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Entrevista

Patrick Gonçalves: 'Meu sonho se tornou a Stock Car'

Por Júlia Belas

Patrick Gonçalves: 'Meu sonho se tornou a Stock Car'

Bahia Notícias: Você começou bem cedo, no kart, e passou por muitas categorias, mas planejava correr na Fórmula 1. Por que você desistiu da Fórmula e partiu para os carros de turismo?
 
Patrick Gonçalves: Bom, eu comecei cedo, realmente, no kart, e naquela época o único sonho que a gente poderia ter como top para chegar ao automobilismo era a Fórmula 1. Não existia Stock Car da maneira que ela é hoje, do tamanho que é hoje, e com os números que hoje tem. E todo moleque que começa a correr de kart, começa no kart pensando na Fórmula 1. Depois que eu dei uma parada na minha carreira, em 1995, não estava pensando em voltar ao automobilismo. Fiquei dez anos parado fazendo outros esportes, Wakeboard,  Kitesurf  e uma série de outras coisas para tentar suprir a adrenalina. Retornei a corrida, voltei às pistas quando foi anunciado o primeiro GP de rua de Salvador, que foi o da Copa Clio naquela época. Depois disso, ingressei nas categorias de base da Stock Car, a Stock Júnior, a Mini Challenge e  por aí em diante. Nesse momento meu sonho se tornou a Stock Car, por que ela já oferecia todas as qualidades de uma categoria de top internacional para poder participar. Então, por isso, passei do sonho da F1 para o sonho da Stock Car. E hoje não me arrependo, pois estou satisfeito na categoria.
 
Bahia Notícias: Depois de ser campeão do Mini Challenge, você passou a correr pela Stock Car. Quais diferenças você mais sentiu depois de sair da Mini para ir para a Stock?
 
Patrick Gonçalves: Bom, foi realmente um passo muito grande. A Mini é um carro altamente veloz, versátil, mas ele tem 200 cavalos e tração dianteira. Já a Stock tem um carro bem mais pesado, com muito mais potência, com 500 cavalos de força e tração traseira. Então foi uma mudança muito radical, mas que eu me adaptei nas primeiras corridas do ano passado ao carro e tecnicamente uma das grandes diferenças que eu senti foi essa a mudança de tração dianteira para traseira, o peso e potência do carro. Também senti a diferença na categoria em si, pelo tamanho e popularidade dela. Uma vez que você se torna piloto da Stock Car, essa popularidade, esse tamanho, são bem maiores e envolve muito mais compromissos, tem muito mais coisas envolvidas na Stock Car ainda porque é uma categoria cem por cento profissional, e é uma diferença bem grande.
 
Bahia Notícias: Como é a preparação física e técnica do piloto da Stock Car?
 
Patrick Gonçalves: Bom, preparação física minha aqui é na praia. Sempre que tenho um tempo vou pegar onda, vou fazer Kite, Wake, vou tentar fazer algum esporte para poder suprir e me deixar preparado fisicamente. É lógico que quando não dá para fazer nada, a academia é muito bem vinda. Uma boa alimentação é a base de tudo também, e o principal objetivo com isso é um psicológico equilibrado. É um preparo físico que te dê condições de o tempo inteiro estar prestando atenção na corrida, e estar com o seu foco ali para estar o tempo inteiro exigindo o máximo do carro, e do piloto, de uma forma satisfatória.  

Bahia Notícias: Agora que você acertou com a Bassani vai correr a temporada toda. Há alguma possibilidade de voltar a mudar de categoria?
 
Patrick Gonçalves: Bom, eu estou satisfeito com a Stock, mas sempre aberto às novas categorias. Tem muita categoria de turismo crescendo no Brasil e fora do país, então, já que da mesma forma que eu participei de outras categorias, como a Mini Challenge na Argentina, o Campeonato Mundial de Mini na Europa, estou aberto a outras categorias e a outras possibilidades profissionais no automobilismo. 
 
Bahia Notícias: Aqui na Bahia, como anda o apoio do governo e das empresas à sua carreira e à Stock Car?
 
Patrick Gonçalves: Aqui na Bahia eu diria que eu tenho o maior apoio que um piloto já teve, até porque eu consegui chegar num ponto que só foi possível por causa desse apoio. O Turismo da Bahia enxergou uma grande qualidade, uma grande oportunidade na Stock Car para poder implementar e aumentar o turismo local com o público do automobilismo, trazendo uma categoria pra cá e também divulgando a Bahia nas outras pistas pelo Brasil a fora. Isso foi uma grande sacada realmente da Bahiatursa e eu acharia ótimo se tivesse esse mesmo apoio de outras secretarias, principalmente de esportes, secretarias responsáveis pelo desenvolvimento do esporte, porque isso é fundamental para que no futuro outros pilotos baianos também possam vir a andar na Stock Car abrindo, continuando essa porta aberta por nós. As empresas estão começando a enxergar agora a importância da Stock Car e o retorno que a categoria dá para elas como mídia. Eu não senti apoio das empresas de forma geral, antes de entrar na Stock Car, agora sentimos que as empresas querem participar. São poucos os apoiadores que desde o começo apostaram, investiram, e esses patrocinadores, desde o começo, levo comigo e dou todo o crédito, por que foi realmente uma visão que eles tiveram e agora merecem o retorno que estão tendo de publicidade. 
 

