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Entrevista

Hugo Wolverine: 'Eu mereço estar no UFC'

Por Cláudia Callado

Hugo Wolverine: 'Eu mereço estar no UFC'


Bahia Notícias: Queria que você explicasse como começou sua carreira..
Hugo Wolverine: Minha carreira começou já tem uns 15 anos mais ou menos, quando comecei no Taekwondo, depois fiz um pouco de jiu-jitsu também. Viajei para São Paulo e desenvolvi mais o taekwondo no final da minha adolescência, aí comecei a competir na modalidade. Mas eu era muito baixinho, atarracado e no taekwondo geralmente os atletas são mais longilíneos. Com isso, o sonho olímpico ficou mais distante e foi quando eu resolvi entrar no muay thai para tentar novos desafios. Foi quando eu voltei para Bahia e voltei a desenvolver meu jiu-jitsu, minha arte marcial e conheci aqui a Champions. E há mais ou menos dois anos eu fiz minha estreia no MMA e venho até agora sem parar e graças a Deus, trazendo resultado.
 
BN: Como foi a experiência no TUF (The Ultimate Fighter)? Fica confinado com os adversários, lidar com a rivalidade, com o ego..
HW: É, não foi fácil. Foi uma experiência ímpar. Muita pressão, muita câmera, muita luz para cima da gente. Então tinha que ter uma cabeça boa. Eu sou um cara tranquilo, bastante racional, então tentei deixar a emoção de lado, busquei ficar amigo do pessoal e fui de coração aberto para aprender o máximo possível. Os atletas também são sensacionais, então foi muito bom porque não teve problema, não teve rixa... apenas a pressão por ser uma situação nova, o maior evento do mundo, mas acho que deu para aprender bastante e tirar de letra.

BN: Para você, sua luta com Jason foi uma final antecipada do TUF?
HW:
Poxa, engraçado, muita gente vem falando isso. As pessoas comentam sobre minha última luta, dizem “que pena, foi uma luta apertada”. O próprio Jason falou para mim que aquilo ali tinha sido uma final antecipada, que tinha sido muito dura. Nós éramos uns dos mais duros da casa, sem desmerecer o Pepê, que é um grande atleta e mereceu está lá na final. Mas o Jason considerou isso [que a luta entre os dois foi uma final], ele até disse que aquela luta o preparou bem para a final. Já que foi minha última luta, para mim foi uma final [risos]. Mas para mim foi uma honra participar do TUF, por ser um lutador inexperiente foi uma honra enfrentar lutadores como eles.
 

 
BN: O que significa para você estar no UFC? Achou que chegaria tão rápido na maior organização de MMA do mundo?
HW: Caramba, eu não imaginava que fosse ser assim, nessa velocidade. Eu sempre vibrei muito para que as coisas acontecessem em minha vida da melhor maneira possível e acho que meu pedido chegou rápido, chegou via Sedex para Deus, que mandou a novidade muito rápida para mim. E acho que valeu a pena. Hoje estou me sentindo muito preparado, é como eu digo: ninguém pode dar uma cruz maior do que podemos carregar.  Foi um grande desafio, uma grande responsabilidade que veio até mim e eu me senti pronto para isso, basta eu ser o que eu sou aqui dentro. As milhares de pessoas assistindo pela televisão dá um pouco de frio na barriga, mas a gente vai tirando de letra.
 
BN: Como foi a assinatura do contrato já que você não ganhou o TUF? Ficou surpreso pela “quebra da regra”?
HW: Foi uma sensação muito incrível, eu me senti realizado. Eu consegui mostrar meu trabalho para eles lá dentro e até o próprio Dana White [presidente do UFC] se surpreendeu. Ele veio falar com a gente: “Nossa, esse TUF foi realmente sensacional. Nós conseguimos revelar grandes atletas, os lutadores brasileiros são bastante completos”. Então é uma característica aí. Nós temos os melhores lutadores do mundo, a maioria dos cinturões do UFC pertencem a brasileiros. Nós temos essa capacidade, esse talento, essa versatilidade para aprender muita coisa. E eu acho que eu consegui me desenvolver bem lá. Lutar no UFC em Belo Horizonte foi uma honra. Para mim, eu mereço estar lá, batalhei para estar lá e estou esperando o Dana me chamar para próxima luta.
 
