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Tio Ben

Por Éder Ferrari

Tio Ben
Todos os fãs do Homem Aranha e até quem não curte tanto o super-herói do genial escritor/cartunista Stan Lee, conhece ou já ouviu a frase “um grande poder traz grandes responsabilidades”. Em um momento de preocupação com a mudança de comportamento do sobrinho Peter Paker, o tio e pai de criação, Ben Parker, tenta passar experiência e sabedoria através do conselho citado. Tio Ben não fazia ideia dos poderes adquiridos pelo garoto, mas, como uma boa ficção, coincidentemente, soube passar uma grande sabedoria deixada de lado no momento pelo rebelde embrião do Spider Man. Uma morte trágica, da qual o herói se responsabiliza, o faz pensar nas últimas palavras que trocou com o tio e lhe dá o impulso para virar o defensor de Nova York. 
 
Aí você pergunta: que diabos o Homem Aranha tem com essa coluna esportiva? Fora o fato de eu ser um fã incondicional do herói, pouca coisa! A ideia desse artigo me veio à cabeça, ao assistir pela milésima vez o primeiro filme da trilogia em que o ator Tobey Maguire representa o aracnídeo. E a associação é com o conselho do tio Ben. Guardadas as devidas proporções entre superpoderes, ficção e realidade, “um grande poder traz grandes responsabilidades” serve e muito para o jornalismo em geral. Como a editoria aqui é de esporte; ficarei nela. Mais especificamente na cobertura diária do futebol.
 
Jornalistas, radialistas e mídia em geral, estão longe de serem super-heróis, mas têm uma grande responsabilidade. Informação não pode ser tratada como qualquer coisa, como vem acontecendo muitas vezes no nosso dia a dia. A pessoa que se prepara – ou não – para ser formador de opinião, não pode jogar contra os fatos, a realidade, a ética. Pesquisa, observação, analise, apuração de todos os lados e a consequência de tudo isso deve ser levada em conta. Mesmo que uma fonte forte diga que um jogador tenha pré-contrato com outro clube, é preciso saber os detalhes antes de jogar no ventilador. E ainda contam com o apoio da turma do Ctrl C Ctrl V. Dizem que a profissão mais antiga do mundo é a de prostituta. Também já ouvi que um dos primeiros traços da personalidade das pessoas a aflorar é o prazer em fofocar. 
 
Entendo que a fofoca faz parte do jornalismo de entretenimento. Não é hipocrisia minha. Eu mesmo já fiz várias coisas do tipo. E, consciente ou inconscientemente, acabarei fazendo novamente. Agora, reconhecer é importante e faz parte do crescimento. Ninguém nasce sabendo ou é magnânimo. Continuarei a errar e tentar aprender. O caso é que as coisas hoje estão completamente distorcidas. Poucos se preocupam com a qualidade da informação. A maioria só quer saber de ser o primeiro a dar o furo (lá ele), não interessa como. Inacreditável ver gente da mídia fazendo, ao mesmo tempo, coisas heterogêneas. Ou o cara é repórter, comentarista ou faz assessoria de imprensa para os atletas do esporte que cobre. Pior ainda é saber que uns e outros são empresários de jogadores. Nada contra. O retorno financeiro deve ser bem maior, mas onde fica a ética? É a mesma coisa de dirigente de clube ser empresário de jogador. É impossível separar os interesses. Como criticar o próprio “produto”? Ou se é A ou B. Ao menos que você seja Peter Parker/Homem Aranha. Deixem com a ficção, na moral! 
 
Bahia
 
Restam quatro jogos para o final do Campeonato Brasileiro e uma certeza: o Bahia fez uma péssima competição! O que resta é fazer valer a tabela teoricamente favorável para se garantir na Primeira Divisão. São quatro pontos de vantagem para o Sport. Apesar de tudo, acredito sem clubismo que o tricolor vai fugir do rebaixamento. Em 2011 esse fator pôde ser considerado uma conquista. Essa temporada não! A mediocridade não pode imperar! Fazer oba oba por passar de ano recuperação, com o professor  acrescentando décimos para atingir a média é digno de receber surra de cinto dos pais! É torcer que nessa reta final haja entrega, sorte e alguns consertos táticos, principalmente o posicionamento de Gabriel. Que a teoria se concretize! Ano que vem tem tudo de novo e já passou da hora de se aprender com os seguidos erros. Bola para frente!