 
Bahia Notícias: Você vai trazer alguma novidade para o GP Bahia?
 
Patrick Gonçalves: Espero que sim. A novidade vai ser pontos marcados nessa temporada, uma boa colocação. Vou dar tudo de mim para poder andar bem aqui. Meu carro traz uma pintura nova aqui pro GP Bahia. Ele traz aqui pro GP uma pintura nova do meu capacete, e tudo isso junto com as novidades técnicas que a Stock mesmo traz de um pneu novo que dá mais aderência e deve trazer mais ainda competitividade pra prova desse final de semana.
 
Bahia Notícias: Qual a sua principal expectativa para corrida de domingo?
 
Patrick Gonçalves: Bom, domingo é um grande dia. Para mim é minha corrida do milhão. Se a Stock Car tem aquela corrida, que é mais importante para categoria, é a corrida do milhão, onde o vencedor ganha um milhão de reais de premiação. Para mim, essa daqui é a corrida do milhão, porque eu sei que tenho um milhão de fãs me apoiando e me incentivando na corrida, minha expectativa é a melhor possível. Venho de algumas corridas e estou me preparando, a categoria está mais competitiva do que nunca, são 34 carros que vão estar disputando milímetro por milímetro, décimo de segundo por décimo de segundo, por cada posição e eu pretendo entrar no bolo, pretendo competir de uma forma cada vez mais próxima dos ponteiros, dos principais, sabendo que nós temos uma diferença de equipe muito grande, mas fazendo de tudo pra compensar e trazer algum resultado bom para a Bahia.
 
Bahia Notícias: Correr em casa é um fator positivo ou é muita pressão?
 
Patrick Gonçalves: Correr em casa, para mim, é um fator super positivo. Eu acho ótimo a torcida e todo o envolvimento que a galera dá, especialmente num circuito de rua, que é o caso daqui de Salvador, da Bahia. É muito positivo para mim. A pressão é uma coisa que a gente trabalha, que a gente aprende a lidar durante a corrida, durante a profissionalização da gente como piloto, é um fator que está sempre presente, mas que não nos acostumamos e não atrapalha mais hoje em dia. Eu uso um pouquinho da baianidade pra trabalhar com a pressão levando isso com muita tranquilidade.
 
Bahia Notícias: O fato de conhecer o circuito já é uma grande vantagem para o GP?
 
Patrick Gonçalves: Na verdade não conheço mais do que nenhum piloto que está ali. Já andei aqui em outras categorias, com a mini, com a Stock JR, mas de Stock Car só andei aqui uma vez, então, essa vai ser a minha segunda, sendo que tem pilotos que já correram quatro ou cinco vezes aqui. Não é vantagem nenhuma. A única vantagem é a vibração da torcida aqui.
 
Bahia Notícias: Qual será sua principal diferença da atuação deste para o ano passado, que você terminou em 20º?
 
Patrick Gonçalves: A principal diferença é que estou um pouco mais acostumado com o carro. Tenho mais chances neste ano de ter preparo, ter conhecimento do carro para poder trazer um bom resultado. Vai depender agora do trabalho da equipe, junto com meu trabalho, para a gente achar um bom acerto do carro, e que isso se reflita numa boa posição. Espero ficar entre os 15 primeiros, como meu target, tendo em conta a dificuldade da corrida e a competitividade da categoria. Para mim estar participando já uma grande vitória, já é um grande triunfo, e quanto melhor qualificado ficar também vai ser uma resposta, uma contrapartida que eu vou estar dando pela toda torcida da galera.
 

 
Bahia Notícias: O que você acha do cenário do automobilismo na Bahia? Quais os nomes que podemos esperar ver representar o estado em grandes provas?
 
Patrick Gonçalves: Bom, infelizmente, nesse sentido, de automobilismo na Bahia, eu não vejo hoje uma grande expectativa de nomes, porque não há investimento na base do esporte no estado. O kartódromo está sendo destruído, o autódromo até hoje não aparece, não surgiu, e principalmente, não existe uma política de incentivo para que as empresas apoiem os pilotos que estão começando. A empresa que hoje apoiar o piloto da Stock Car, que está na mídia, aparecendo, mas não tem subsídios, não tem contrapartidas de incentivos fiscais e etc... Para apoiar um piloto que esteja começando, que ainda não vai dar uma mídia expressiva para empresa, então não tem como o piloto arrumar patrocínio, por que ainda ele não é reconhecido. Ele não arruma patrocínio, não corre, assim o esporte não se desenvolve, e está faltando realmente um apoio fiscal, uma política de incentivo para que as empresas comecem bancar os pilotos, comecem a ter um resultado. O patrocínio não pode ser um caso de favor, mas tem que ser um retorno de mídia ou retorno fiscal. É papel do governo em fazer política de incentivo ao esporte de base para que no futuro próximo a gente tenha nomes que possam chegar e participar das categorias de grande porte nacional. Talento é que não falta. Baiano tem talento para tudo, assim como tem talento pra música, tem talento para piloto, tem vários talentos que estão aparecendo. Agora é rezar pra ver se alguma atitude é tomada neste sentido, e aí possamos ter talentos chegando, para assumir e levar em frente o automobilismo na Bahia, para mostrar muito mais talentos.