Arturzinho
Por Éder Ferrari
Foto: Éder Ferrari
C.E – Artuzinho, você já conhecia boa parte do elenco já que trabalhou no Bahia ano passado. Os novos jogadores, quem você conhece?
Artuzinho - No futebol a gente conhece todo mundo. Mas trabalhar junto será a primeira vez. Por isso já estou analisando o comportamento deles individualmente e no grupo. Para o cara jogar em um time como o Bahia tem que ter uma postura especial, profissional. Tem que saber se impor, mas sem colocar o interesse pessoal na frente do interesse do clube. Estamos analisando.
C.E – Você estava acompanhando o Bahia na Série B?
Artuzinho - Na verdade, eu assisti apenas partes do jogo contra o Santo André. Como o Bahia até agora jogou apenas dia de sábado; ficava complicado para acompanhar os jogos. Mas eu conheço muita gente aqui na Bahia, que sempre me deixavam informado sobre o que estava acontecendo.
C.E – Você pretende utilizar a base do ano passado ou o time que vinha jogando com o Paulo Comelli?
Artuzinho - Eu já conhecia boa parte do grupo. Agora, no início vou precisar da ajuda deles. É claro que isso não quer dizer que eu vá desmanchar tudo que o Paulo Comelli vinha fazendo, muito pelo contrário. Agora eu encontrei o grupo muito desmotivado, sem vontade de jogar mesmo. Então nesses próximos jogos vou tentar dar uma sacudida no elenco para que nessa seqüencia difícil de jogos que temos pela frente possamos conseguir grandes resultados.
C.E – Emerson Cris estava praticamente sem jogar e você já confirmou que ele será titular. Você não teme que ele não renda o esperado?
Artuzinho - O Emerson Cris é um cara que eu confio muito. Não sei por que todo esse alvoroço em cima da utilização desse jogador. Ano passado ele foi o capitão da equipe na Série C, fez um ótimo campeonato e pra mim é muito natural colocá-lo de volta no time. É claro que se ele não render o que rendia ano passado será preterido por nós.
C.E – O contrato do lateral direito Fábio está próximo de acabar. Você pretende pedir a renovação?
Artuzinho - Vamos analisar. Pelo que me passaram é um jogador que estava atuando bem. Mas ele está machucado. Primeiro tem que se recuperar para depois decidirmos o que fazer com relação ao futuro dele no Bahia.
C.E – Já deu tempo de pedir reforços?
Arturzinho - Nós já tivemos uma reunião com a comissão técnica e a diretoria. A primeira vista, passamos algumas das carências que existem no grupo. Com o tempo e boa vontade de todos, vamos conseguir reforçar a equipe da forma correta.
C.E – Essa carência é de atletas que jogam abertos no ataque, já que atualmente tem apenas jogadores de área à disposição, com exceção de Bruno Meneghel?
Artuzinho - Nós estamos conversando com a diretoria. Já pedimos esse tipo de atleta para solucionar o nosso problema no ataque. Temos que observar todo mundo, testar, para que os jogadores que estão aqui consigam o entrosamento ideal, o chamado encaixe, para que os resultados apareçam. Mas, eu prefiro jogar com um homem de área ao lado de um atacante que caia pelas pontas, que se movimente mais pelo campo.
C.E – Ano passado você era muito criticado por mexer demais na equipe. Agora, nesse retorno, em três dias você comandou quatro coletivos fazendo várias mudanças. Não teme que as críticas voltem e o time perca o entrosamento adquirido desde o início do ano?
Artuzinho - É uma característica de trabalho. Eu não gosto de titularidade absoluta. Mas, se as pessoas prestarem atenção vão saber porque a base fica. Quando há uma má fase desse ou daquele atleta a gente tira. Mas se você analisar a Série C, você vai escalar meu time todinho com uma ou duas peças sendo trocadas. Era o Márcio, Carlos Alberto, Álison, Eduardo, Rogério, Adílson, Fausto, Emerson Cris, Cléber, depois o Elias, Moré e Nonato. Então, eu não mudo tanto assim. É porque as pessoas gostam de criar alguma celeuma sem ter subsídios concretos.
C.E- Outro problema que você teve ano passado foi com jogadores indisciplinados. Aparentemente, esse grupo é mais tranqüilo. Isso é um alívio?
Arturzinho - Não chega a ser um alivio, mas gosto de lidar com jogador profissional, que nos momentos importantes você pode contar com ele. O futebol está cada vez mais exigente e o profissional que não tem uma conduta correta tende a prejudicar suas equipes e até mesmo sair do mercado.
C.E – Os jogadores têm reclamado muito de ter que viajar para Feira de Santana nos dias dos jogos. Você pensa em concentrar o time em Feira no dia anterior aos jogos?
Artuzinho - Vamos conversar. Eu acho que o jogador tem que estar bem à vontade, convicto de que estamos fazendo tudo para dar a melhor; para que eles possam dar o máximo sem contestações. Agora, isso tem que ser dentro de uma condição razoável, já que existe uma hierarquia no clube e não podemos fazer as coisas sem o aval da diretoria, até porque coisas assim aumentam os custos. Mas vamos analisar com eles o que for melhor para os jogadores e para o Bahia.
C.E – Desde que saiu do Bahia, você disse que investiu num projeto pessoal. Fale um pouco sobre ele?
Artuzinho - É o sonho da minha vida. Temos uma área de 42 mil m². Já temos o campo oficial, dois campos society, duas quadras poliesportivas, devemos fazer um alojamento. É um projeto que além do futebol, devemos trabalhar a parte social, que é o meu sonho. Eu pretendo botar mil crianças lá dentro praticando esportes gratuitamente. Mas para isso precisaremos de apoio dos órgãos públicos, ao procurar parceiros, patrocinadores como os que dão base para os projetos dos ex-jogadores Raí, Leonardo, o próprio Jorginho, que estão num estágio atual que eu pretendo chegar no futuro. Porque manter apenas do meu próprio bolso não dá.
C.E – Então reforçar o bolso e foi um dos motivos para sua volta ao Bahia?
Artuzinho - Também. É claro que quanto mais você se ajustar financeiramente, melhor a possibilidade do projeto sair mais rapidamente. Além disso, o Bahia sempre é uma coisa tentadora. Quem conviveu na Série C, com a Fonte Nova com 60, 70 mil pessoas não esquece jamais. E é lógico que também a possibilidade de você fazer um trabalho na Série B, onde a divulgação hoje em dia é muito grande, já que todo mundo adquire esses pacotes de transmissão, pode alavancar o meu trabalho e abrir portas que hoje estão fechadas.
C.E – Boa parte da torcida não foi a favor da sua volta. Teme que a falta de planejamento da diretoria recaia sobre você?
Artuzinho - Pelo que eu vi os torcedores estão chateados com os resultados e conseqüentemente com os jogadores, comigo, não. Até porque eu fiz o meu melhor aqui e os números provam isso. Mesmo assim, sabemos que não existe unanimidade. E a gente sabe também que tem alguns problemas pessoas aqui que não vão ser solucionados nunca, mas isso eu encaro sem problema algum, até porque já estou acostumado com esse tipo de coisa.
