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Entrevistas

Entrevista

Ednaldo Rodrigues

Ednaldo Rodrigues

Por Éder Ferrari

C.E - Para começar presidente, faça uma analise do Campeonato Baiano de 2008?

Ednaldo - A análise que a Federação fez do Campeonato é altamente positiva. Na parte técnica um equilíbrio muito grande entre os clubes, o exemplo, foi à primeira fase, quando a última vaga foi decidida e as posições de classificação também. O rebaixamento foi definido apenas na penúltima rodada. No quadrangular final, o equilíbrio continuou de forma intensa. Durante as seis rodadas, apenas o Itabuna não chegou a ficar na liderança, mas, assim como Vitória, Bahia e Conquista, chegou à última rodada com chances de titulo. Portanto, esse foi um dos campeonatos mais disputados e emocionantes da história do Baiano, senão o mais. Na parte disciplinar, a Federação também ficou satisfeita, em parceria com a Polícia Militar e Civil e o Ministério Público, conseguimos diminuir bastante a violência nos estádios em relação ao campeonato de 2007. Ano que vem vamos continuar o trabalho, e aumentar ainda mais a fiscalização, para manter a tranqüilidade. No aspecto financeiro, apesar de todas as dificuldades que temos com a pouca capacidade dos estádios, ainda tivemos a ausência da Fonte Nova e da torcida do Bahia. Com certeza, com a campanha que o Bahia vem fazendo desde o ano passado, a média de público seria por volta de 15, 20 mil pessoas por jogo, fora os BA-VI’s, que teriam carga total sem sombra de dúvidas. Apesar disso, tivemos aproximadamente 800 mil pagantes no campeonato e mais de 1 milhão, se contarmos com os não pagantes. Por isso, a Federação se da por satisfeita, porque as expectativas foram atingidas.

C.E - A arbitragem no inicio foi bastante elogiada, mas, no quadrangular final cometeu erros em praticamente todos os jogos, porque a queda no rendimento dos árbitros?

Ednaldo - Nós tivemos 144 jogos na competição, e na maioria absoluta deles não houve nenhuma reclamação sequer. Acredito seriamente no trabalho feito pela Federação na preparação dos árbitros. Vou citar alguns exemplos: nós fizemos uma rigorosa pré-temporada; juntamente com a Federação Paulista, somos as únicas que utilizam o ponto eletrônico; estamos mandando nossos árbitros para a Granja Comary, centro de treinamento da CBF, para que eles possam estar sempre se aperfeiçoando; enfim, fazemos todo o possível para evitar os erros. Mas, são pessoas apitando, e justamente por isso, são completamente passiveis de erros. Por mais que eles estejam muito bem preparados, eles têm uma fração de segundos para decidir um lance, como no caso do lance do BA-VI de Feira de Santana, que mesmo pela TV com 4, 5 pessoas são necessários vários replays, por diversos ângulos, para se chegar a um veredicto final e de comum acordo, e nem sempre isso acontece. Portanto, reconhecemos os erros, sabemos que não foram 100%, mas, você pode ter certeza que nós temos como uma das principais metas de trabalho reduzi-los completamente, e ficarmos apenas com o fator do erro humano, que é impossível de acabar, mas, eles estarão aprimorados para tentar supri-los.

C.E - Porque TJDB denunciou jogadores por imagens da TV apenas em uma partida, é recomendação da FBF?
 
Ednaldo -
O Tribunal de Justiça Desportiva da Bahia está localizado na mesma sede da FBF, mas é um órgão 100% autônomo, nós não temos nenhuma ingerência sobre ele, sequer sua composição. Apenas, pela Lei Pelé e CBJD, Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que solicita que a entidade de administração indique dois auditores para o Tribunal, no nosso caso, foram indicados o Dr. Márcio Quadros, procurador geral da republica e o Dr. Marcos Melo, advogado criminalista de grande competência. Os outros auditores são indicados pelos: Sindicato dos Árbitros, Sindicato dos Atletas e pela OAB, todos órgãos dignos que trabalham baseados nas leis, nos códigos. Reconheço a competência dos mesmos, mas, realmente não posso te explicar o porquê de terem denunciado por imagem apenas nessa partida. Pode ter sido pelo simples fato de os auditores não terem visto outras jogadas ou agressões para poder denunciar.

C.E - O questionamento é porque houveram sim, lances tão ou mais violentos que aqueles denunciados, e nem por isso entraram em pauta. Ao que parece ou eles apenas assistiram apenas Poções x Bahia, ou não prestaram atenção nos outros jogos, o senhor concorda comigo?
 
