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Uma para cinco

Por Éder Ferrari

Uma para cinco
Não sou lá muito fã de usar a matemática no futebol, mas em certos casos é preponderante o uso. Chegamos à reta final do Campeonato Brasileiro. Fluminense campeão e Grêmio, Atlético Mineiro e Grêmio garantidos na Libertadores. Fica apenas a luta pela vaga direta na competição continental. No final da página, Atlético Goianiense, Figueirense e Palmeiras já abraçaram a Segunda Divisão em 2013. Resta um desafortunado. Como o diabo foge da cruz, Sport, Portuguesa, Bahia, Coritiba e Náutico tentam não se juntar ao trio. Apesar de ter dois pontos a menos que o Timbu, o tricolor baiano, pelas circunstâncias, se encontra na melhor situação entre os cinco, junto com o Coritiba (só cai por uma combinação praticamente utópica de resultados). Basta vencer o confronto direto com o Náutico e deixar a rodada derradeira para os pernambucanos se matarem. 
 
O triunfo sobre a Ponte Preta foi significativo. Pelo que a partida apresentou, ter saído com os três pontos foi algo, realmente, alentador. Deve ser um sinal dos deuses! O Bahia foi completamente dominado e se mostrou com pouquíssimas alternativas para sair dessa submissão. Fosse Roger, atacante da Macaca, menos egoísta e mais eficiente, dificilmente o tricolor não perderia a partida. As linhas do time paulista estavam avançadas e tiravam o espaço da equipe de Jorginho. Encurralado, não foram poucas as vezes que Souza estava no campo defensivo tentando buscar a bola. Diversas vezes, na hora de puxar o contra-ataque, os poucos jogadores tricolores com a função tinham praticamente o campo todo pela frente, para agilizar uma correria desembestada e descerebrada. 
 
No segundo tempo, a torcida ascendeu e empurrou o time para frente, mesmo com pouca imaginação, criatividade e dinâmica. Os homens da criação no atual esquema são os laterais e os dois volantes que jogam mais soltos. Ou seja, Neto, Romário, Diones e Hélder. É chover no molhado, mas é difícil esperar algo diferente do que ocorreu. Talvez, quando esses jogadores surpreendem e conseguem atingir o limite da capacidade técnica, como aconteceu no gol. Foi uma bela jogada, que gerou um belo gol. Neto, talvez o pior em campo, finalizou com precisão. Hélder, que voltou a ser Hélder, deu assistência diferenciada. Agora, mérito dado, não faltou entrega. Por isso mesmo os tricolores não se silenciaram nas arquibancadas. Essa interação foi fundamental para o triunfo.
 
Mais uma vez, Jorginho desperdiçou o talento de Gabriel o isolando pela esquerda. Fica ainda mais incompreensível essa opção, quando os melhores momentos do garoto ocorreram quando ele deu uma fugidinha para a direita, sem ficar tão isolado. Quando Zé Roberto entrou, imaginei que haveria uma inversão e que os dois ficariam mais agrupados em campo. Com um time com pouquíssima criatividade como esse do Bahia, jogar fora um talento por posicionamento tático (ruim), é uma sandice! Gabriel deveria ter liberdade para flutuar no meio de campo e não ficar preso e sem companheiros por perto para dialogar. Tem de estar perto de Souza e do gol, fazendo a transição meio/ataque. Bahia x Náutico é uma decisão e o treinador precisa rever isso. Teoricamente facilitaria as coisas.