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Entrevista

Confiante em título estadual, preparador de goleiros do Bahia fala sobre trabalho no clube

Por Ulisses Gama

Confiante em título estadual, preparador de goleiros do Bahia fala sobre trabalho no clube
Foto: Ulisses Gama / Bahia Notícias
No dia 26 de abril se comemora o dia do goleiro. Uma posição futebolística que marca pelo heroísmo das grandes defesas ou da vilania das falhas. Para homenagear a data, o Bahia Notícias conversou com um ex-arqueiro que hoje é responsável por preparar os defensores da meta do Esporte Clube Bahia: Thiago Mehl. Trabalhando no Fazendão desde o começo do ano, o preparador, que realiza o seu primeiro trabalho com a categoria profissional, fez elogios a estrutura tricolor, falou sobre a relação com os goleiros com o Bahia, as promessas das divisões de base tricolor e mostrou a sua confiança sobre a briga pelo título baiano contra o Vitória, que se inicia no próximo domingo (1º). "Não depende só de mim, mas tenho convicção que a gente pode conseguir, pois a equipe é boa, acreditamos no trabalho e os atletas estão focados. Vamos com força total", prometeu o paranaense de 30 anos, que acumula passagens pelas divisões de base do Coritiba, Atlético Paranaense e seleção brasileira. 
 
Você já tem três meses de trabalho no Esporte Clube Bahia. Qual é a sua impressão geral da estrutura que o clube dispõe?
Nesses três meses, vim com uma expectativa de tudo ser uma novidade por ser meu primeiro ano como profissional. Me senti bem trabalhando com os goleiros do clube. Foram muito receptivos ao meu trabalho. A adaptação com eles foi rápida, gostaram do trabalho e isso favoreceu o nosso relacionamento, o que é importante. Não posso reclamar de nada, tenho tudo que eu preciso para o treinamento. As coisas que não tinha eu fui pedindo e o clube adquiriu. Estão melhorando tudo, o que é fundamental. Tive reuniões com os treinadores da base para alinhar a metodologia de treinamento e está sendo muito bom. Com pouco tempo estamos fazendo uma metodologia legal. 
 

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia
 
Já está adaptado com Salvador?
Em relação ao futebol, me impressionei com a repercussão do trabalho. No Paraná, a repercussão não é tão grande. Pelas redes sociais dá para perceber isso. Sou conhecido em lugares que vou aqui e isso antes para mim não era normal. Quando os goleiros estão bem, é só elogio. Quando a torcida não está satisfeita, você tem que ouvir. Mas estou adaptado com a cidade. O calor incomodou nos primeiros treinos, mas é tudo questão de adaptação. Estou gostando muito. O povo baiano é muito receptivo.
 
O trabalho com as divisões de base é muito diferente do profissional? Sentiu alguma diferença?
O trabalho em si ele não é diferente. Os mesmos treinamentos que dava na categoria de base são os mesmos do profissional. Mas cotidiano é diferente. Você ter que conviver com a repercussão da vitória e da derrota é muito diferente. Tratar os goleiros no sentido de cobrança é diferente, pois são goleiros experientes, principalmente no caso do Marcelo Lomba. Estou mais aprendendo que ensinando. 
 
O Bahia faz um trabalho de integração com a sua base e os goleiros mais jovens sempre participam do treino com os profissionais. O que pode dizer sobre esses atletas?
O Bahia tem um bom trabalho de treinamento de goleiros na base. Estamos tentando unificar uma metodologia, para que todos cheguem com um ritmo de trabalho parecido com o profissional. Um ritmo dinâmico e forte para a adaptação. Tem bons goleiros lá, acho que o Deijair e o Isael estão mais próximos de acompanhar o trabalho do profissional, mas acredito que eles precisam terminar a formação deles na base. Hoje, são os goleiros próximos da realidade do profissional.
 
Como é a relação com o técnico Doriva? 
A relação com o Doriva e a comissão técnica é a melhor possível. Ele é um cara que me dá total autonomia para trabalhar, mas a decisão de quem vai jogar é dele. Minha função é preparar os três, quatro, cinco goleiros que eu tiver para deixar todos na melhor condição. Ele preza o bom ambiente, é um cara de uma bondade excepcional. Fica fácil trabalhar com ele, pois ele dá autonomia, liberdade e nos escuta muito.
 
