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Entrevista

Sidônio: 'Tenho confiança que a diretoria do Bahia até o final do ano vai entregar boas coisas'

Por Lucas Cunha e Ricardo Alves

Sidônio: 'Tenho confiança que a diretoria do Bahia até o final do ano vai entregar boas coisas'
Foto: Bahia Notícias
O publicitário Sidônio Palmeira foi um dos principais articuladores do processo que culminou com as primeiras eleições diretas no Esporte Clube Bahia, atuando primeiro como idealizador do movimento "Bahia da Torcida", depois auxiliando o interventor Carlos Rátis, e, por último, atuando como assessor especial da presidência na gestão de Fernando Schmidt. Afastado oficialmente do clube desde o final do campeonato baiano para se dedicar ao processo eleitoral como marqueteiro do PT, Sidônio falou durante passagem pelo Bahia Notícias sobre as futuras eleições no tricolor baiano, a sua participação na atual gestão do Bahia e disse estar certo que Schmidt conseguirá fazer boas ações no clube até dezembro, quando terminaro seu mandato tampão de pouco mais de um ano e meio. 'Tenho confiança que a diretoria do Bahia até o final do ano vai entregar boas coisas', disse Sidônio. Leia a entrevista completa.

 
 
Bahia Notícias: Qual o seu verdadeiro papel na primeira gestão dita democrática do Bahia?
Sidônio Palmeira: Eu brinco assim. No Bahia, eu sou macaco novo, acho que tem uma luta histórica lá de pessoas que lutavam pela democratização no Bahia, coisa de mais de 20 anos, vários grupos. Eu nem conheço todos, são pessoas que tem uma luta respeitável no clube pela democratização. E o Bahia é um clube da massa, do povo. Eu me lembro dos resultados que aconteceram com o Bahia, via o torcedor na arquibancada, e falei assim: “pô, preciso fazer alguma coisa”. Eu tinha até ajudado um amigo meu que fez o filme (“Bahêa Minha Vida”), o Marcinho (Cavalcante), que trabalha como diretor e participou de várias campanhas comigo. Ele fez o filme, eu ajudei também e falei assim “a gente precisa fazer alguma coisa para democratizar”. Então, o importante é o seguinte: eu peguei todo aquele momento, tentei unificar em torno de um movimento que chamei de “Bahia da Torcida”, que o Bahia tem que ser da torcida mesmo, Bahia democrático e tudo. E aquilo coincidiu com os processos que tinha, as coisas foram se confluindo para o mesmo objetivo e terminou acontecendo todo processo de democratização do clube, que eu acho que foi importantíssimo. Posteriormente, teve a intervenção com Rátis, que eu ajudei também. Uma pessoa ótima, um cara sério, disposto, que queria o bem do clube. Terminei ajudando também nesse processo e, posteriormente, as eleições, que é a primeira eleição democrática no clube. Mudamos o estatuto, fizemos um estatuto... Sabíamos que essa diretoria que ia entrar agora era uma diretoria de um ano e que não dava para fazer também tantas coisas. O torcedor é assim mesmo, quer um time bom, quer que sane as dívidas, quer que recupere o Fazendão, que faça isso, resolva os problemas judiciais e tudo... Vem se resolvendo muita coisa, mas nem tudo vai resolver em um ano. E a gestão, na verdade, é para organizar, limpar a área, ter as eleições que vão acontecer agora em dezembro. E aí, essas eleições sim, vão ser para três anos. Eu acho assim, que nesse papel fui importante, acho que ajudei. Sempre coloquei que não pretendo ser presidente do Bahia, não interesse em cargo nenhum no Esporte Clube Bahia.
 
