Que Mané Sardinha!
Escolhi esse título de sacanagem mesmo. Minha intenção é desmistificar essa conversa mole de “Sardinha”. É muito fácil pegar apenas a parte que Joel Santana fala o negócio lá do “peixe grande” no Bem Amigos, do Sportv, e dizer que era sobre o Bahia. Eu assisti ao programa ao vivo e vi a repetição completa quatro vezes. Em nenhuma das cinco achei que ele falava sobre o tricolor. O vi elogiando antes e depois da divertida declaração. Comecei falando sobre isso para colocar um ponto final – pelo menos para mim – nesse tema que deve servir de gozação natural dos rubro-negros, mas não como rejeição dos tricolores ao treinador. Joel não estava falando sobre o Bahia e merece todo o apoio da torcida!
Resenha superada, vamos aos fatos. Joel Santana foi, disparado, a melhor escolha para assumir o comando técnico tricolor. Carismático, experiente, sabe armar o time defensivamente e ofensivamente. Os títulos e os feitos falam por si só. Já trabalhou com a maioria das estrelas do elenco e, como poucos, sabe levar o ego desse tipo de jogador. Tem uma forte identificação com clube, principalmente pela bela campanha em 1994, quando venceu um Baiano quase perdido e fez um Brasileiro irretocável, sendo eliminado apenas pelo campeão Palmeiras – um timaço espetacular na época -, em dois jogos duros, com erros de arbitragem a favor dos paulistas.
Contudo, faz tempo e gosto de analisar o trabalho dos treinadores pelo histórico recente, de uns cinco anos pra cá. E, apesar de estar tendo um ano ruim, sendo demitido de Botafogo e Cruzeiro, o saldo é positivo. Me atenho as circunstâncias. No primeiro, fez milagre em 2010, mas acabou desgastado pela fragilidade do time e os desfalques. Não era o mesmo elenco que faz um grande Brasileiro e ficou magoado por ter sido chamado de “burro”. Pediu para sair. Em Minas, chegou como o folclórico e não como o treinador. Foi recebido com preconceito e, sempre cheio de desfalques, acabou sucumbindo após um início avassalador. Também teve culpa e fez escolhas erradas na escalação e em substituições, talvez por desconhecimento do elenco. No Bahia, precisa aprender com esses equívocos. Fazendo isso e com a natural vontade de trabalhar, tem tudo para dar certo!
Flamengo 1x3 Bahia
Não vou mentir para vocês. Quando vi a escalação que iniciaria contra o Flamengo, pensei comigo mesmo: ‘lascou-se!’. Como seria a marcação? Fiquei com medo da lentidão natural e pelo auxiliar Eduardo Souza, ter avisado que manteria a base do trabalho de René Simões. Pura balela! Primeiro que René nunca havia usado essa formação. Segundo e principal, Edu, como é conhecido no Fazendão, fez o básico que sempre vinha cobrando aqui. Corrigiu o posicionamento dos zagueiros e volantes. Esses, aliás, fizeram o que têm de fazer. Ocuparam a frente da área e a intermediária, evitando assim os costumeiros espaços abertos deixados por serem obrigados a fazer marcação individual ou virar terceiro zagueiro. O time compactou, Jancarlos se segurou mais e Dodô, em tarde inspirada, foi à válvula de escape com velocidade e agilidade. Funcionou!
Contudo, a escalação não é a ideal. O Bahia contou com a sorte de enfrentar um adversário completamente apático e isso tem de ser levado em conta. Léo Moura, Júnior César e Thiago Neves não jogaram absolutamente nada! Sem Ronaldinho Gaúcho, os três teriam de chamar a responsabilidade e não o fizeram. Deivid e Jael só conseguiram se encontrar uma única vez em todo o jogo e mais nada. Se os laterais tivessem rendido o de costume, seria complicada a cobertura por Reinaldo e Carlos Alberto. Por sinal, metade do time sentiu o ritmo da partida. Três foram substituídos – os dois citados e Souza – e quatro terminaram esgotados. Contudo, Jancarlos, Dodô, Fabinho e Ricardinho conseguiram se superar.
O que fica de principal é a postura. Por serem experientes e jogarem sem a pressão de um treinador exigindo funções sem sentido, o time estava “mais leve” como afirmou o atacante Souza. A equipe teve respeito e não medo, como aconteceu em algumas oportunidades. No entanto, é preciso dar vitalidade ao meio de campo e ataque. Não será toda vez que pegará um adversário entregue e sem vontade de jogar. Têm muitas batalhas pela frente e, para vencer a guerra, é preciso mesclar força física, experiência e o ímpeto da juventude. Maranhão e Gabriel precisam ser mais utilizados e na deles, do meio para frente. Se ligue nos guris, Joel!
