Rafael Gladiador: 'Quero ser ídolo no Bahia'
O entrevistado da Coluna Esportes desta semana é o atacante Rafael Gladiador, do Bahia. Revelado nas divisões de base do tricolor, o atleta era visto como uma das promessas do clube, mas ainda não achou seu espaço no time profissional. Em conversa com o Bahia Notícias, o jogador falou sobre os momentos marcantes da sua carreira, o que espera para o futebol, a importância dos profissionais do tricolor no seu crescimento e os planos para o futuro.
Bahia Notícias: Em 2011 você se destacou na Copa São Paulo de Juniores e foi convocado para disputar o Sulamericano sub-20. Este foi o melhor ano da sua carreira?
Rafael: Creio que sim. A gente fez uma campanha que o Bahia nunca tinha feito, que era chegar à final da Copa São Paulo, consequentemente veio a convocação para o Sulamericano. Fiquei muito feliz, mas infelizmente não dei sequência como profissional e estou tentando aqui esse ano também. Sei que não estou conseguindo, mas estou fazendo o meu melhor. Nas horas certas as oportunidades vão aparecer e eu vou aproveitar.
BN: Daquele time convocado para a competição continental, alguns se firmaram como titulares do seus clubes, como por exemplo, Madson, no próprio Bahia. O que falta para o Gladiador ser titular no tricolor?
R: Olha, todas as vezes que eu venho entrando, estou procurando fazer o meu melhor. Às vezes não consigo fazer tantos gols, porque é difícil você entrar e fazer gols, ter que ajudar o time, mas eu estou tentando fazer o meu melhor, independente das oportunidades que venho recebendo. Mas tem o treinador que está no comando e eu tenho que respeitar as escolhas dele e da diretoria. Só não posso deixar de trabalhar porque uma hora a oportunidade vai aparecer e eu tenho que está preparado.

BN: A não utilização entre os profissionais já fez você pensar em deixar o clube ou esse pensamento ainda é algo distante?
R: Meu pensamento, desde que assinei até 2014, é de ficar aqui e ser ídolo aqui. Mas nesse tempo eu não consegui mostrar meu futebol completamente aqui, não consegui ter uma sequência de jogos para mostrar tudo que tenho posso render. Sei que não sou um jogador de qualidade suprema, mas me esforço e faço tudo dentro do que tem que ser feito, mas até hoje não pensei em sair daqui não. Penso só no Bahia e em cumprir meu contrato aqui.
BN: De início, você caiu na graça das torcidas e até ganhou o apelido de Gladiador. Você esperava por isso? Como foi a emoção?
R: Olha, eu nem esperava. Aquela comemoração pela Taça São Paulo me pegou um pouco de surpresa, até chegar aqui no aeroporto. Eu fico feliz com o apelido, mas tenho que continuar trabalhando para mostrar porque realmente me deram esse apelido.
BN: A torcida do Bahia tem fama de não ter paciência com jogador da base, de queimá-lo rapidamente. Como você vê isso? Sentiu que isso aconteceu com você?
R: Creio que não. Creio que a torcida do Bahia está carente de títulos, de conquistas. Só que os jogadores da base já sobem com um pouco de pressão para mostrar seu potencial no profissional, mas às vezes não acontece isso e a torcida fica um pouco chateada. Mas isso é normal, faz parte do processo. Não sinto isso com a torcida do Bahia não. Toda vez que entrei em campo, os torcedores gritavam meu nome, apenas alguma parte que vaiava, mas creio que a torcida ainda gosta de mim e eu ainda quero mostrar meu futebol aqui para poder agradecer aos torcedores que me apoiam.
BN: Como é sua relação com os jogadores mais experientes do elenco? O Souza, Júnior, que são da sua posição. Busca se espelhar neles?
R: Procuro sim. Principalmente Souza, pela sua personalidade, pelo homem que ele é. Ele é um cara que sempre procura falar a verdade, além de ser um grande jogador, que faz gols e pode ser o espelho não só para mim, mas também para outro atacante. Porque ele tem personalidade, independente das dificuldades, sempre bota a cara para bater e isso é um aprendizado que podemos levar dele.

BN: Como é trabalhar com Chiquinho de Assis e Falcão ao mesmo tempo? Já normalmente você treina no grupo principal?
R: É, eu tento conciliar as coisas. Eu fico até surpreso porque um dia eu treino com Chiquinho, outro com Falcão. Mas treino com os dois na mesma intensidade, pelo respeito que tenho a eles por suas histórias no futebol. Acho que independente de onde você treinar, você tem que fazer seu melhor.
BN: Já recebeu propostas para deixar o Bahia?
R: Recebi propostas quando ainda ia assinar com o Bahia no início do ano. Recebi propostas do Corinthians, do Internacional, mas agora não veio proposta nenhuma não. Preciso jogar aqui, sei que vou jogar aqui e quero dar contar do recado aqui.
BN: Qual foi o jogo mais inesquecível da sua carreira com a camisa da Bahia?
R: Creio que foi até pela divisão de base, que foi contra o Santos. O Bahia estava perdendo o jogo e a gente conseguiu a virada e consegui fazer um gol que foi muito importante para mim. Naquela situação ali a gente estava colocando o Bahia na semifinal, coisa que nunca tinha acontecido. Acho que esse gol e esse jogo vão entrar para a história.
BN: Qual é a importância de Newton Mota no seu crescimento profissional?
R: Acho que o Newton Mota participou muito e ainda vai participar. Porque “Seu” Mota, quando a gente erra, está sempre mostrando para a gente onde temos que melhorar, sabe elogiar quando está bem, então é com isso que a gente aprende com ele.
BN: Qual é o seu maior ídolo dentro do futebol?
R: Ídolo, como pessoa e no futebol, eu me espelho muito no Kaká, que tem uma personalidade muito boa e todo mundo admira muito ele. Hoje ele está em um momento complicado, mas acho que com a força dele e a fé, ele vai passar por isso.
