A TUI tem fama de ser uma das torcidas mais violentas do nordeste. Você concorda?
Gabriel Oliveira –
Eu concordo que existe sim violência, como ocorre em qualquer lugar. A gente movimenta muitas pessoas, e aonde tem muitas pessoas, tem pessoas de bem e de má índole. Não que a gente trabalhe isso. A gente não trabalha para ser uma torcida violenta, mas acontece que tem pessoas violentas como existe em qualquer lugar. A gente não tem preconceito com quem é violento e quem não é. Nós só queremos que essas pessoas que usam da violência não queimem nosso filme. Se ocorrer do uso da violência, nós afastamos essas pessoas.

BN - Há relação das torcidas organizadas com facções criminosas?
Gabriel Oliveira –
Que eu saiba nenhuma ligação.

BN - Muitos membros da torcida praticam artes marciais. Essa prática pode incentivar cada vez mais a violência?
Gabriel Oliveira – Não, pelo contrário. Qualquer academia de Jiu-Jitsu que você for e tiver um professor preparado, ele proíbe que qualquer aluno dele brigue na rua. Nós temos um professor aqui na torcida, que é de qualidade. Ele dá aulas em outras academias e não incentiva a violência na rua. Isso ele deixa bem claro: pessoas que são pegas praticando a violência na rua são afastadas da academia. Então a nossa intenção de colocar esportes aos integrantes da torcida é dar disciplina à eles.

BN - Qual sua opinião sobre a BAMOR e se você tem alguma ligação com alguém da organizada rival?
Gabriel Oliveira –
Ligação eu não tenho nenhum. O que eu acho deles é que eles deveriam ter respeito, coisa que não tem. Ao longo desses anos eles caíram muito, mas nunca foram nada, apesar da aparência de ser uma torcida grande. Quem é da torcida deles, ou está no meio, sabe o que eu estou falando. Uma torcida que sempre foi movida pelo povão, dando uma aparência de ser grande. Mas nunca tiveram sede. Uma torcida que não tem sede não merece ter respeito. Eles não merecem ter o nome que tiveram um dia. A Bamor é o espelho do Bahia: terceira divisão, sem casa, sem nada.

BN - Quais são os principais compositores das músicas cantadas nos dois CDS da torcida e em que são inspiradas essas canções?
Gabriel Oliveira –
Canções do CD é um problema. Esses dois CDs (vendidos no Barradão e compostas por funks) não foram feitos oficialmente não. O único cd oficial nosso é aquele de incentivo ao time e com músicas de amor ao clube. Os outros gravados nós não nos responsabilizamos.

BN - Sobre a polêmica Bahia no Barradão. Mesmo com as melhorias do dinheiro que viria da Petrobrás, a torcida é contra a cessão?
Gabriel Oliveira –
A gente foi contra desde o começo, com o dinheiro da Petrobrás ou não. Porque, nós que somos torcedores, sabemos as dificuldades em se jogar em nosso estádio. A imprensa, o Bahia, todos eram contra, só a gente mesmo que era a favor. Agora que o Barradão é o único estádio da Bahia, ele presta? Não é questão de dinheiro e sim de orgulho e honra. Os outros esculhambando a gente e agora que precisam é que serve? Nós não podemos ser uma mãe pra ninguém. Por causa de um miserável de um dinheiro que não vai servir pra nada. O Vitória tem que sobreviver da sua torcida e não do Bahia e de ninguém. A gente ama muito o Vitória e vamos fazer o que for preciso para ajudar o clube. E o Barradão não é estádio pra time de segunda, terceira divisão. Se eles não tem um lugar pra jogar, é um problema deles com o Governo.

BN - Como era a ligação da Torcida Os Imbatíveis e o ex-presidente Paulo Carneiro?
Gabriel Oliveira –
A ligação era péssima, como dele com qualquer um da imprensa, do Vitória. Ele nunca teve muito respeito com a gente e nós nunca o respeitamos. Pelo Vitória a gente faz de tudo, mas a pessoa dele, a gente sempre foi contra.

BN - A nova diretoria, com Jorginho Sampaio e Alexi Portela, apóia as torcidas organizadas e, principalmente, Os Imbatíveis, a maior torcida uniformizada do leão?
Gabriel Oliveira –
Apóia na medida do possível. Eles nos tratam muito bem, nos recebem e escutam muito as nossas reivindicações., sobre time, treinador e o clube.

BN - O Vitória pode ser campeão Brasileiro nesse ano ou a Libertadores já seria uma grande conquista para o clube?
Gabriel Oliveira –
A Libertadores já seria uma conquista grande. Não pela grandeza do clube, mas sim pelos momentos que o Vitória passou até chegar a primeira divisão, passando pela terceira e segunda. Pra gente, uma Libertadores ou até uma Sul-americana seria uma feito grande. Aí sim, ano que vem vamos cobrar pra diretoria o título.