Jorge da Bamor
Por Éder Ferrari
Éder Ferrari/BahiaNotícias
B.N – Quando e como você entrou na Bamor?
Jorge Santana - Na verdade a Bamor foi fundada em 12 de agosto de 1978 por alguns estudantes do colégio Maristas. Entre eles, Zé Povinho, Wilson Medeiros, que devido a sua vida particular se afastaram da torcida. Em 1988, eu já freqüentava a Bamor com meu tio e minha avó, inclusive, minha avó faleceu na Fonte Nova em 2001, em um jogo contra o Grêmio. Eu comprei minha primeira camisa, na época era a segunda geração da Bamor, formada por Cláudio, Luís Fernandes. A Bamor é formada por quatro gerações, a minha é a segunda e já existe a terceira e a quarta. Em 1993, Cláudio, me chamou para ser relações públicas da torcida, que ainda não era registrada, só existia mesmo no estádio não existia estatuto, não tinha nada.
BN – Mas, quando a torcida foi registrada e passou a ter estatuto?
Jorge Santana - A partir dali passei a estudar para criar o estatuto para ter sócios, eleições, para ter diretoria, conselho fiscal. Aí, em 1995, teve um problema na torcida quando eu abri eleição direta; o pessoal que estava na frente da torcida na época - que inclusive tinham meu apoio - não queriam eleições diretas e ouve um racha na Bamor. Passamos quase um ano nessa briga, mas conseguimos registrar o estatuto, patentear a marca. E desde 1996 que nós somos uma torcida registrada, e nosso estatuto está adequado ao código civil. Nossas eleições eram de dois em dois anos. Mas na última alteração agora eu coloquei para ser todo ano. Eu estou há 13 anos como presidente.
B.N – Não acha que é muito tempo? Você quer ser o Maracajá da Bamor?
Jorge Santana - Não é que eu queira ficar e ser o Maracajá da Bamor, o que acontece é que não tem chapa, sempre a torcida está unida em meu nome. O próprio vice-presidente, que é meu amigo pessoal, não tem tempo, não quer assumir a torcida. Então a gente vai tocando ai até chegar o momento que vai ter que passar a bola para outra pessoa, porque você vai perdendo as energias; vai perdendo as forças. Nesses anos que eu estou à frente, fiz muita coisa boa para a Bamor. Fomos eleitos quatro anos seguidos como a melhor torcida organizada no troféu Zuza Ferreira da TV Bahia, troféu Camisa 12 da Band; vários outros prêmios: do Sportv, da Record, enfim, a Bamor tem cerca de 12 troféus de melhor torcida em várias competições diferentes. Então eu acho que meu trabalho foi bem feito
BN – Então, a Bamor é uma família feliz?
Jorge Santana - Claro que tivemos vários problemas relacionados a brigas, violência e etc. Até essa guerra que temos com a diretoria do Bahia, conseguimos eleições diretas para 2011, não era exatamente o que queríamos, mas já foi uma evolução muito grande. Não tínhamos nada e hoje temos um horizonte. Falo isso porque sou oposicionista dessa diretoria do Bahia há mais de 30 anos, desde criança, e vejo que ninguém conseguiu nada parecido. O próprio “Democracia Tricolor”, que tem muito tempo lutando por isso, não conseguiu nada, e a gente, com uma simples invasão, conseguimos esse avanço.
B.N – Como é a estrutura da Bamor e como funcionam os chamados distritos?
Jorge Santana - Hoje nós temos mais de 30 distritos, que chamamos de bairros, onde nós temos lideranças. Nós subdividimos em bairros para poder organizar, mas infelizmente o efeito foi contrário. Muitos bairros, não todos, cresceram demais e a passaram a não obedecer à ideologia da Bamor. Só para você ter uma idéia, existe bairros que apóiam torcidas contrarias as que a gente apóia, nos outros estados, só para bater de frente com a diretoria e criar rachas com os outros bairros. Estamos lutando para acabar com isso, já expulsamos muitos integrantes, alguns bairros foram extintos, por causa dessa falta de organização.
B.N – Então esse é o principal problema da Bamor?
Jorge Santana - Hoje, o principal problema da Bamor é essa briga com a torcida do Vitória. Porque os distritos foram criados para centralizar e organizar as pessoas por bairro, para de lá irem juntos e se unirem nos estádios, sem precisar sair de um único ponto todos os associados. O que é que aconteceu? O cara que torce pelo Vitória no bairro vê um distrito lá que é grande, aí ele cria o chamado comando, que é como eles chamam as divisões deles. Aí começam a guerrear nos bairros e de lá seguem para os estádios. Muitas vezes em um clássico acontecem brigas nos bairros que a gente só fica sabendo três, quatro dias depois. Na Fonte Nova, no Barradão em si, as brigas são praticamente zero, por causa do policiamento ostensivo. Agora, fora do estádio, nas redondezas, o bicho pega e é difícil de controlar essa galera toda.
