Três sensações
Esperei passar o tédio, à revolta e a empolgação do final de semana para falar de Vitória, UFC Rio e do Bahia. Respectivamente, um deu sono, o outro emoção e o último raiva. Vou falando um por um ou misturo tudo? Talvez seja melhor usar méritos e deméritos de cada um para justificar o outro. Contudo, corro o risco de entrar em discussão inglória e improdutiva. É melhor deixar cada um na sua para o argumento ser mais bem assimilado, né não?
Assistir Vitória x Asa não foi fácil, ainda mais para um sujeito que tinha almoçado depois das 14 horas, dois belos pratos de vaca atolada. Adicione ai, poucas horas de cama na noite anterior. Estou fazendo minha ‘mea culpa’, mas o fato é que o jogo foi para lá de sonolento. Acabei vencido em alguns momentos, mas deu para pegar alguma coisa. O time de Benazzi viveu da dedicação de Nino Paraíba (um jogo razoável depois de muito tempo) e Marquinhos. São os únicos a colocar alguma velocidade ofensiva. O meio de campo é devagar, quase parando. Preto, a última “solução” buscada, hoje em dia é um terceiro volante lento e sem ritmo de jogo. Para atrasar o processo se machucou. Ele e Lúcio Flávio não combinam. O segundo vive de pequenos lampejos do que já foi. Dinâmica passa longe. Lentidão não combina com Série B.
Passado o cochilo, veio a empolgação. Para um fã desde a época do antigo ‘vale tudo’, fiquei encantado com o clima e a cobertura dada ao UFC Rio. A torcida, inigualável, abraçou os compatriotas e fez uma festa nunca vista antes no octógono do evento americano, que roda o mundo. Foi um verdadeiro show, coroado com atuações inesquecíveis de alguns dos principais nomes do esporte. Se tem um cara que eu torço muito é o Rodrigo Minotauro. Estava tenso demais com sua luta – vinha de três cirurgias, pouco tempo de treino e 18 meses parado -, contra um jovem em ascensão. O nocaute no primeiro round foi uma das maiores emoções esportivas que tive nos últimos anos: fantástico! Nas lutas seguintes, de Maurício Shogun e Anderson Silva apenas deleitei. Quem está conhecendo agora o MMA, aproveitem! É divertido, profissional e emocionante!
Por fim, acordei extasiado no domingo. E, o que era alegria, virou chateação. O que falar da humilhante derrota tricolor para o Ceará? Cansei de falar da postura do time. É incompreensível para mim, armar um time apenas para marcar. O Vovô não queria “nada” com o jogo. Tinha apenas Thiago Humberto para organizar o baba e, ainda assim, René exigia até que Júnior voltasse. “Volta, Júnior”; “Tem de marcar, Júnior”. Tudo isso quase na linha do meio de campo. Resumo da história. Atacante batalhador, mas com idade avançada e típico jogador saci, quando chegava para finalizar, já não tinha a mesma força e fôlego.
O Ceará jogou com três zagueiros, dois alas que marcavam primeiro e dois volantes. Qual a necessidade de você ficar preocupado apenas em defender? Pode parecer coisa do passado para os entendedores atuais, mas no futebol ainda sai vitorioso quem faz mais gols. Quem joga só para não tomar gols, acaba tomando. René não tem culpa de terem contratado os limitados e cansados Souza, Júnior e Reinaldo, mas ele exige desses caras um tipo de posicionamento e movimentação, que nem Ronaldo nos bons tempos de fenômeno daria conta – falo taticamente e não individualmente, pelo amor de Deus, viu? Sinceramente, alguma coisa precisa ser feita. A diretoria, depois do festival de erros do início da temporada, talvez para mostrar confiança no planejamento, tem confundido paciência com omissão. Pode acabar pagando um preço incalculável. Os três próximos jogos são decisivos!
