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Chamem um antropólogo!

Por Éder Ferrari

Chamem um antropólogo!
Sou sempre a favor da legalidade, o que não me impede de questionar as determinações vindas de algumas leis. Vou logo para os “finalmentes”. Seria uma reclamação não apenas legal (isso mesmo), mas moral do Palmeiras, se o gol anulado contra o Internacional tivesse sido regular ou, até mesmo, irregular, porém, sem a intenção de ludibriar, como um impedimento de centímetros. Afinal, a regra é que apenas o olhar, ao vivo, do juiz e dos auxiliares – também entra o quarto árbitro – pode definir a regularidade ou não de uma jogada. Sim, galera, no olhar cru da justiça desportiva, o pedido palmeirense é legítimo, já que a alegação é de interferência externa. Contudo, no dia do julgamento, deverá apresentar provas irrefutáveis que houve dica da TV no lance e não apenas “mimimi” e achismo. Do contrário, vai sobrar apenas a vergonha alheia. Corintianos, são paulinos e santistas estão babando! 
 
Agora, entrar na justiça, baseado em disse me disse, sobre uma suposta ingerência externa em um lance não apenas irregular, como desonesto, é de uma hipocrisia, de uma cara de pau, que deveria servir de tese para vários mestrados e doutorados Brasil afora. Antropólogos fariam a festa! Os brasileiros, realmente, fazem valer a fama do jeitinho e do: “farinha pouca, meu pirão primeiro!”. Com um mínimo de bom senso, ética e respeito ao espírito esportivo, não estaríamos aqui falando sobre isso. Caso o jurídico palmeirense prove a ajuda da TV, vão anular o jogo por um gol desonesto? É o muito errado usado para justificar o errado, que tem tudo para virar o certo. Esse é o exemplo? Maior estupidez não há! O Palmeiras deveria era agradecer por Barcos não ter levado um justíssimo cartão amarelo. O atacante está pendurado. 
 
Também é preciso fazer outro esclarecimento. Uma coisa é erro de arbitragem. Outra é uso de recursos da televisão para definir lances. Um faz parte de um esporte, que é julgado quase sempre por interpretação, e o outro não. Pode ter ocorrido algumas vezes, porém nunca se provou o uso e nunca entrou no livrinho de regras. Vejo muito gente falando que o Bahia, por exemplo, deveria entrar com um pedido de anulação de Grêmio 3x1 Bahia, por exemplo. O juiz errou demais contra o tricolor baiano naquela partida, contudo está inserido no contexto do jogo, desde que não se prove predisposição para tal, como ocorreu no caso de Edílson Pereira de Carvalho, em 2005. Não cabe recurso! 
 
A arbitragem no futebol, não apenas a nacional, é muito ruim! A brasileira, particularmente, é amadora, sendo cada apitador com critérios próprios na interpretação dos lances. Devem ocorrer mudanças drásticas para ontem e uma ótima opção técnica é o recurso do vídeo, em lances extremos como gols. Óbvio que seria preciso uma adaptação e regras claras, para não virar palhaçada retardamento do jogo. Esse lance do Palmeiras deveria servir de matriz para essa evolução. Não tenho como provar se houve ou não ingerência de pessoas de fora dos auxiliares do árbitro. No entanto, fica a lição. Caso já houvesse essa ferramenta do replay, não discutiríamos tanto erros e mais erros de interpretação e visão. Naturalmente, o futebol seria mais honesto! 
 
Para finalizar esse tema, deixo as palavras de um dos maiores ídolos da história do Palmeiras sobre o caso. Figura distinta nesse meio escroto do futebol, o ex-goleiro Marcos declarou no Facebook particular. “Se for para acontecer o pior, que seja com dignidade. Não precisamos que anule o jogo, afinal o gol foi com a mão. Numa época de tanta luta para que a justiça seja feita no Brasil, nós do futebol brasileiro temos que dar exemplo”. Não se trata de ser politicamente correto ou moralista – até deveria -, mas de modelos. Precisamos nos respeitar mais!