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Apático como o uniforme

Por Éder Ferrari

Apático como o uniforme
Tirando raros momentos, como nas chegadas de Paulo Roberto Falcão e o início do segundo turno do Campeonato Brasileiro com a mudança de postura proposta por Jorginho, à falta de entrega, do algo a mais, foi o que mais me incomodou na temporada tricolor dentro de campo. Somado a isso, por pedido desses mesmos jogadores, a praticamente mudança no lindo e tradicional uniforme tricolor. Ou têm um pé no candomblé ou simplesmente acham a combinação da camisa branca com o short azul e o meião vermelho, é colorido demais para o gosto deles. E nem venham dizer que é por superstição. Tem passado vergonha dobrada! A história é rasgada de todas as maneiras!
 
Personagem frequente desse espaço, meu sogro, seu Normando, sempre me apresenta uma infinita lista de pautas sobre o Bahia. Durante o jogo contra o Náutico foi um festival! Eu já tinha um artigo pronto, imaginando otimista e ingenuamente, que o tricolor venceria os pernambucanos em Pituaçu e espantaria o rebaixamento. Como, mais uma vez, brincaram com a paciência do torcedor, tive de mudar tudo com a ajuda do sogrão. “É muito desgosto pra um time só. Esses cabras são todos ruins, não jogam nada! E a diretoria é pior ainda, que contrata esses &%*#@$*! Pelo menos não foi meu Bahia que perdeu e sim o deles, esse time pálido, como o uniforme”. O empate, realmente, foi uma derrota. A amargura foi ainda maior, por que tivemos a ideia de colocar uma TV ao lado da outra. Sport x Fluminense estava na outra tela. Sinceramente, mesmo também não obtendo o resultado mais favorável, deu inveja da determinação do Leão da Ilha. Só não venceu o campeão brasileiro pelo imponderável da bola. 
 
Era uma decisão. O mínimo que se esperava de um time com estádio lotado e a torcida apoiando desde o início do jogo era fibra, entrega, aquele sentimento e a atitude de não desistir nunca! O que se viu foi um time apático, como o uniforme, vale repetir. E ainda temos de escutar um jogador como Lucas Fonseca, reclamar das arquibancadas. Como disse meu amigo Tiago Almeida, Lucas deve estar mal acostumado com a massa “argentina” do Mogi Mirim, com todo o respeito. Os tricolores têm um jeito de ser. Às vezes nem se preocupam em ver um grande futebol, mas crescem com a determinação do time. A vibração tem de ser conjunta e não apenas de uma só via. Tudo tem limite e esses caras precisam entender isso. As pessoas cansam de apanhar. Com poucas exceções, como Titi e Gabriel, parecia que o Bahia disputava uma partida qualquer. 
 
Nem queria falar a respeito do jogo em si, contudo é uma obrigação. Jorginho teve as mãos amarradas com as lesões de Diones e Souza – para variar – no início do jogo. Muitos criticaram o treinador por ter colocado Elias. As outras opções eram Ciro e Jones. O treinador erraria qualquer que fosse a escolha. Espero que o novo problema muscular de Souza não seja grave a ponto de atrapalhar o interesse de algum clube árabe da vida. É mais do que claro que não se pode contar com o “Caveirão”. Kléberson é outro que precisa respirar novos ares. Contra o Náutico, mais uma vez, não deu nem a dinâmica necessária, quanto mais fez a diferença esperada quando foi contratado. A equipe voltou a não ter recursos individuais e coletivos. Zé Roberto, Victor Lemos, Fabinho... Me desculpem, mas não estou conseguindo buscar motivação para analisar taticamente. Estou enganchado nesse parágrafo há uma hora. Vou parar por aqui...