B.N – E as brigas internas na Bamor?
Jorge Santana - Na verdade, os bairros criam a rivalidade de um querer ser melhor que o outro e nós estamos tentando mudar e mostrar para eles que a Bamor é uma só e o objetivo é torcer pelo Bahia.
B.N – E como controlar esses brigões, muitos acham que eles são incentivados pela liderança da torcida?
Jorge Santana - Temos um projeto, que infelizmente tivemos que parar um pouco por falta de recurso. Mas, queremos implantá-lo novamente assim que abrirmos nossa nova sede social. Nesse projeto temos aulas de percussão, futebol, teatro, dança e várias outras atividades. As pessoas aprendem a pintar, a fazer bandeiras, telas de camisas. Já a academia foi uma forma que nós criamos para os integrantes pararem de brigar dentro da torcida, já que a maioria dos sócios é jovem, a juventude com muita energia pra gastar. Então a gente criou esse sistema. Hoje, não temos mais a academia que ficava na nossa sede social no Cabula. Mas, nós temos convênios com várias academias para que nossos integrantes possam praticar as atividades no intuito de educá-los.
B.N – Qual é a sua relação com as outras torcidas organizadas do Bahia, em especial a Terror Tricolor?
Jorge Santana - Na verdade eu me relaciono bem com as outras torcidas do Bahia. O que eu sou contra (e qualquer um pode ver isso) é que em todos os jogos do Bahia a Bamor está lá para apoiar, enquanto existem muitos oportunistas, formando torcida organizada. Eles reúnem um grupinho de 20 pessoas, fundam uma torcida, colocam faixa no estádio e terminam até atrapalhando a Bamor, que por ser muito grande possui muitas faixas que ficam sem espaço por causa dessas pessoas que querem se promover em cima da gente. Em relação a Terror (torcida que invadiu o fazendo para agredir os jogadores) eu não tenho nada contra eles, só acho errado o que eles fizeram.
BN – Então, você acha que a Terror atrapalhou o Bahia?
Jorge Santana - Comprometeram e muito a campanha do time, tirando o que sobrava da tranqüilidade dos jogadores. Não vou dizer aqui que se o Bahia não subir a culpa é da Terror, mas que a atitude deles vai influenciar e muito, isso vai. Tanto é que fomos ao Fazendão mostrar ao grupo que a maior torcida organizada está apoiando. Fomos muito bem recebidos e muitos deles até se emocionaram, chegando até a chorar, dizendo que jogam no Bahia por amor. O Alison mesmo disse que está com medo de sair com a filha na rua. Dissemos para ele que isso não existe, que nós sempre vamos cobrar deles melhor desempenho para colocar o Bahia no seu devido lugar que é a Primeira Divisão, mas que a vida pessoal de cada um tem que ser respeitada.
B.N – Essa invasão foi estranha...
Jorge Santana - Eu achei muito estranha! Porque como é que você faz uma invasão no Fazendão e na hora o presidente está presente, o diretor de futebol está presente, além dos outros três diretores e nenhum deles nem ao menos é hostilizado e esses pseudo-torcedores vão para agredir jogadores? Isso tudo foi muito estranho para a Bamor.
B.N – As pessoas têm associado ou confundido torcida organizada com facção criminosa. O que você acha disso?
Jorge Santana - A gente não se enquadra porque a gente faz um trabalho muito importante. Se os diretores que estão à frente da torcida deixarem o comando agora na mão dos outros que tem por ai, realmente corre um sério risco de virar, ai sim, uma facção criminosa, porque nós repelimos o tráfico de drogas dentro da torcida, já que o assédio dos traficantes é muito grande para colocar pessoas pra vender. Evitamos muita briga dentro da torcida; temos uma parceria com a Polícia Militar onde passamos informações para eles sobre esse tipo de coisa e também quando vamos para o estádio, de onde vamos sair, onde vamos ficar, pedimos escolta, tudo para evitar confrontos que se deixarmos a vontade se tornam inevitáveis. O papel que a gente faz é totalmente diferente de uma facção criminosa. A gente não apóia violência, em nosso site também não divulgamos nada com relação a isso, em nossa comunidade no Orkut foram expulsos quase 7 mil por fazerem apologia a violência. Não permitimos que ninguém faça apologia a violência!
