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Hélder

Por Éder Ferrari

Hélder
Quem vamos culpar agora por essa nova queda de rendimento e resultados do Bahia? Jorginho, Cláudio Pitbull, Lomba, Jussandro, Danny Morais, Rafael, Zé Roberto, Kléberson, Diones, as ausências de Souza e Hélder, ou da euforia pelas grandes apresentações feitas no início do segundo turno? Claro que todos esses e outros têm a cota de responsabilidade, mas o fato é que o tricolor vinha jogando no limite técnico e físico, com uma honesta organização tática. Em algum momento no jogo contra o Fluminense algo se perdeu. Correndo sério risco de parecer superficial, acho que a lesão de Hélder quebrou o encanto do time. Fica a impressão que levou a confiança da equipe junto ele para o DM.
 
Antes de tentar discorrer meu ponto de vista, deixo claro se tratar de uma análise genérica dos acontecimentos. Estou a abordar apenas as circunstâncias do time e a angustiante fuga de uma desesperadora queda para Série B. A culpa real e sem questionamentos do Bahia estar, mais uma vez, correndo contra o rebaixamento, é da união da diferença orçamentária para os clubes do G12, com os critérios (ou a falta deles) nas contratações e planejamento do elenco pela diretoria. Isso para ficar apenas no futebol. Como já falei muito sobre isso e ainda falarei mais, vamos para o momento em campo.
 
Hélder vinha sendo o diferencial técnico do Bahia. Um time sem alguém para “quebrar o jogo” no meio de campo, dificilmente consegue se manter no topo. Contra o Fluminense, o tricolor vinha melhor que o líder do campeonato até a saída do outrora descartado volante. Primeiro Fabinho e depois Kléberson, não passaram nem perto do nível. O rendimento desceu a ladeira. Com isso, acredito, a confiança diminuiu e levou a entrega junto. O lance do gol do Palmeiras, uns jogos atrás, teria sido evitado. Danny Morais ficou cercando, marcando com o olho, enquanto Marcelo Lomba parecia estar no mundo da lua. O foco disperso do primeiro turno parece ter voltado. E em um universo de 38 jogos, isso ocorrer em dois pesa e muito para quem briga lá embaixo.
 
Não se trata de querer dizer ser Hélder, o gênio da lâmpada. No entanto, basta observar que a queda ocorreu após a lesão. No mínimo, uma coincidência intrigante. A ausência de Souza também pesou no time. Nenhum dos substitutos consegue manter o nível, mas, pelo menos taticamente, Elias conseguia dar um suporte maior. Não que Elias faça falta, porém Jorginho demonstra claramente não confiar nas outras opções e começou a se atrapalhar. No jogo em que queria velocidade nos contra-ataques escalou Rafael (Coritiba). Na partida (Palmeiras) em que precisaria de um homem na área, colocou três meias pouco incisivos como atacantes. O ataque virou arame liso. 
 
Zé Roberto e Kléberson, os mais experientes, caros e famosos dos que estão jogando, atrapalham mais que ajudam. As finalizações de Kléberson contra o Palmeiras foram tristes! Volto ao último texto. Fico imaginando as atuais condições de Jéferson e Caio. Para não estarem sendo usados, devem estar muito mal mesmo. São dois jogadores que conheço muito bem e ainda acredito. Nos dois últimos jogos, Jorginho preferiu Romário e Cláudio Pitbull, respectivamente, a colocar qualquer um deles - Jéferson no primeiro e Caio no segundo. Recuperação de lesões graves não é algo fácil e parece estar sendo complicado para eles. Não sei se é questão técnica, física ou falta de confiança. Talvez uma mescla. Uma pena por que, em condições normais, fariam a diferença nesse meio de campo e Hélder não faria tanta falta. As velhas circunstâncias do futebol. Para os sete jogos que restam, o Bahia vai precisar recuperar a entrega e Jorginho precisará definir o ataque com e sem Souza. Tarefa complicada.