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Quatro em um

Por Éder Ferrari

Quatro em um
Nessa época de eleições, o interior se transforma. Amigos viram inimigos e rivalidades partidárias afloram para o lado pessoal. Não existe meio termo: ou você é contra ou a favor. Pensar em bom senso é o mesmo que querer emagrecer comendo e bebendo a vontade, sem fazer nenhuma atividade física. No futebol as coisas funcionam mais ou menos do mesmo jeito. Uma crítica vira torcida contra. Quem questiona as circunstâncias, está sempre propenso a ser tratado jocosamente como comentarista de resultado ou oportunista. Como seria bom reconhecerem o fator construtivo das opiniões que têm exclusivamente esse objetivo. Vamos em frente!
 
O bom segundo turno tricolor tem várias razões. Dois laterais de ofício; jogadores que estavam em má fase cresceram; Jorginho não abdica de jogar, como Caio Júnior fazia; o esquema tático encaixou minimamente, mesmo com a deficiência técnica e até física do meio de campo; a quantidade de desfalques diminuiu sensivelmente. Junte a isso a mudança de comportamento do time. A entrega e a união em campo saíram do oito para o oitenta. Sem querer entrar no mérito de ser fácil ou difícil, o fato é que essas transformações já deveriam ter ocorrido há tempos. Antes tarde do que nunca. 
 
Por motivos pessoais, não pude atualizar a coluna após as partidas contra Atlético Mineiro e Vasco. Por isso vou tentar dar uma resumida rápida, infelizmente, e partir para o empate com o Sport.  O Galo com a marcação compacta e saída rápida para o ataque complicou o estilo de jogo tricolor. Contra um time mais organizado e com maior qualidade técnica, ficou difícil se impor. Ainda assim, chances foram criadas. Deu até para beliscar os três pontos, mas o 0x0 acabou sendo justo e razoável. Gabriel fez muita falta. Lulinha, e não gosto dessa nomenclatura, mas é uma realidade, é jogador para entrar no decorrer das partidas. O estilo de jogo dele encaixa melhor com o adversário mais cansado e com os atalhos defensivos expostos. O Bahia, com esse elenco, precisa jogar sempre no limite.
 
O jogo seguinte, como a galera gosta de falar nas redes sociais, foi “mítico”! A despeito da fragilidade do adversário, cheio de desfalques e sem nenhum foco no duelo, o Bahia deu show de alternativas. Marcação avançada, contra-ataques variados e bem trabalhados e o sistema defensivo organizado. Hélder e Jones fizeram partidas em um nível nunca antes visto. Foram decisivos e fundamentais. Algum desavisado que conheceu a dupla nesse dia mágico, reclamaria com Mano Menezes com veemência pela ausência deles na Seleção. Foi algo de queimar língua de elefante! Tomara que consigam, pelo menos, manter 70 a 80% desse nível, o que normalmente para a realidade de Jones e Hélder já seria sensacional e útil demais pensando na sequência do Campeonato. Souza, mais uma vez, mostrou aos antigos críticos, que não é um cone. Hábil nas finalizações e inteligente taticamente para fazer o pivô, irritar a defesa rival. Ainda foi e é o “zagueiro” mais eficiente nas bolas paradas defensivas. Sem contar que começa a virar garçom. Pena não ter nenhum substituto que chegue nem à metade da altura. 
 
Bahia e Sport têm esquemas de jogo parecidos. As diferenças são técnicas e a presença de Souza no tricolor. O rubro-negro tem atuado com dois atacantes de beirada em busca de maior movimentação. O time de Jorginho é mais forte, tem mais recursos. No entanto, jogando em casa, o leão pernambucano conseguiu se impor no primeiro tempo. Com os três homens mais avançados, Hugo, Felipe Azevedo e Gilsinho aproveitando os espaços entre os laterais, zagueiros e volantes, a equipe de Waldemar Lemos anulou e pressionou. Rithely, Renê e Cicinho apoiaram muito e não deram chance de o Bahia reverter o domínio. Para piorar, Fabinho esteve pífio, Zé Roberto completamente apagado – já passou da hora de buscar uma alternativa – e Diones e Hélder erraram muitos passes e não conseguiram encaixar a marcação e o posicionamento. Lições para as próximas partidas. Os adversários deverão buscar as mesmas brechas. 
 
No segundo tempo, Jorginho, que tem enxergado muito bem o jogo e mudado para melhor no intervalo, voltou com Elias no lugar de Zé Roberto e recuou um pouco Jones. No início, o atacante ficou muito aberto na direita e participou pouco, porém serviu pra travar as subidas de Renê e Rithely. Passado uns 15 minutos, Elias teve liberdade de movimentação e o Bahia conseguiu impor a marcação no cansado Sport. Pela esquerda, Elias deu a assistência para o gol do empate. Com três atacantes, faltou articulação e o apoio de Neto e Jussandro. Não conseguiram atacar e sofreram na defesa. Os dois fizeram a pior partida desde que entraram juntos na equipe e isso limitou demais a armação das jogadas. Por não se esconder, Hélder acabou sobrecarregado e errou muito, mas deu a cara para bater e foi compensado. O Bahia foi como Hélder. Não desistiu mesmo em uma noite ruim técnica e taticamente. Os cinco pontos para a zona do rebaixamento foram mantidos. Pelas circunstâncias, o 1x1 foi ótimo.
 
A sequência, porém, requer mudanças. O meio de campo melhorou a dinâmica e o posicionamento, mas tecnicamente deixa a desejar. A entrada de Kléberson no lugar de Diones, teoricamente, melhoria nesse quesito. A questão mais preocupante no setor é a de Zé Roberto. Sem dores, o experiente meia atacante já não suporta no mesmo nível o ritmo de jogo por mais de 60 minutos. Com problemas musculares, então, fica impossível render. Foram apenas duas assistências e nenhum gol no Brasileiro. É muito pouco para um jogador referência e a importância da posição. Jéferson vem sendo preparado no Sub-23 e pode vir a ser alternativa em algumas rodadas. Já Caio Cesar, em quem eu deposito esperança, tem ficado no banco e nem entrou nos últimos dois jogos – foi muito mal contra o Atlético Mineiro. Em conta rápida e simplista, foram quatro dias sem treinar a vera. Isso para um jogador ainda longe da forma ideal e sem ritmo atrapalha demais. Tem de dar jogo para ele, que, acredito, pode fazer a diferença.