Sexta, 09 de Maio de 2014 - 00:00

Campeão mundial, baiano é esperança de medalhas para a canoagem nacional para o Rio 2016

por Luiz Fernando Teixeira

Campeão mundial, baiano é esperança de medalhas para a canoagem nacional para o Rio 2016
Foto: Divulgação
O remador baiano Isaquias Queiroz, de 20 anos, conquistou três medalhas durante a primeira etapa da Copa do Mundo de Canoagem de Velocidade, disputada em Milão, na Itália: uma de ouro, na categoria C1 500 (da qual é o atual campeão mundial), uma da prata na C1 1000 (a prova que disputará nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016) e uma de bronze na C1 5000. Em entrevista ao Bahia Notícias, o ubaitabense fala de sua rotina de treinamentos longe de casa, em São Paulo, da expectativa para os Jogos Olímpicos e sua preparação para o Mundial da categoria, que será disputado em agosto, na Rússia.

Bahia Notícias: Como foi o início na canoagem?


Isaquias Queiroz: Meu início foi em 2005. Foi um projeto que teve a participação do governo da Bahia com o ministério do esporte em todo o Brasil. Comecei a praticar quando tinha 11 anos, na associação cacaueira de canoagem, em Ubaitaba, e aí hoje estou na canoagem.

BN: Como são os treinamentos?

IQ: Treino de segunda a sábado, e descanso terça, quinta e sábado à tarde e o domingo todo. A gente treina de manhã, que tem um treinamento específico para cada campeonato, até mesmo por conta da temporada. Ela começa devagar e vai subindo o ritmo até chegar o Mundial para que a gente esteja com o nível de competição bem alto, então a gente já vai se preparando. A gente tem treina na água, faz corrida, academia também, basicamente essas três coisas: rema, corre e faz academia. Todo o dia tem que remar.

BN: Onde você treina?

IQ: Hoje eu treino na USP, em São Paulo. Eu saí de Ubaitaba em 2010, quando fui treinar com a seleção brasileira em São Vicente, na Baixada Santista. No meio de 2010 eu me mudei para o Rio de Janeiro, junto com a seleção. Fiquei lá mais dois anos, até 2012, e depois voltei pra São Paulo, e estou até hoje aqui. Acho que nós vamos nos mudar de novo, ainda não sei para onde, para um lugar só para a gente da canoa, visando 2016. No começo foi ruim mudar, porque tive que deixar minha família, amigos, tudo o que eu tinha, pra correr atrás do meu sonho. Acho que qualquer atleta que tem que largar tudo é um pouco difícil, mas depois acaba se acostumando. Hoje mesmo eu já estou acostumado a ficar longe de casa, e pra mim é normal já.

BN: Como é a sua estrutura?

IQ: Hoje eu moro com mais cinco atletas, quatro brasileiros e um espanhol, o David Cal, ele tem cinco medalhas em Olimpíadas e dez em Mundiais. A gente mora em um apartamento que só a gente mora, tomamos café em casa mesmo, almoçamos e jantamos em um hotel, e treinamos sempre nas raias de competição. Só vamos em casa pra dormir, e como passamos a maior parte do tempo fazendo os treinamentos, ficamos muito cansados.

BN: Você ganha uma bolsa do governo para se manter?

IQ: Os atletas hoje em dia tem o apoio do ministério do esporte. Hoje eu consegui entrar no projeto do Bolsa Pódio, que dá um valor pelos resultados no mundial. Temos também um auxílio do BNDES, que é o banco nacional do desenvolvimento, que é o patrocinador oficial da canoagem brasileira, e aí eles sempre estão ligados com a gente, eles analisam o resultado de cada um, da dedicação.

BN: E se surgir um patrocínio, como é que funciona?

IQ: Se surgir algum patrocínio a gente conversa com o representante, e aí a gente vai ver valores ou que ele pode proporcionar pra mim. Aí caso a gente entre em acordo, eu posso levar a marca do patrocinador no barco, no remo ou a roupa das competições. Eu ainda não tive contato com nenhuma empresa, tenho só o do BNDES, que é da federação, e do ministério do esporte.


