Darci
Por Éder Ferrari e Daniel Pinto

B.N - Criticaram muito a sua volta ao Bahia, principalmente porque diziam que você estava na reserva de um time da segunda divisão, do Rio de Janeiro. Você era reserva ou titular?
Darci - Na verdade, eu não entendo porque aconteceu essa troca de informações. Eu joguei todos os jogos da divisão de acesso do Carioca, pelo Goytacaz, mas quando eu voltei para o Bahia informaram que eu tinha ficado na reserva. Não sei como surgiu isso, sei que o time é pequeno, do interior, de visibilidade quase zero, mas tem uma torcida fanática, que gostava muito do meu trabalho. Apesar de não termos conseguido o subir, voltei acreditando que meu desempenho no Rio tinha facilitado minha volta ao Bahia, por isso me assustei quando cheguei e falaram que eu ficava no banco.
B.N - Como foi a sua saída do Bahia ano passado, foi por problemas com Artuzinho, técnico do Tricolor na época?
Darci - Isso é passado, tive problemas, senão não teria saído, mas o importante é que eu voltei. O estranho foi o jeito que eu saí, um problema de momento, exclusivo com o Artuzinho. Deixei as portas abertas com todos aqui do Bahia, até porque me sinto muito bem aqui e foi muito difícil ter tomado aquela decisão, porque eu queria ficar, mas com o treinador da época não dava.
B.N - Qual a diferença da primeira passagem no Bahia para agora?
Darci - Quando eu cheguei aqui em 2006, a equipe era nova, vinha jogador de um lado, jogador de outro, e com toda aquela pressão da Série C o time não conseguiu atingir a regularidade que atingiu hoje. Por isso, ter mantido a base foi importante, novos jogadores têm chegado para qualificar e não para formar uma nova equipe, essa é a diferença.
B.N - Ainda comparando, atualmente você é mais goleiro do que em 2006?
Darci - No meu modo de ver, eu fiz uma boa campanha em 2006, principalmente na terceira divisão, mas o Bahia não conseguiu os triunfos que vem conseguindo agora. É claro que eu tenho consciência que hoje eu estou numa melhor fase, bem melhor, é verdade. Mas, isso acontece até pela qualidade da equipe, porque naquela época se eu falhasse o time não consertava meu erro, fazendo gols a mais, e hoje acontece o contrário; a bola chega menos e fazemos mais gols.
B.N - Você chegou contestado pela torcida e hoje é uma referência. A que você atribui essa evolução em tão pouco tempo?
Darci - Não acho que eu seja uma referência. Se você pegar a zaga, por exemplo, o Álison é tido como o melhor, mas o Rogério está jogando pra caramba; o Marcone, que estava naquela época, em 2006, hoje é outro jogador, vem jogando muito também. O Cléber Carioca, quando entra vai bem; Santiago jogou apenas um jogo, mas encaixou bem; por isso, a referência da nossa equipe é o conjunto, não apenas um jogador; porque todo mundo que entra, consegue render bem, pois sabe o que tem que fazer e que terá cobertura dos companheiros.
B.N - Qual esquema de jogo você prefere? Com 2 ou 3 zagueiros?
Darci - Não tenho um esquema preferido. Esse que estamos jogando agora, com três zagueiros, o Marcone e o Rogério improvisados, mas que já estão mais do que adaptados à posição, está muito bem. Tivemos experiências com o 4-4-2, mas nos adaptamos melhor ao 3-5-2, o que é normal. Quem não gosta de jogar em uma equipe arrumada? Por isso pra mim não importa o esquema, o que importa é o time se adaptar a ele e isso aconteceu com a gente.
B.N - Surgiram comentários que você deixaria o Bahia, até mesmo antes do fim do Baiano. Essas especulações são verídicas?
