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Caminhos abertos

Por Edson Almeida

Caminhos abertos
Esta conquista do Vitória, levantando o título inédito da I Copa do Brasil Sub-20, é um novo alerta para os nossos dirigentes entenderam que a divisão de base de seus clubes ainda é o atalho mais objetivo para se conseguir prestígio, recursos e novos títulos.
 
Já tivemos vários sinais de alerta, mas não houve um pronto atendimento: em 1988, o Bahia chegou ao seu último título nacional com um time mesclado de jogadores formados em casa – Ronaldo Passos, João Marcelo, Zé Carlos e Charles. No ano seguinte, o Tricolor teve que disputar um torneio da morte para não cair na segunda divisão, porque se desfez dos garotos de ouro e foi buscar “craques” já aposentados, sem qualquer tipo de rendimento que pudesse dar continuidade a uma vida vitoriosa.
 
Em 1993, o Vitória chegou a uma final contra o Palmeiras, depois de eliminar Flamengo, Santos e Corinthians, também com um time recheado de talentos formados em casa: Dida, Rodrigo, Alex Alves, Vampeta e Paulo Isidoro. No ano seguinte, foi um desastre, porque não seu deu seqüência ao brilhante trabalho da jornada anterior.
 
Mais recentemente, o Bahia chegou a uma decisão de Copa São Paulo e poucos foram as revelações que sobreviveram, porque, de novo, foi preferida a política da contratação de ex-craques em atividade e empréstimo de jogadores de técnica duvidosa. E o que é pior: por salários elevados, aumentando as dívidas e a fama de inadimplente.
 
Agora, os dois time de juniores chegam entre os quatro melhores da Copa do Brasil Sub-20, o Vitória vai a uma final e levanta a taça, só não sendo com dois Ba-Vis, porque o Bahia não soube ultrapassar na semifinal o próprio Atlético/MG, que acabou sendo superado pelo Vitória.
 
Chegou, portanto, o momento de os nossos dirigentes terem a coragem de aproveitar com mais intensidade a garotada formadas em seus Centros de Treinamentos. É verdade que o Vitória já faz um trabalho mais corajoso, subiu para a Série A utilizando cerca de oito novos talentos e tem uma política de base desenhada com maior realce.
 
A conquista rubro-negra não foi por acaso, teve o seu sentido, tanto da eficiência de formação de valores, quanto da competência de um grupo de profissionais que, a cada jornada coloca o clube na vanguarda de jovens talentos. São quatro deles – Gustavo, Willie, Gabriel Soares e Mansur – na Seleção Brasileira e outros tantos em condições de merecer uma chance entre os profissionais da Toca.