Ednaldo -
O STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva - já usa imagens de determinados jogos e em outros não usa, e também é questionado por isso. Até mesmo o procurador Paulo Schmidt, reconhece isso e em minha opinião, tem que dar uma regularidade, ou analisa todas ou não analisa nenhuma. O que não pode é ficar dessa forma, porque serve apenas para gerar polêmicas e falsas teorias. Um exemplo que vou te dar agora, aconteceu com o Bahia. O procurador denunciou o Bahia pela invasão de campo por imagens de determinada TV, no jogo contra o Vila Nova no dia 25. Eu acompanhei no dia 28 pela mesma competição e pelo mesmo motivo, no jogo entre ABC e Bragantino, a torcida invadiu o campo do Frasqueirão, da mesma forma que a do Bahia, para comemorar o acesso, após o final da partida. Nada foi feito, e o ABC inclusive, já está mandando os jogos no seu estádio com apoio em massa da torcida. Então você está corretíssimo em questionar isso, mas, eu não tenho nenhuma ingerência sobre o tribunal, mas concordo com você de que tem ser uma coisa uniforme senão só atrapalha.

C.E - Falando da perda do mando de campo do Bahia, o senhor acha que a comoção causada pela tragédia da Fonte Nova, influenciou no julgamento dos auditores, já que, o Bahia foi denunciado pela invasão de campo e não pelas mortes?

Ednaldo – Eu não estive no dia do primeiro julgamento, mas, Manfredo Lessa -Coordenador Jurídico da FBF-estava e observou que foi exatamente isso. Os auditores se deixaram levar pela comoção, e ao invés de julgar dentro do CBJD, fizeram até comentários em relação à tragédia, o que não vinha ao caso. Nós lamentamos muito aquelas mortes, sentiremos para o resto da vida, porém, ficou provado pelo Ministério Público, que o Bahia não teve nenhuma responsabilidade sobre o fato. Portanto, de posse desse documento, acredito que os auditores revejam o julgamento nesta última instancia e que analisem apenas os fatos em pauta.

C.E - As modificações que serão feitas no regulamento para o Campeonato Baiano do ano que vem, serão grandes ou apenas ajustes?

Ednaldo - Pretendemos fazer ajustes em cima dessa fórmula vitoriosa que estamos utilizando. Quando assumir a Federação em 2001, os regulamentos eram confusos, cheios de grupos e turnos, e que no final das contas sempre favoreciam Bahia e Vitória, o que aumentava ainda mais a distância entre os dois e os demais clubes. Desde então, tenho procurado o crescimento do futebol baiano no geral e não apenas dos dois grandes. Com isso, tivemos o Juazeiro e o Fluminense vice-campeões, Colo Colo campeão, o crescimento do Conquista, além do fortalecimento das equipes que tem planejamento sério, no caso do Itabuna e do Atlético. Quando a Federação propôs uma fórmula em 2007, era que o 1º jogasse contra o 4º e o 2º contra o 3º. Mas, os clubes não aceitaram, achando melhor colocar todos contra todos. Eu aceitei, e ano que vem vou propor a mesma coisa, com apenas algumas diferenças, como, que o líder da fase classificatória, tenha um ponto de bonificação e que o primeiro e o segundo terminem o quadrangular jogando em casa, diferente do que ocorreu esse ano.

C.E - Então a quantidade de jogos será a mesma? Os treinadores de Bahia e Vitória reclamaram muito do calendário.

Ednaldo - Eu respeito à opinião dos treinadores, eles tem a sua razão já que são jogos consecutivos, porém, nós atendemos um calendário nacional, disposto pela CBF de 23 datas, que pudessem ser distribuídas entre 16 de janeiro e 4 de maio. A Federação apenas antecipou em uma semana a estréia, já que, no calendário da CBF, as datas do carnaval estão incluídas, e aqui na Bahia é impossível marcar jogos nessa época, principalmente na capital, devido à segurança, já que o efetivo é quase todo destinado a festa. Mas, mesmo assim, tivemos que marcar alguns jogos nessa data, no interior, para poder cumprir as datas disponíveis, e para que todos pudessem jogar contra todos, que é a fórmula mais justa.

C.E - A qualidade dos estádios também foi muito criticada.

Ednaldo - Um dos pontos principais da minha administração na Federação é a melhoria dos estádios. Tenha certeza que já melhorou muito para o que era, mas nós temos um problema grave, que é a propriedade dos mesmos. Com exceção do Barradão, todos pertencem às prefeituras ou governo do estado, que muitas vezes tem outras prioridades, no que pese que a Federação esteja sempre cobrando, mas, podemos ficar apenas nisso, já que se trata de uma gestão municipal ou estadual.

C.E - Então a Federação não pode fazer nada quanto à qualidade dos estádios?

Ednaldo - A Federação tem sido muito rígida com relação a isso, no ano de 2007, por exemplo, Poções teve que jogar em Vitória da Conquista. Eles reformaram o estádio, mas, ainda não é o que nós desejamos. Queremos um gramado de qualidade, vestiários, cabines de imprensa, arquibancadas seguras e confortáveis. A Federação aceitou muito e até foi condizente algumas vezes, mas tudo tem o seu limite. Se no dia 30 de novembro, que é o prazo final para a apresentação dos estádios, não atingirem a qualidade que desejamos, tenha certeza que iremos mudar o mando de campo para uma praça que tenha essa condição exigida pela FBF. Se o clube não aceitar jogar onde for determinado, nem apresentar uma contra proposta razoável, pode ter certeza que não teremos pena de excluir esse time do Campeonato. Até porque quem tem que cobrar a prefeitura é o clube e não a Federação. Não podemos cruzar o limite político que nos é apresentado. Então os presidentes que cobrem ou corram atrás de melhorias nos estádios locais. Nós seremos implacáveis quanto à qualidade e isso é fato.

