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Entrevista

Ananias: 'Prefiro não falar se vou ou não comemorar [gol contra o Bahia]'

Por Cláudia Callado

Ananias: 'Prefiro não falar se vou ou não comemorar [gol contra o Bahia]'


Revelado nas divisões de base do Bahia, o meia Ananias estreou no time profissional em 2007 e, após ajudar o Esquadrão a garantir o acesso à série A em 2010, foi emprestado para a Portuguesa, onde foi peça fundamental para o título da série B. De volta ao clube, Ananiesta, como é chamado pela torcida, não foi aproveitado pelo técnico Joel Santana e acabou retornando à Lusa. Vendido ao clube paulista há duas semanas, o meia, entrevistado pela Coluna Esportes, falou sobre sua saída do Bahia, mágoas e boas lembranças que tem do tricolor e sobre a partida entre o clube baiano e a Portuguesa pelas oitavas de final da Copa do Brasil, na próxima quinta-feira (10), onde jogará pela primeira vez contra a torcida do Bahia. 

Bahia Notícias: Muitos torcedores lamentaram sua saída e sua venda do Bahia. Como você encarou isso? Queria ter saído?
Ananias: Para mim foi bom profissionalmente, financeiramente também. Tentei encarar com maior naturalidade possível mais um passo na minha carreira. E sobre a venda não tenho muito o que falar, porque foi a diretoria do Bahia que quis. A decisão foi deles, as condições foram eles que colocaram no contrato, então não tenho muito o que comentar sobre isso.

BN: Como é para você ter disputado com o Bahia a série B e C, ter sido importante para o acesso à série A, mas nunca ter disputado uma partida dessa divisão com o clube?
 A: Quando estava no início do ano no Bahia eu queria, queria ter disputado, queria ter sido campeão baiano e disputar uma série A, o que acabou não acontecendo. Mas faz parte. Eu vim para a Portuguesa e consegui fazer o meu trabalho. 
 
BN: Você guarda mágoas de Joel Santana pelo período em que ele foi treinador do Bahia? Na ocasião, você comentou que ele não havia falado com você...
 A: Não é mágoa, eu só fiquei chateado pela forma como aconteceu. Por ele não ter conversado comigo, eu pensar em continuar no clube, em jogar, enquanto o treinador não me queria, não ter nem me chamado para falar na minha cara que eu não fazia parte dos planos dele. Fiquei chateado mais por isso, não por ter não ter jogado com ele, porque isso faz parte. Ele tinha as preferências dele, mas tinha que ter me chamado e falado que eu não interessava. 
 

 

BN: Qual foi seu jogo mais inesquecível pelo Bahia? Foi o jogo do acesso à série A contra a Portuguesa, que hoje por acaso é o seu time?
A: Foi o jogo do acesso mesmo. Foi o que mais marcou, foi o auge da felicidade para mim. Depois do meu primeiro jogo como profissional, claro, foi esse acesso que todo mundo sonhava muito e que com certeza marcou bastante. 
 
BN: Quais são as melhores lembranças que tem do time? O que o clube lhe trouxe de bom?
 A: Eu sou muito grato ao Bahia, por tudo que eles fizeram por mim profissionalmente, um lugar onde eu fiz amizades, principalmente o Ávine, que eu tenho como irmão. Eu tenho muitas lembranças boas do Bahia, apesar da situação complicada da minha saída, eu tenho muita gratidão ao clube que me projetou. 

BN: No jogo da próxima quinta, em Pituaçu, será a primeira vez que você jogará contra a torcida do Bahia. Qual é o sentimento?
A: É um sentimento até estranho. Eu até comentei com a minha esposa que eu nunca tinha passado por isso, que é uma emoção nova jogar contra um time que eu gosto muito. Mas eu tenho que encarar com naturalidade, eu sou profissional, agora eu sou da Portuguesa, que fez um esforço grande para me contratar, para que eu pudesse jogar essa partida que é muito importante para o clube. Então eu tenho que encarar com muito profissionalismo.
 
 
BN: Se fizesse gol, você comemoraria?
A: (Risos) Não sei... é difícil falar. Prefiro não falar se vou ou não comemorar. Se eu disser que não vou e na emoção do jogo acabar comemorando, o torcedor ficaria chateado. E também não vou falar que vou comemorar, porque na hora do gol eu posso preferir, por respeito ao clube, não fazer nada.

BN: Vocês tiveram duas semanas de preparação para o jogo contra o Bahia. Qual é a maior arma da Portuguesa contra o tricolor para esta partida?
A: A gente ter que ter paciência, até porque o Bahia em Pituaçu é muito forte, a torcida ajuda muito, empurra muito o time. Por isso tem que ter paciência, ter muita atenção na marcação, jogar no contra-ataque, tentar fazer um gol e matar o jogo. 

BN: Em relação à Portuguesa, vocês foram chamados de Barcelusa em 2011 e nesta temporada acabaram rebaixados para a série A2 do Paulista. Para você, o que aconteceu de errado?
A: A gente esperava que o grupo mantivesse o desempenho do ano passado, mas acabou se desfazendo muito e faltou peça de reposição. E é preciso ter um elenco forte para disputar o Campeonato Paulista. Apesar de ser estadual, é uma competição muito forte. Teve esse erro, mas dentro de campo também erramos muito. Tivemos erros individuais, erros de arbitragem que acabaram nos prejudicando bastante.
 

 
BN:O que esperar da Lusa no Brasileirão da série A?
A: Nós temos um bom grupo, mas é necessário a chegada de novos jogadores. Devem chegar atletas para nos ajudar, então vai depender de montar um elenco forte para almejarmos a Sulamericana, algo mais acima. Mas se não contratar, não reforçar, vai acabar brigando para não cair, infelizmente. 

BN: Você tem acompanhado o Campeonato Baiano?  Acha que o Bahia será campeão esse ano? Torce por isso?
A: Tenho acompanhado sempre, torço bastante. E agora o Bahia tem a tão sonhada vantagem sobre o Vitória, que nos anos anteriores acabou tirando o título do Bahia. E agora o time tem essa vantagem, jogadores qualificados. Acho que o Bahia tem tudo para ser campeão neste ano.