Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

Postura, pensamento e palavra

Por Éder Ferrari

 Postura, pensamento e palavra
Antes de qualquer coisa, deixo claro não se tratar de ufanismo com relação a Jorginho e sim uma análise sobre o pensamento e a postura, em comparação com os antecessores. Inclusive, apesar de ver o dedo (lá ele) do novo treinador em algumas coisas como o posicionamento de Gabriel e dos volantes, acho que esses dois jogos estão na conta do despertar da alma dos jogadores. Juntem a isso o fato de conseguirem deixar Neto à disposição e, finalmente, terem puxado Jussandro para o profissional. Raça e mudança na forma de marcação fazem a diferença. Vejam onde Diones estava no gol contra o São Paulo. Foram duas partidas em que deixou de ser uma equipe acuada, com medo de jogar. 
 
Vamos à pauta. No futebol, respeito e confiança têm de permear a autocrítica. Abrace a ousadia e a busca incessante pela perfeição, e você terá o modelo ideal de trabalho no dia a dia. A tática bem feita de jogo é apenas consequência disso. Com Joel Santana, o Bahia era carente de modernidade em campo e autoestima no discurso. Quem não lembra a declaração, após a derrota em Pituaçu para o Palmeiras ano passado? “Não podemos jogar de igual pra igual, estamos jogando contra o Palmeiras, um time que é campeão brasileiro cinco vezes”. Era o tom da mediocridade! 
 
Não sou ingênuo de levar tudo ao pé da letra, mas, como bom fã das letras, sei como muitas vezes as palavras têm mais força ou derrubam as ações. Em alguns casos, fazem ir por terra um trabalho promissor e uma relação de respeito. Foi o caso de Paulo Roberto Falcão. “Na medida em que crescemos no jogo, poderíamos até ter empatado, diante de um adversário muito forte, que saiu da Libertadores por detalhes contra o Corinthians. Jogamos contra equipes fortes neste início. Não acho que perder para o São Paulo no Morumbi é uma coisa absurda. O Vasco vai tirar pontos de muitos times e poderíamos ter empatado”. Não é problema valorizar o adversário. Você não pode é viver apenas pensando no que ele pode fazer e abdicar de buscar o algo mais.
 
Caio Júnior tinha o discurso meio caricato, cheio de clichês. Também, como Falcão, procurou se valorizar superestimando os rivais o que, no final das contas, virava um menosprezo ao Bahia, mesmo que involuntário.  Para piorar, usava dados insignificantes como se fossem grandes coisas. “Assumi na 12ª rodada. A equipe tinha 11 jogos, oito pontos, e estava em último. Foram sete jogos no meu comando, com os mesmos oito pontos, e quatro jogos a menos. Houve uma evolução. Estávamos em último e hoje estamos beirando a parte (de cima) da zona do rebaixamento, mas tiramos cinco pontos do atual último colocado”. O pensamento, claramente, parecia estar sempre longe ou arrependido de estar no Fazendão. De fato, era um cara no lugar errado, na hora errada. 
 
Agora chegou Jorginho. Talvez, dos quatro últimos treinadores do Bahia, o mais subestimado. Aproveito a deixa de Falcão e Caio Júnior. Se levarmos a qualidade dos adversários em conta, talvez Santos e São Paulo tenham sido os jogos mais seguros da atual temporada. Como disse no início do texto, difícil analisar até onde vai o trabalho do técnico nesse crescimento. No entanto, vejo nele o resumo sincero do pensamento nas palavras, caminhando junto com a postura de jogo. É isso que o tricolor atual precisa para fugir da zona do rebaixamento e fazer uma reta final de campeonato tranquila. “Vencer sempre é bom. Não tem como não ser. Dá mais confiança, alegria e prazer. Aqueles que estão descontentes passam a ficar mais contentes. O elenco todo ganhou o jogo hoje (domingo). Mas se mantiver assim contra o Atlético-MG, você perde. Eles têm que jogar mais, que se dedicar mais. E eles querem isso. É muito bom”. 
 
 Realismo e humildade não podem ser confundidos com medo e insignificância. O Bahia estava se comportando como um garoto tímido que sofre bullings na escola: omisso e sem força de reação. Acredito que as seguidas “pancadas” tenham acordado os jogadores. É para isso que servem as críticas e por isso não abro mão de fazê-las independente do momento. O objetivo é sempre de corrigir os erros, abrir os olhos para novas possibilidades, sem deixar de lado as circunstâncias e as perspectivas. Certo ou errado nos conceitos, a minha busca é sempre pelo crescimento e pela dignidade. 
 
Por exemplo, mesmo com esses dois bons jogos deles, meu pensamento sobre Fahel, Diones e Hélder juntos no meio de campo segue o mesmo. O time não rendeu bem por causa deles e sim apesar deles. Valorizo a dedicação, a entrega e a ajuda, mas falta qualidade técnica. Basta sair um dos três. Espero que Jorginho ache uma solução para isso. A disposição tática seria mantida, porém teria alguém mais capacitado para organizar o time. Com o DM vazio, opções existem. Time que está ganhando, quando recebe alternativas melhores, também se muda.