C.E - Mudando um pouco de assunto, foram sorteados os grupos da Série C, e a vida dos baianos ficou complicada. Não dava para tentar separá-los um pouco mais?

Ednaldo - Na realidade não foi nem sorteio, foi dirigido mesmo pelo departamento de competições da CBF. O que a Federação solicitou, foi que cada clube ficasse em um grupo, não conseguimos, e ainda por cima ficaram em um grupo forte com Sergipe e CSA. Não ficamos satisfeitos, os três clubes – Conquista, Itabuna e Atlético- não ficaram satisfeitos e o pior será depois. Caso todos eles se classifiquem, na segunda fase vão ficar no mesmo grupo, o que automaticamente já eliminará um. Então esse sorteio regionalizado dos grupos tem que ser revisto, para que possa ser de uma forma macro, porque acaba por prejudicar regiões, não apenas a Bahia, que tentam se fortalecer, principalmente agora com a criação da Série D, e que é preciso ficar entre os 16 primeiros da Série C esse ano, para poder disputá-la ano que vem. O que mais chateia é que o diretor de competições da CBF é o ex-presidente da FBF Virgílio Elísio.

C.E - O que o senhor achou da medida da CBF de proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios em competições organizadas pela mesma, a FBF vai aderir no Campeonato Baiano?

Ednaldo - É louvável a medida da CBF junto com o grupo de procurados dos ministérios públicos dos estados. O louvor é em decorrência das estatísticas, que estão ai para comprovar, que o álcool realmente afeta o comportamento da pessoa, em muitos casos, a deixando mais violenta, ainda mais quando está se mexendo com uma paixão dela, que é seu clube do coração. Mas, eu achei a medida não debatida de uma forma ampla, que não foi dado um prazo para adequação. Acho que deveria ter sido mais discutida com os clubes, as federações. Não falo de agora para frente não, falo desde quando eles começaram a pensar nisso, que foi em 2007, para que os clubes não pudessem reclamar como está acontecendo agora. Portanto, o que deverá acontecer é uma chuva de liminares, exigindo direito adquirido, ou que tem contratos em vigor com determinadas empresas e que não poderá ser rompido devido às multas. Além dos donos dos bares, que compraram seus estoques, contratou pessoal pensando no Brasileiro e que não poderão vender seus produtos. Reitero que a medida é louvável, já que é para tentar diminuir a violência no futebol, mas, repito que deveria ter sido aberto um diálogo, e é o que a FBF irá fazer para o Campeonato Baiano do ano que vem. Encaminhar a cada um dos clubes e pedir a eles que possam discutir com seus parceiros a situação. Para o campeonato da segunda divisão mesmo, não adotaremos essa medida, já que já está em cima seu inicio. Volto a repetir que não pode ser assim uma medida imposta guela abaixo.

C.E - O torcedor também tem reclamado muito, e para a maioria deles a medida não faz sentido, porque provavelmente poderá gerar mais confusão, o senhor concorda?

Ednaldo - Vamos ter vários questionamentos em relação a essa proibição, como o volume de torcedores se deslocando ao mesmo tempo para adentrar ao estádio, porque a maioria vai ficar ali tomando sua cervejinha nos bares próximos ou até mesmo em casa, criando um tumulto desnecessário, próximo ao inicio da partida nos portões de acesso as arquibancadas. Com certeza haverá prejuízos financeiros, pessoas perderão empregos e até mesmo um esvaziamento dos estádios, já que, com o advento do PAY PER VIEM, a pessoa pode assistir tranquilamente de sua casa à partida do seu clube dentro de casa, portanto, deveria ser debatida e não imposta.

C.E - O que o senhor espera de Bahia e Vitória no Brasileiro?

Ednaldo - Eu só posso esperar de Bahia e Vitória, e também de Itabuna, Conquista e Atlético, que eles mantenham um foco nas competições, sigam um planejamento competente, tenham calma, visão e sorte na montagem dos seus elencos, e que estaremos ao lado deles para o que eles precisarem no extra-campo. Em termos de resultados, espero que o Vitória na Série A fique pelo menos entre os 10 primeiros, para alcançar uma vaga na Copa Sul Americana, enquanto que, para o Bahia, o melhor seria o titulo, mas se ele ficar entre os quatro que sobem, deixará a Federação bastante satisfeita. No caso dos três da Série C, queríamos que os três pelo menos ficassem entre os dezesseis primeiros, para garantir vaga na competição ano que vem, mas, no mínimo uma vaga já foi ceifada na composição dos grupos. Mas esperamos que pelo menos dois dos nossos clubes estejam nela, ou melhor ainda, que subam para a Série B.