BN: Imagino que estar no UFC deve sempre ter sido seu maior sonho. E agora? Qual é?
HW: Engraçado, agora eu tenho que reformular meu sonho [risos]. Primeiro eu sonhava em estar entre os melhores do mundo, agora que eu estou entre os melhores do mundo na categoria, eu tenho que visualizar o sonho do título, do cinturão. Então agora tem uma escada em direção ao cinturão, meu objetivo é ser o melhor. Estou treinando, buscando isso, estar lá no topo, quero chegar no cume.
 

BN: Como anda sua carreira de fisioterapeuta? Abandonou?
HW: Pois é, é complicado. Porque [fisioterapia] é minha paixão. Amo fisioterapia, ela vai me acompanhar em todos os processos da minha vida. Percebo que o grande talento da luta é muito ajudado pela fisioterapia, pelo conhecimento que eu tenho. E os pacientes ficaram um pouquinho de lado, eles vão ficar chateados comigo [risos]. Mas eu peço por favor paciência, é por uma boa causa, amo meus pacientes. É uma paixão e eu procuro ajudar os colegas de treino, de equipe com a minha arte, mas agora vou ter que deixar um pouquinho de lado para desenvolver minha luta e aproveitar enquanto é tempo.

BN: Você está mudando de categoria agora. Vai para Galo. Por que você tomou essa decisão e como espera se sair?
HW: Bem, agora eu estou baixando de categoria para a Galo e é uma categoria que eu acho que irei me encaixar melhor. Acho que tenho mais capacidade na Galo, minha mão é bem pesada, vou causar um estrago maior e isso vai ser bom. Eu sou baixinho, então eu vi que no meio a meio os caras são muito grandes, são muito maiores que eu. Então eu percebo que se eu descer para a Galo agora, eu acho que sou um lutador composto e forte da categoria e que vou fazer diferença na categoria. Até porque é uma categoria que tem metade dos lutadores da categoria pena.

BN: Você já participou de competições nacionais, como o WFE, por exemplo. Como foi a experiência? 
HW: Engraçado que cada um tem uma adrenalina um pouco diferente. Quando tinha os eventos daqui a adrenalina era imensa, claro que é uma adrenalina um pouquinho diferente daquela que sentimos lá no UFC. Mas aqui também foi muito grande a expectativa porque foram minhas primeiras lutas, então eu ainda era um lutador inexperiente, poucas lutas de MMA e isso me causava um grande nervosismo. Lutei o WFE, o Demo Fighter e me ajudou a ter essa experiência. Foi uma grande honra também ter lutado em casa e isso tudo me preparou para chegar aonde cheguei. 
 

BN: Você tem seis vitórias em sua carreira e nenhum nocaute, teve um nocaute técnico apenas. Quando você espera dar esse presente ao público?
HW: [Risos] Eu prometo que mão dura vai entrar e cortar eu garanto que vai cortar. Agora, os meninos são muito duros também, méritos deles que se mantiveram em pé. A gente treina aqui muitas técnicas para poder aplicar lá e um nocaute precisa de muito trabalho, né? É preciso ter paciência para isso, um nocaute ainda não chegou como um grande presente, mas o fato das lutas terem durado muito também me preparou, me trouxeram bastante confiança, me mostraram que eu sou um atleta bastante resistente. Não foram lutas fáceis, eu enfrentei grandes lutadores. Graças a Deus consegui um nocaute técnico na primeira luta do TUF e isso foi um grande presente para mim. Mas também não tenho pressa de nocautear, acho que ele é consequência de muito trabalho. Tem que pontuar para ir crescendo, e vejo que isso vem acontecendo, mas os caras também têm uma lataria danada [risos].