Show do intervalo
Antes de qualquer coisa, peço desculpa a Rede Globo pelo plágio no título. Minha rasa criatividade não conseguiu achar nada semelhante que não parecesse despeito ou imitação. Pensem ser uma homenagem e não uma cópia. Todo esse pedido de pinico tem uma razão de ser. Ainda mais quando é um tema já de domínio popular. Qual torcedor tricolor não tem percebido o crescimento da equipe na volta do intervalo? Com exceção da partida contra o Atlético Mineiro, o Bahia, após a chegada de Jorginho, sempre foi superior na segunda etapa.
Alguns mais críticos alegam que as mudanças para melhor no intervalo, tem muito da escalação equivocada no início. De certa forma faz sentido, mas não acho que seja o caso. Pelo menos no geral. O que fica nítido para mim é a visão de jogo do treinador Jorginho. Desde a estreia cega contra o Santos, quando não conhecia o elenco e nem treino havia comandado, ele tinha provado isso. Em alguns jogos a mudança foi “apenas” de postura e posicionamento, sem precisar alterar jogadores. Diferente dos dois últimos jogos (Sport e Figueirense), em que houve substituições com as entradas de Elias e Lulinha, respectivamente, nos lugares de Zé Roberto e Rafael. No entanto, a diferença foi de atitude. O vestiário deve tremer na hora do descanso.
O time tem voltado aceso. A vibração sempre cresce e impulsiona a equipe coletiva e taticamente. A marcação avançou e os setores ficaram mais próximos. Fazia muito tempo que eu não via o Bahia pressionar um adversário com tantas variações de jogadas. Foram cruzamentos dos dois lados, chutes de fora da área e alternativas concretas, mesmo com a dificuldade técnica na armação e finalização. Não faltou também conexão com a torcida. Fez lembrar à velha e saudosa Fonte Nova dos bons tempos. Com Lulinha – entrou muito bem e chamou a responsabilidade - no lugar de Rafael, o time ganhou mais mobilidade. Jones, que poderia ter outra boa atuação premiada com dois gols, e Elias perderam chances incríveis, principalmente o primeiro.
A única solução para Rafael é ser emprestado. Primeira bola que ele não acerta, torcida, imprensa e companheiros se desesperam para cima dele com ódio no olhar. É perturbador! Para um guri como ele, que precisa de sequência e confiança, isso não vai ajudar a funcionar como na base. Chegou a um nível que os lances tentados por ele sem sucesso, mesmo quando há mais mérito para o adversário, são sempre superestimados no conceito de carniça. Elias, a meu ver, foi pior, mas Rafael é o atraso. É muito pouco! No final das contas, acredito, toda essa perseguição vai servir para forjar um artilheiro eficiente e a prova de pressão. Provavelmente longe do Fazendão. Reconheço que ele pode não ter feito por onde, todavia quem faria sendo escalado dessa forma, sem apoio, sequência e paciência? Não tenho mais argumentos.
Quem tem sido o inverso de Rafael é Hélder. Nunca gostei do futebol apresentado pelo volante e tinha motivo para isso. Muitas vezes era disperso, errava e ainda erra passes bobos, não fazia a cobertura com eficiência, batia mais do que marcava, mesmo demonstrando sempre ter certa capacidade. Nessa temporada, assim que Paulo Roberto Falcão chegou, Hélder se transformou e fez duas grandes partidas. Pena que se machucou e, quando retornou, voltou ao nível improdutivo. De lá pra cá ficava nessa irregularidade: uma no cravo e quatro na ferradura. Entretanto, desde a mudança na postura tática, com marcação mais avançada e a presença de Jussandro na lateral esquerda, o futebol de Hélder cresceu inimaginavelmente. A fase é tão interessante, que até na partida contra o Sport – pior dele nessa etapa – teve estrela e marcou o gol do empate. Diante do Figueirense, chamou a responsabilidade em um meio de campo sem poder de criatividade, e mais uma vez foi decisivo. Errou menos passes e parece ter aprendido a marcar. Que essa boa fase não passe!