BN: Como são as competições que você disputa?

IQ: Esse ano eu participei dos Jogos Sul-Americanos, que foi no Chile, depois eu participei do Campeonato Sul-Americano de Canoagem, depois eu fui para a Copa do Mundo, e agora eu vou treinar para o Mundial e o Brasileiro. Então nós escolhemos as competições mais importantes, que é a Copa do Mundo e o Mundial. A Copa do Mundo tem três etapas, uma em cada país. A que eu participei agora foi na Itália, depois vai ser na República Checa e a última vai ser na Turquia. Participo de uma pra ver o ritmo, como é que está a preparação dos outros atletas, e depois de competir, poder voltar e consertar alguns erros, se é que teve um erro pra poder melhorar por Mundial, que vai acontecer em agosto, em Moscou, na Rússia.

BN: Como foi a etapa da Copa do Mundo deste fim de semana?

IQ: Ganhei uma prata no C1 1000, um ouro no C1 500 e um bronze no C1 5000. A prova do C1 1000 é a prova olímpica, onde eu tenho que buscar resultado, e eu ganhei a medalha de prata. Já o C1 500 é uma prova que não é olímpica, mas não deixa de ser uma medalha importante, assim como o C1 5000. A gente treinou a prova do C1 1000, mas assim como todos os atletas ainda estamos em início de temporada porque a gente se prepara para o Mundial. A gente foi com a cabeça focada, já com o que tinha do treinamento, pra ganhar medalha lá. Acabei ficando em segundo lugar, atrás do campeão olímpico de 2012, e eu cheguei bem perto e fiz uma final disputada ali. A Copa do Mundo foi bastante pegada, e os mil metros foi uma boa prova. No C1 500, como eu já era o campeão do ano passado, só fiz manter o meu título.

BN: Você faz alguma preparação específica para melhorar no C1 1000?

IQ: Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tão bem longe, né? Então o nosso foco, e o de qualquer outro atleta no esporte, é 2015, porque é quando acontece a classificatória para todos os esportes. Caso você não classifique em 2015, então não vai disputar em 2016, mas no meu caso eu já tenho a vaga garantida por ser no Brasil. Temos uma vaga para o C1 1000, então eu estou quase convocado para 2016, mas até lá vai ter o treinamento, não sei como é que vai ser caso eu me lesione, mas eu estou focado para 2016.

BN: Você só disputa provas individuais ou já tentou com duas ou quatro pessoas?

IQ: Sim, eu já tentei remar na C2, que é com cada remo de um lado, com um parceiro meu, que também é baiano de Itacaré. Remamos no brasileiro, sul-americano, ficamos em sétimo no mundial júnior. Mas depois de 2012 eu comecei a focar só no C1, que é individual, e onde eu já tenho toda a minha prova.


BN: Você pensa em fazer um projeto para incentivar a prática da canoagem?

IQ: Quando eu fui na Bahia depois do mundial no ano passado, eu conversei com o Zé Carlos [vereador de Ubaitaba que apoia o esporte] e Jefferson Lacerda, que é um dos pioneiros da canoagem de Ubaitaba, e a gente pensou em ir nas escolas para a gente chamar os alunos para a canoagem. Hoje o esporte está crescendo em número de alunos, graças também aos meus resultados, as pessoas tão vendo que eu saí de família humilde e consegui grandes resultados. Isso acaba influenciando as crianças, eu acho que tem tudo pra sair um novo Isaquias de Ubaitaba. Daqui a alguns anos vão aparecer mais atletas. Eu já conversei com o pessoal pra tentar obter o apoio do governo pra gente conseguir melhorar a canoagem, porque no Brasil a gente olha muito o futebol, mas se olhar mais para os outros esportes, eles vão acabar crescendo mais ainda.

Histórico de Conteúdo