Darci - De não terminar o Baiano de forma alguma, porque meu primeiro objetivo quando eu voltei para o Bahia era de ser campeão baiano, apesar de todas as dificuldades que nós tivemos, temos e que ainda vamos ter. Mas, as propostas acontecem, chegam, até porque grandes times e outros de menor porte que o Bahia foram eliminados dos regionais. Então, algumas precisam de goleiro, querem se reforçar, dar uma satisfação para a torcida. Com isso, surgem as possibilidades, hipóteses de transferência. Mas, na minha cabeça, a prioridade é o Bahia.
B.N - Então você admite que chegaram propostas?
Darci - Tiveram propostas, sim. Eu falei com meu empresário que ele poderia até conversar, mas deixei bem claro para ele não acertar nada, porque minha prioridade é o Bahia. Claro que, senão houver acerto, eu vou parar e analisar as propostas. Meu contrato termina dia 4 e o Brasileiro começa dia 10, portanto tenho tempo. Tanto eu, quanto o clube, preferimos não negociar agora, até para não atrapalhar. É melhor adiar um pouco essa conversa, não falar em dinheiro, para manter meu foco exclusivamente no Quadrangular. Depois a gente senta e resolve, até porque é minha vontade, da diretoria e acredito da torcida também, que eu fique.
B.N - Dentre essas propostas, alguma do Vitória?
Darci - Não, de forma alguma, não teve nenhum contato, se dissesse que tive eu estaria mentindo. Respeito muito o adversário, até pela vitrine que ele está agora, que é a Série A, mas estou indo para quase dois anos de Bahia, gosto muito do clube, da torcida e devo continuar aqui se tudo se encaminhar da forma esperada.
B.N - O que você espera do Vitória nos dois confrontos do Quadrangular (dias 20 e 27)?
Darci - Eu espero jogos muito difíceis, porque além de toda a rivalidade e da disputa pelo título, eles devem entrar com tudo, já que perderam duas vezes para a gente nesse Campeonato. Sei que o ataque deles é muito bom, o meio de campo é muito ofensivo. Temos que entrar ligados o jogo todo, porque a equipe deles é muito boa.
B.N - Você nunca perdeu um BA-VI no Barradão e sempre teve atuações destacadas; a pressão do clássico te estimula?
Darci - Eu gosto da responsabilidade, não vou dizer que quanto mais pressão melhor, mas gosto de jogar esse tipo de jogo, com rivalidade e com essa responsabilidade acima dos três pontos. Outros jogadores que estão aqui pensam como eu, por isso acho que tivemos sucesso nos primeiros clássicos. É lógico que é muito bom ter esse histórico contra o rival, mas eu encaro cada jogo de maneira diferente, como se fosse o último e o melhor que eu quero fazer. Talvez seja por isso que eu venha tendo sucesso. Mas se você me perguntar se eu prefiro trabalhar muito ou pouco, te garanto que eu prefiro que o Cristiano, ou quem jogar com ele na frente, façam os gols e que nossa defesa “limpe a sujeira”, sem precisar do meu esforço. Mas goleiro está ai para isso, e estou trabalhando duro, forte, concentrado, e se precisar espero corresponder a confiança de todos.
B.N - Mesmo com os bons resultados, neste ano tem havido muitas polêmicas no Bahia, até briga com torcedor houve; a que você credita esses problemas?
Darci- Quem joga no Bahia sabe que toda semana vai ter uma polêmica, uma pressão, então todo mundo tem que estar vacinado para isso. Até porque é um time grande, e é assim mesmo, sempre acontecem essas confusões. O mesmo exemplo do que acontece com o Corinthians acontece aqui, pois é um clube de massa, tradição. Então, qualquer “coisinha” diferente do padrão normal do futebol, aqui no Bahia, repercute 10, 100 vezes mais. Por isso temos que estar preparados, conscientes de que hoje, aparentemente, está tudo calmo, mas eu sei que se não houver um resultado positivo no clássico, isso daqui já vira um “caldeirão”, um “inferno”. Então, como o clima vai estar semana que vem só depende de nós.