B.N – Como uma rivalidade esportiva se tornou praticamente um confronto entre gangues?
Jorge Santana - Isso ai é um problema social. Não apenas um simples problema de torcida. Isso daí vem de bairro, aquela coisa de adolescente revoltado que não tem nada a perder, aí junta uma galera e vai brigar. Eu acho que a polícia pode acabar com essa rivalidade rapidinho, basta ela procurar nos bairros, no Orkut, que ela vai descobrir e coibir esses confrontos. O problema é que esse pessoal, como eu já falei, entra na torcida e mesmo sem participarem diretamente das coisas da torcida, usam nossas roupas e a gente acaba levando uma fama que não era pra ser nossa.
BN- O que você acha da T.U.I (Torcida Organizada Imbatíveis) maior organizada do Vitória?
Jorge Santana - Não sei nem o que você está falando. Isso pra mim não existe!
Éder Ferrari/BahiaNotícias
B.N – Na tragédia na Fonte Nova as pessoas que caíram estavam na Bamor, eram integrantes da torcida?
Jorge Santana - Quatro pessoas que caíram eram integrantes e nossos amigos, as outras pessoas não eram integrantes, mas freqüentavam a Bamor e eram conhecidas de vista.
B.N – A Bamor deu assistência para os familiares das vítimas da tragédia?
Jorge Santana - A gente procurou as famílias e, lógico, demos nosso apoio, fomos aos enterros, colocamos a Bamor à disposição e pensamos, assim como alguns familiares, que o seguro foi muito pouco. Acreditamos que R$ 25 mil por uma vida é até uma ofensa!
B.N – Dizem que a Bamor está em decadência. O que você, na condição de presidente, acha disso?
Jorge Santana - Como é que você está em decadência se você tem uma loja oficial com mais ou menos 100 produtos licenciados; temos uma estrutura para fazer um evento na casa Espetáculo com 12 das melhores bandas de pagode de Salvador; levamos mais de dez mil integrantes para os grandes jogos na Fonte Nova; somos uma torcida conhecida nacionalmente, nós temos distritos nossos no Rio de Janeiro e em São Paulo, até internacionalmente, como um em Buenos Aires. (?) Como é que uma torcida dessa está decadente? Agora tem pessoas que vão para a internet, para o Orkut e escrevem o que querem sem responsabilidade e sem conhecimento. Se você vê o que a Bamor tem feito de cinco anos pra cá, você nunca vai dizer que ela está decadente. A Bamor só tem crescido!
B.N – Dizem que o acordo feito com a diretoria para que sejam realizadas eleições diretas nada mais foi do que uma caça a ingressos por parte da Bamor...
Jorge Santana - Aí são as pessoas ignorantes que não sabem nem como os termos do acordo foram assinados. Está lá escrito de forma clara que os mil ingressos serão destinados as torcidas organizadas, mas de forma onerosa, nós queríamos comprar, porque nem vender os ingressos eles estavam vendendo pra gente em retaliação aos protestos que vínhamos fazendo. Hoje nós temos uma cota, e eu digo a você: nós ajudamos o clube! Todo jogo, mesmo sendo em Feira de Santana, a gente vai lá na Boca do Rio e compra 400, 500 ingressos do nosso bolso sem nenhuma ajuda deles. Não dependemos deles pra nada!
B.N – O que você acha da diretoria do Bahia?
Jorge Santana - Rapaz, eu não quero nem falar nada sobre eles. Os protestos que fazemos nos jogos, aquela invasão, já dizem tudo. Nós fizemos um pacto na Bamor de não ligar pra nada que os outros falam. Nossa meta é colocar o Bahia na Primeira Divisão independente de quem esteja no comando. E a gente está se esforçando, se sacrificando. Todo jogo em Feira de Santana a gente sai daqui umas 19 horas e muitas vezes chegamos com o primeiro tempo quase acabando, já que enfrentamos engarrafamentos no Iguatemi onde nos reunimos; fora toda a agonia da BR-324. Chegando lá mais problemas; as pessoas não têm ingressos, é fila... Nossa meta é essa, sabemos que essa diretoria não vai sair, mas conseguimos esse acordo para 2011 e agora cabe a torcida do Bahia se associar para colocar o presidente que achar melhor no lugar daquelas misérias que estão lá.
B.N – Falando em Feira, além da estrada, existem outros problemas de ir incentivar o Bahia no Jóia da Princesa?