Jean e Douglas Pires alternaram entre a titularidade em 2015 e hoje são reservas. Como o preparador de goleiros pode motivar esses jogadores?
É um desafio que já sabia que iria enfrentar. É um desafio motivar esses jogadores porque já jogaram. Eles querem jogar, sentem falta de jogar, mas compreendem. A figura do Marcelo Lomba ajuda nisso. É um ídolo do clube e acredito que eles respeitam ele. O que a gente tem feito é jogar aberto, falar de uma maneira frontal. Sou um treinador que não abandono quem não está jogando. Eles sabem do carinho e cuidado com eles. Digo para eles que a oportunidade pode aparecer a qualquer momento. A gente tem que estar trabalhando para isso.
 

"Eles querem jogar, sentem falta de jogar, mas compreendem", afirma Thiago Mehl sobre Jean e Douglas Pires. Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia
 
Tentou ser goleiro antes da profissão?
Joguei nove anos nas categorias de base do Coritiba. Foi uma experiência muito boa. Todo preparador tem que passar por essa experiência e isso me ajudou muito a conhecer o trabalho, saber o que é falhar e acertar, entender o cotidiano. Isso me ajudou muito e me ajuda até hoje. Foi fundamental para mim.
 
Você utiliza luvas durante os treinamentos. Qual o motivo?
Isso é uma coisa que despertou curiosidade na Bahia. Em Curitiba chove muito e as bolas escorregavam. Decidi que ia começar a usar luva e levei isso para onde eu fui. Não era algo diferente para mim. Vinha usando na seleção, inclusive. Não é para fazer estilo e sim para auxiliar o meu trabalho. Não me sinto um treinador de goleiros sem as luvas.
 
Na sua opinião, quais os fundamentos principais para um goleiro?
O goleiro brasileiro tem como principal característica a qualidade técnica. O preparador sempre trabalhou esses fundamentos de forma exaustiva e repetitiva. Sempre cobramos que segurasse a bola, que caísse no campo de uma maneira. Todos os fudamentos técnicos são fundamentais. O que não deixo de trabalhar é o que acontece em jogo. O principal para mim hoje é a saída de gol e situações de um contra um para deixar o goleiro atento. O Marcelo Lomba está demonstrando boa reação, rápido.
 
Você compartilha alguns treinamentos seus nas redes sociais. Como é a resposta do torcedor do Bahia por lá?
A resposta tem sido boa. Pelo que estou percebendo, estou sendo bem recebido. Os comentários da torcida são elogiando e dando apoio. Vejo isso como uma surpresa positiva. Teve uns vídeos que compartilhei que chegaram até Portugal. O trabalho vai sendo reconhecido. Não faço isso para divulgar, pois muita gente conhece o meu trabalho. Divulgo para a curiosidade dos torcedores. Fico satisfeito dos goleiros aceitarem isso e eles acham legal.
 

Como está sendo para você a possibilidade de conquistar o primeiro título nessa categoria?
Estou calmo e tranquilo. Existe a ansiedade de conquistar. Seria uma maneira perfeita de começar a carreira. A gente sabe que falta muita coisa para isso e tento não demonstrar essa ansiedade. Não depende só de mim, mas tenho convicção que a gente pode conseguir, pois a equipe é boa, acreditamos no trabalho e os atletas estão focados. Vamos com força total.
 
Algum goleiro como ídolo?
Fica fácil para mim responder isso. Virei goleiro por causa do Taffarel. O que ele fez na Copa de 1994 chamou muita atenção e por causa dele virei goleiro. Parei de jogar em 2003 tendo ele sempre como referência. Hoje ele é treinador de golerios da seleção brasileira e do Galatasaray. Ele me inspira na profissão também. Queria eu ter sido preparado pelo Taffarel. Sem dúvida, essa é a minha maior referência.
 
Em agosto, a seleção brasileira vai brigar por um ouro olímpico e você já teve uma convivência com o grupo. Acredita que o Brasil pode conseguir o objetivo?
Acredito muito nessa medalha. Estou vendo que o Brasil realmente está fazendo um ciclo olímpico. São três anos de trabalho captando atletas para poder disputar uma Olimpíada. É uma equipe grande para olhar esses atletas. Acho que é bem possível que o título venha, ainda mais com o fator casa e pelo trabalho do Rogério Micale e do Dunga. Acho que o Éderson [Benfica] é um excelente goleiro. Começou a jogar em alto nível, como titular e disputando uma grande competição como a Champions League. A qualidade dele fica fácil falar. É um goleiro moderno, que joga com os pés. Tecnicamente é bom, rápido e com experiência. Creio que ele pode ser titular, mas depende de todo a comissão técnica.