BN: Mas você está em campanha a favor de algum grupo?
SP: Nem sei se tem grupo, todos deveriam se concentrar agora em ajudar o Bahia, esse que deve ser o centro. Eleição fica um pouco mais adiante, quem achar de um lado ou de outro. No Bahia eu acho a primeira coisa, não tem que misturar política com futebol. Toda vez que mistura política com futebol, quem perde é o Bahia. A história dele toda é assim, então separem isso. Independente de quem tenha uma consciência política, acho que todo mundo tem que se unir para isso. Eu não sei ainda como é que estão os grupos para essas eleições, acho que tem pessoas direitas como Rátis, não sei se ele quer ser presidente, acho que é uma boa pessoa. Agora eu não tenho nenhum interesse.
 
BN: Você não vai ter nenhuma participação ativa nesse processo?
SP: Como torcedor, devo apoiar alguém, mas se tiver uma chapa, não sei como vai ser, o processo ainda está em curso... O fundamental é não antecipar o processo eleitoral, pois as pessoas acabam pensando na eleição e esquecem da gestão. É o que a gente estava avaliando anteriormente, acho que é importante pensar na gestão, como resolver as coisas. O Bahia agora está em um momento ainda difícil perto da zona, fica aquela coisa de rebaixamento e acho que tem que tirar isso. Todo mundo tem que se concentrar para ajudar o clube e acho que todos querem ajudar. Mais adiante, vão ter pessoas se candidatando, cada uma com sua opinião em relação às eleições. Mas todo mundo está concentrado nisso, acho que essa é a coisa mais importante.
 
 
BN: O senhor participou do processo que conseguiu trazer vários torcedores para se tornarem sócios do clube. Mas agora, próximo ao novo processo eleitoral, o clube decidiu por não permitir associações. Não pareceu uma incoerência fechar a associação justamente em um momento que poderia ter novas associações, arrecadando mais dinheiro?
SP: Eu não estava presente nesse momento, saí logo quando terminou o Campeonato Baiano. O que eu acho disso é que me parece mais uma precaução que se teve. O que acontece: uma coisa é a pessoa que é sócia o período todo. Outra é chegar no período eleitoral e se associar. Porque chega uma pessoa lá cheia da grana, ou o que seja, botando não sei quantas pessoas para se associar durante um mês, no mês da eleição.
 
BN: Mas o Bahia da Torcida foi o grande marco de associação em um período curto...
SP: Foi. Mas ali era em um processo que tinha que fazer uma alteração no estatuto, de democratização do clube, e a partir daí se definir as regras para isso. As regras vão ser definidas e vão continuar daí para frente, pelo que entendo. Vai ter um novo estatuto, com assembleia e tudo. Então o que fez, na verdade, foi uma proteção para todos, independente do candidato que vai ser. Eu, pessoalmente, acho assim:  temos aproximadamente uns 15 mil sócios que estão pagando mensalmente e acho que esses vão ter direito a voto. Antes não existia sócio. Quantos sócios o Bahia tinha naquela época? 600 sócios? Era uma situação totalmente diferente de hoje, construímos uma base, as pessoas estão pagando. A partir daí, todo processo eleitoral que precisa ser definido pelo estatuto a diretoria decide, por exemplo, três meses antes da eleição, que não pode mais se associar. Isso para evitar a força do poder econômico, alguém chegar lá e colocar não sei quantas pessoas. Acho que, a partir de agora, o Bahia é da torcida, o grande trabalho que foi feito é entregar o Bahia à sua torcida. Se essa diretoria que for eleita agora ficar mais três anos, ela pode errar, é possível. Mas, a torcida vai ter o poder de tirá-la e falar: não quero mais essa, quero outra. Acho que esse é um patrimônio que ninguém toma mais do Esporte Clube Bahia, independente de quem seja, não quero nem discutir nomes. Eu tenho confiança de que a diretoria que está aí até o final do ano vai entregar boas coisas para sua torcida, cumprir essa etapa de organização do clube para ter a nova diretoria eleita com três anos. E têm nomes bons, torcedores bons e dedicados, que querem o bem do clube e é isso que a gente quer.