Jorge Santana - Nós enfrentamos centenas de problemas, se não fossemos Bahia realmente a gente nem iria pra lá. Porque, além do risco de acidente na estrada que é uma merda; ainda temos que torcer para a torcida do Fluminense não incendiar nossos ônibus, não depredá-los. Estacionamos perto; o coronel Nascimento dá apoio pra gente colocando uma viatura próximo dos ônibus. A gente tem que ficar atento o tempo todo no estádio, se não eles entram sem ninguém ver e pegam faixa, pegam bandeiras, jogam pedra de fora para dentro do Jóia da Princesa. Até que melhorou um pouco, porque sempre jogavam pedras na gente.
B.N – Qual a relação da Bamor com os ex-presidentes do Bahia Paulo Maracajá e Marcelo Guimarães?
Jorge Santana - Nenhuma relação! Eu acho que eles são pessoas maravilhosas, inteligentes, mas como dirigentes são uns merdas! Nos colocaram em uma situação vexatória e tornaram o Bahia motivo de chacota nacional.
B.N - O que falta para o Bahia recuperar o tempo perdido e deixar de ser motivo de chacota?
Jorge Santana – Tudo! Falta planejamento, você não tem uma campanha de marketing. Um exemplo simples disso: hoje o Bahia está jogando em Feira de Santana. O que caberia ao departamento de marketing fazer? As opções são muitas, bastava procurar alguma empresa de ônibus dessa, buscar uma parceria para conseguir o transporte para os torcedores; fazer algum tipo de promoção. Tá na cara que existem milhões de opções. Eu vou fazer uma conta rápida com você. Ah! Cabia 60 mil pessoas na Fonte Nova. Mas, os caras iam andando, de carona, surfando em ônibus, fazendo todo tipo de coisa, ou pegava um buzu mesmo e lá pagava cinco reais pelo ingresso. Hoje você gasta, em média, isso falando da Bamor que tem a caravana mais barata, R$ 20,00 com o ingresso, mas normalmente a pessoa vai gastar entre R$ 50, 00 e R$ 70,00 para ver um jogo do Bahia em Feira. Isso porque quando a gente volta de lá não tem mais ônibus por causa do horário e tem que pegar um taxi. Portanto, o custo ficou muito alto e a diretoria do Bahia, o marketing, tem que observar.
BN – Verdade que a diretoria prometeu ajudar a Bamor?
Jorge Santana - Eles prometeram pra gente da última vez que tivemos lá que eles iam dar uma solução para isso e até agora nada. Mas vou falar pra você. Esses dirigentes que estão aí não têm credibilidade nem com o grupo de jogadores. Quando conversamos com alguns dos atletas que tem uma relação de amizade com a torcida, eles passam pra gente que os salários estão atrasados; os bichos nunca são cumpridos; quando procuram alguns diretores para fazer alguma queixa ou procurar algum tipo de solução, simplesmente não encontram ninguém, ou no máximo empurram com a barriga. A verdade é que essa diretoria do Bahia inexiste! A gente está lutando para subir com um grupo bom, um grupo unido, abnegado e uma torcida fanática. Mas para eles isso serve de álibi para esconder a incompetência deles.
B.N – Você é sócio do Bahia?
Jorge Santana - Não, minha história é até engraçada. Minha família é toda sócia do Bahia. Por isso sempre fui dependente de meus pais e meus avôs, que eram sócios patrimoniais e remidos há décadas. Por isso nunca precisei ser sócio. Quando quis me associar, Paulo Maracajá mandou - que é uma coisa que é contra o estatuto - transferir o título pra mim. Foi aí que me chamaram para ser conselheiro do clube. Depois que eu passei a fazer oposição e manifestação contra ele, esse título deixou de existir, daí você vê como funciona o Bahia hoje. Então, eu estou buscando, já estamos com quase 600 cadastros pra associar integrantes da Bamor ao clube, vamos esperar o que vai acontecer, se o clube vai subir para poder nos associar.
B.N – E se o Bahia não subir para a Primeira Divisão?
Jorge Santana - Só vamos nos associar se o Bahia subir por uma questão de estratégia.
B.N – Se pintar uma chance, você pretende ser presidente do Bahia algum dia?
Jorge Santana - Não, em hipótese alguma. Eu quero continuar como presidente na Bamor por no máximo um ano e depois cuidar da minha vida pessoal. Eu tenho família, então eu não quero, não tenho a menor vontade de ser presidente. Porque, em minha opinião, a maioria que quer entrar no Bahia hoje é pelo poder e por dinheiro. Se eu entrasse ia ser por amor e por paixão. E eu acho que misturar amor e profissionalismo não dá certo, por esse motivo que eu não quero nem posso ser presidente do Bahia.
B.N – Na época do acordo para a realização de eleições diretas, você disse que a Bamor apoiava Ademir Ismerim. Mantém a opinião mesmo sabendo da relação dele com membros atuais e antigos da diretoria do clube, como Marcelo Guimarães?
Jorge Santana – Hoje, se houvesse uma eleição direta o meu candidato seria Ademir Ismerim. Por ser uma pessoa jovem, batalhadora, que eu conheço que não precisa do dinheiro do clube. Porque o Bahia é o clube forte financeiramente, só algumas pessoas que não enxergam isso. Ele tem uma marca muito forte. Então, o Ademir seria o candidato da Bamor. Isso dele ser ou ter sido advogado e amigo de Marcelo Guimarães não quer dizer nada.
B.N – Mas, você não teme que, uma vez que Ismerim seja o presidente, esse grupo que está à frente do clube se mantenha no comando?
Jorge Santana - Eu digo a você que não porque as pessoas falam que Marcelo ainda tem poder de decisão dentro do clube, mas tem anos que eu não vejo Marcelo Guimarães dentro do clube em nada. Eu acho que o Bahia tem que parar com esse negócio de oposição de carpete que existe, aquela galera que fica só na internet mandando email e colocando nota, nem pro estádio eles vão. Pra mim o cara que não vai ao estádio não tem direito de cobrar nada, porque ele não está vendo o que realmente está acontecendo, como os jogadores estão; à parte administrativa; se não participa não tem direito de cobrar nada. Reproduzir o que falam é coisa de acomodado. Agora qualquer candidato hoje que viesse a sair, poderia ser Ademir Ismerim, Fernando Jorge, Jorge Pires, Nestor Mendes, qualquer um, que tirasse o Bahia dessa lama que está ai, teria o apoio da Bamor. A Bamor não tem candidato direto, o candidato da Bamor é o Bahia, queremos nosso Tricolor forte em todos os sentidos, e se, pode ser qualquer um, até Maracajá, conseguir colocar o Bahia no seu devido lugar nós vamos apoiar.
B.N – Mudando de assunto, você não acha que hoje em dia falta criatividade a Bamor? Que vocês cantam músicas usando o nome da torcida ao invés do nome do Bahia? Não acha que isso é uma coisa sem sentido?
Jorge Santana - Ai, eu já discordo de você, porque a gente tem criado várias músicas de incentivo ao Bahia. O que está pegando pra gente e que não temos mais a Fonte Nova. A gente vai pra Feira e dá cinco mil pessoas de público sendo que umas 800 são integrantes da Bamor. Então você não consegue fazer aquela festa bonita, com coreografias, cantos, uniformização. O que fazíamos na Fonte fica difícil de fazer no Jóia. Hoje, somos reféns da BR 324. Acho que quando Pituaçu ficar pronto a Bamor vai voltar a mostrar toda sua beleza nas arquibancadas. O governo prometeu entregar o estádio até o jogo contra o Corinthians, coisa que eu nem sei se acredito, torço muito, mas não sei se fica pronto, agora temos feito nossa parte né? O problema é que o time não ajuda.
B.N - Falo no sentido de criar músicas próprias
Jorge Santana - Às vezes fazemos um canto aqui e ele vai parar no Rio Grande do Sul, do mesmo jeito que uma música feita no Rio de Janeiro vem pra cá. Por isso que existem as torcidas aliadas. São trocas de informações. Hoje posso dizer pra você, sem vergonha nenhuma, que algumas coisas que a Bamor faz vêm de fora, até de torcidas de clubes rivais. Isso é uma coisa normal e natural. Mas com Pituaçu pronto teremos muitas novidades e a torcida do Bahia, em geral, vai voltar a ter aquele orgulho e emoção que sempre teve na Fonte Nova quando a Bamor empurrava o Bahia.
B.N - Já sabe onde a Bamor ficará em Pituaçu, já visitou o estádio?
Jorge Santana - Bobô convidou a gente para visitar o estádio e, por ser a maior torcida, escolher o lugar que vai ficar em Pituaçu. Ele até sugeriu que ficássemos atrás do gol, mas eu acho que não é legal ficar atrás e vamos ficar no nosso lugar tradicional, no meio do campo em frente às cabines de imprensa.
B.N – Acredita que o Bahia sobe esse ano?
Jorge Santana - Se a diretoria mantiver os salários em dias e der, vamos dizer assim, um pouco de recurso para os jogadores trabalharem, acho que o Bahia sobe. Uma vez que entrarmos no G4 já era, ninguém segura mais. Mas o problema é a diretoria. Se não ajudam, eles não podem mais atrapalhar.
